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segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

MMA, UFC - O ESFRIAMENTO DA IGREJA

DE BARRIGA CHEIA

"A alma farta pisa o favo de mel, mas a alma faminta todo amargo é doce" (Pv 27.7).


A igreja evangélica brasileira tem entrado em um processo generalizado de esfriamento. O esfriamento está presente desde o púlpito até aos bancos! Tudo parece frio! Há pastores frios, há membros frios também! Muitos cultos parecem apáticos e sem vida! Por quê? Porque a igreja está com a barriga cheia! Há centenas de crentes que não apresentam mais apetite para o sagrado porque suas barrigas estão cheias das iguarias e baboseiras do mundo!
Basta ver algumas postagens no face para perceber isso! Como pode uma igreja ser quente espiritualmente se a preocupação dos seus membros, e de seus pastores também, é com a lutas de MMA e UFC! Como pode o Espírito Santo se manifestar numa igreja onde seus membros ficam até tarde da noite para vibrarem com as agressões violentas apresentadas nesses espetáculos, que se travestem de esporte! Não vejo e nunca vi MMA, UFC como esportes, mas com uma manifestação das obras da carne (Gl 5).

Quando os crentes estão com a barriga cheia, o mundo costumam ver o Evangelho apenas como:
1. UM PRODUTO CULTURAL - Uma igreja mundanizada, onde os seus membros dizem que vão fazer churrasco para comemora um incrédulo massacrar um outro, não pode esperar que o mundo a veja como igreja de Cristo. O mundo a verá apenas mais como uma manifestação cultural como as dezenas que ele já conhece. É uma igreja, fria, sem sal e sem luz. Coitada da sociedade que está cercada de uma igreja assim. Morrerá pagã, e irá para o inferno porque esta igreja não lhe pregará o verdadeiro evangelho por ser anêmica!

2. NÃO VERÁ NADA DE NOVO NA PREGAÇÃO - O evangelho pregado por esse tipo de igreja e por seus pastores é um evangelho contextualizado, não segundo a Bíblia, mas segundo o mundo. Ele se ajusta a modelo mundano para poder gozar também dos seus prazeres. A pregação é filosófica, sociológica e psicologicamente adaptado ao consumo público. É um tipo de pregação que não fala em pecado, não denuncia o MMA e o UFC como paganismo porque é comprometido com ele. Não denuncia o divórcio porque seus pastores são divorciados; não denuncia o suborno porque seus pastores e seus membros também subornam. É uma pregação que em nada difere do mero discurso!

3. NÃO PASSA DE MAIS UMA FORMA ALTERNATIVA DE EVANGELHO - É um evangelho cansado! É similar e genérico. Tanto faz como tanto fez, porque há outras formas que podem substituí-lo. Para que um pastor como conselheiro se um psicólogo pode fazer o mesmo? Não trata com o pecado, mas apenas com seus efeitos, suas manifestações. Esquece que o problema do homem não meramente psicológico, mas espiritual.


Que Deus tenha misericórdia de nós.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Podemos mandar, exigir ou determinar alguma coisa a Deus?

PETIÇÃO OU DETERMINAÇÃO?


Esse ensino se tornou mais um modismo no meio evangélico, sendo fácil encontrá-lo tanto nas mensagens de grandes pregadores como de cantores.
É um fato também que esse ensino tem causado muitas controvérsias; nem sempre os crentes têm entendido a suposta diferença entre !petição" e "determinação". Há relatos de crentes que migraram para outra igreja por entenderem que a sua igreja de origem ocultou-lhes a verdade, não lhes ensinando a importante doutrina da "determinação".
Sabedor das dificuldades que esse ensino tem causado na comunidade evangélica, R.R. Soares tem, ultimamente, tentado suavizá-lo. É o que percebemos quando um dos seus leitores indaga na Revista Show da Fé, na seção "minha resposta".
Em João 14.13,indaga o leitor, está escrito: " E tudo quanto pedirdes em meu nome, eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho". Dizem que a tradução correta não é PEDIRDES, mas DETERMINARDES. Se isso é verdade, a pessoa pode determinar que o mal saia de sua vida ou ocorra uma bênção profissional ou material? A pessoa pode determinar aquilo que quiser?"

Ali, Soares respondeu:

" O âmago dessa questão não é, simplesmente, uma questão de tradução - se é "pedir" ou "determinar", mas aquilo que é pedido ou determinado. Toda promessa bíblica é verdadeira e autêntica, pois aquEle que a faz é a Verdade (Jo 14.6; 17.17). Nosso equívoco, muitas vezes, é não prestar atenção no contexto da promessa em que estão colocadas as condições necessárias para que a bênção se cumpra. Nesse caso, o contexto começa no versículo 12: "Na verdade, na verdade vos digo que aquele que cr~e em mim também fará as obras que eu faço e as fará maiores do que estas, porque eu vou para meu Pai" (Jo 14.12). Ou seja, aquilo que determinamos se realizará, pois será para fazer a obra de Deus, e não para satisfazer o nosso ego ou nossa ganância. Sobre isso, o apóstolo Tiago não podia ser mais direto, quando disse: "Cobiçais e nada tendes; sois invejosos e cobiçosos e não podeis alcançar, combateis e guerreais e nada tendes, porque não pedis. Adúlteros e adúlteras, não sabeis vós que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto, qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus" (Tg 4.2-4b). O restante do contexto da maravilhosa promessa aludida na pergunta está na frase final dela mesma: "Para que o Pai seja glorificado no Filho". Algo que não glorifique ao Pai na pessoa do Senhor Jesus Cristo jamais se tornará realidade como cumprimento da Palavra, pois a bênção somente ocorre quando promove a glória devida ao Senhor. Jesus ensinou isso quando vinculou a necessidade de estarmos nEle e sua Palavra em nós, para que nossa oração fosse sempre respondida afirmativamente: "Se vós estiverdes em mim, e as minhas palavras estiverem em vós, pedireis tudo o que quiserdes, e vos será feito" (Jo 15.7).

Na resposta dada por R.R. Soares, fica evidente que há uma tentativa de se minimizar a celeuma criada por esse ensino no meio evangélico. Todavia, Soares já havia escrito em seu livro COMO TOMAR POSSE DA BÊNÇÃO, como de fato ele entende essa passagem:
Ali, ele escreveu:

"AQUI ESTÁ A GRANDE REVELAÇÃO. ESTA PALAVRA PEDIRDES ESTÁ MAL TRADUZIDA. DEVERIA TER SIDO TRADUZIDA POR DETERMINARDES. O VERBO TRADUZIDO DA LÍNGUA GREGA POR PEDIR TEM O SENTIDO DE DETERMINAR, EXIGIR, MANDAR. EM OUTRAS PALAVRAS, NÃO PRECISAMOS PEDIR AO SENHOR A BÊNÇÃO, E SIM EXIGIR QUE ELA SE MANIFESTE EM NOSSA VIDA. AQUI RESIDE PRATICAMENTE METADE DO SEGREDO DO SUCESSO NA VIDA ESPIRITUAL. EXIGIR A BÊNÇÃO QUE, SEGUNDO A PALAVRA, JÁ É NOSSA, É SIMPLESMENTE CONCORDAR COM O SENHOR E NÃO DEIXAR O DIABO FICAR COM AQUILO QUE NOS PERTENCE".
 .
Esses comentários contraditórios de Soares acabam por deixar o leitor confuso, pois enquanto um afirma uma coisa, o outro contradiz totalmente o que foi dito anteriormente. 
Não me entenda mal, não tenho nada contra a pessoa de R.R. Soares, a meu ver entre os neopentecostais ele é o que menos inovações apresenta. Todavia acredito que sua doutrina precisa ser corrigida em alguns pontos, como, por exemplo, o que está sendo feito aqui.

Pois bem, será que de fato nossas Bíblias traduzem esse termo equivocadamente? O correto é "pedir" ou "exigir" algo a Deus?

o verbo grego AITEO traduzido em nossas Bíblias com PEDIR ocorre 70 vezes no texto grego. Em nenhuma passagem do Novo Testamento grego essa palavra possui o sentido de DETERMINAR, MANDAR OU EXIGIR. O clássico dicionário do Novo Testamento grego de Vine, citado frequentemente por Kenneth Hagin e R.R. Soares, por exemplo, comenta esse termo da seguinte forma: "Pedir (aiteo), se deve distinguir de EROTAO. Sugere com maior frequencia A ATITUDE DE UM SUPLICANTE, a petição de UM INFERIOR EM RELAÇÃO AQUELE A QUEM SE DEVE FAZER A PETIÇÃO, por exemplo, no caso de homens pedindo algo a Deus (Mt 7.7); de um filho a um progenitor (Mt 7.9); de um súdito a um rei (At 12.20); dos sacerdotes e o povo a Pilatos (Lc 23.23); de um mendigo a um viajante (At 3.2). Por outro lado, Etelbert Bullinger em seu léxico grego analítico traduz como "rogar", "implorar", "suplicar", acrescentando: "IMPLICA UMA DISTINÇÃO EM POSIÇÃO E CIRCUNSTÂNCIA ENTRE AS PARTES, E EXPRESSA A PETIÇÃO DE UM INFERIOR PARA UM SUPERIOR".
Há outras passagens que ilustram isso:"E qual o pai dentre vós que, se o filho lhe pedir (aiteo) um peixe, lhe dará em lugar de peixe uma serpente?" (Lc 11.11). Aqui fica claro que o filho não "determina", não "exige", nem tampouco "ordena" que seu pai lhe dê um peixe. Em Mateus 20.20 está escrito: "Então, se aproximou dele a mãe dos filhos de Zebedeu, com seus filhos, e, adorando-o, e fazendo-lhe um pedido (aiteo). Não podemos aceitar a ideia de que a mulher de Zebedeu estava "determinado" a Jesus, quando glorificado, que permitisse que seus filhos se sentassem um a sua direita e outro a sua esquerda. Por duas razões: primeira, o texto é claro em dizer que ela "adorando-o" pediu. Isso significa atitude de reverência e súplica, e me segundo lugar porque o pedido não foi atendido.

A ideia, portanto, de usar esse verbo com o sentido de "determinar", "mandar", "ordenar" não é bíblica. Os eruditos põe sempre commo primeiro significado de AITEO o termo "pedir" ou "suplicar"; outros observam que é "no grego profano", que AITEO signfica também "exigir". Foi desse último significado que o norte-americano P.C. Nelson extraiu a ideia de "exigir" passando posteriormente para Kenneth E. Hagin e deste para R.R. Soares, culminando na doutrina da determinação ou do direito legal dos crentes. 
Acredito que o cristão deve sim ser determinado em sua fé e específico em suas orações, mas isso não lhe dá o direito de exigir de Deus nenhuma de suas bênçãos como se Ele tivesse ficado prisioneiro de leis que criou. Para recebermos a concretização das promessas que Deus nos prometeu não necessitamos de nenhum mantra, mas apenas da fé inabalável em sua santa Palavra. 


(Extraído do meu livro: DEFENDENDO O VERDADEIRO EVANGELHO, CPAD, 2009, pp.171-174).

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

A Terra Manda no Céu?

Com a ascensão da chamada teologia da prosperidade, o texto de Mateus 16.19 ganhou ênfase especial: “E eu te darei as chaves do Reino dos Céus, e tudo o que ligares na terra será ligado nos Céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos Céus”. Baseados nessa passagem bíblica, alguns pregadores adeptos da teologia da prosperidade começaram a “determinar” e até mesmo “mandar em Deus”. A lógica parece perfeita: se o que eu ligo aqui na terra será ligado no Céu, então parece bastante obvio que a terra manda de fato no Céu. É só determinar e pronto! Esse ensino tem provocado atitudes absurdas. Por exemplo: Para que gastar longas horas em oração, se podemos simplesmente “determinarmos” que Deus faça isso ou aquilo? Para que suplicar algo a Deus, se Ele tem o “dever” ou até mesmo a “obrigação” de endossar o que se determina?

Outro dia eu andava por um bairro da periferia da minha cidade e fiquei surpreendido com uma cena que presenciei. Encontrei duas jovens pertencentes a uma dessas igrejas praticantes da “Teologia da Determinação”. Elas estrategicamente se moviam de um lado para o outro da rua. Aproximei-me e as indaguei o que estavam fazendo ali. A mais velha disse-me que estavam “determinando” a saída de satanás daquela área! Aquele episódio deixou-me perplexo, pois aprendi pela Bíblia Sagrada que a melhor maneira de fazer o diabo ir embora de um lugar é através da ação evangelística da igreja: “Então saíram e pregaram que todos se arrependesse; e expulsavam muitos demônios” (Mc 6.12,13). A pergunta, portanto, é: “Qualquer coisa que fizermos aqui será endossada pelo Céu?”

ANÁLISE EXEGÉTICA

Primeiramente, vejamos as duas formas diferentes como esse texto do Evangelho de Mateus tem sido traduzido em nossas versões em português:

a) Almeida Revista e Corrigida (ARC) – “E eu te darei as chaves do Reino dos céus, e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus”.

b) Almeida Revista e Atualizada (ARA) – “Darte-ei as chaves do reino dos céus, o que ligares na terra terá sido ligado nos céus; e o que desligares na terra será sido desligado nos céus”.

No original grego, as expressões éstai dedeménon (ligar) e éstai lelyménon (desligar) são um perfeito perifrásico. No grego, o tempo perfeito indica uma ação ocorrida anteriormente, mas com reflexos no presente. Ao comentar o sentido do uso do perfeito perifrásico nesse texto, o especialista D.A Carson diz que, nessa passagem, estamos diante de uma “questão paradigmática”, e comenta: “Neste caso, questões paradigmáticas realmente rompem barreiras e fazem a evidência decididamente perder para a tradução ‘b’’’. Em palavras mais simples, Carson traduz esse texto como “Terá sido ligado/terá sido desligado” (Carson, D.A. A Exegese E Suas Falácias –perigos na interpretação da Bíblia, op.cit.). Da mesma forma, a Chave Lingüística do Novo Testamento Grego, ao comentar essa passagem, afirma: “Esta construção é futuro perfeito passivo parifrásico traduzido como ‘terá sido amarrado’, ‘terá sido solto’’’. E ainda observa: “É a Igreja na terra levando a efeito as decisões do Céu e não o Céu ratificando a decisão da Igreja”.


O SENTIDO CORRETO


Thomas ice e Robert Dean, ainda sobre esse texto, acrescentam: “Uma tradução que reforça esse sentido do original grego diria o seguinte: ‘Eu lhe darei as chaves do Reino dos Céus, mas o que você ligar na terra será aquilo que já foi ligado no Céus, e o que você desligar na terra será aquilo que já terá sido desligado nos Céus’’’. “Pedro deveria ligar coisas na terra, mas somente aquilo que já tivesse sido ligado no Céu. Pedro deveria estabelecer o padrão terreno de entrada no Reino do Céu, baseado no padrão que Deus já estabeleceu no Céu. Pedri deveria ser um mediador da Plavra de Deus entre Deus e o homem, esse padrão é o que Pedro afirmou em Mateus 16.16, que Jesus é ‘o Cristo, o Filho do Deus vivo’’’ (ICE, Thomas & Dean Jr Robert. Triunfando na Batalha. Editora Chamada da Meia Noite. Rio Grande do Sul, RS).


A NECESSIDADE DA APOLOGÉTICA
Como vemos, são interpretações equivocadas de passagens como a de Mateus 16 que provocam heresias e confusão na vida de muitos cristãos. Isso mostra a necessidade da praticar apologética em nossos dias. A defesa da fé evangélica bíblica se constitui uma das razões que justifica a necessidade da apologética. O teólogo Norman Geisler, em sua Enciclopédia de Apologética, enumera razões que justificam a necessidade da apologética:

1) Deus a ordena – Geisler argumenta sobre 1 Pedro 3.15,16: “Estar pronto não é só uma questão de ter a informação correta à disposição, é também a atitude de prontidão, e vontade de compartilhar a verdade sobre o que acreditamos”.

2) A Exigência da Razão – É pelo raciocínio que os humanos se distinguem dos “animais irracionais” (Jd v.10).

3) A necessidade do Mundo – As pessoas se recusam a crer em sem provas. Evidencias da verdade deve preceder a fé.

Há uma estreita relação entre apologética e as ciências da interpretação. Qualquer apologia que não se alicerça na hermenêutica e na exegese bíblica não pode ser considerada como apologia confiável. Por um lado, a hermenêutica é a ciência da interpretação e por outro, a exegese é a aplicação dos princípios da hermenêutica.

A exegese tem, portanto, o objetivo de extrair de um texto o Maximo do pensamento do autor. No dizer de Gordon D. Fee, “é descobrir qual era a intenção original das palavras da Bíblia.

José Gonçalves da Costa Gomes é pastor no Piauí, conferencista, bacharel em Teologia, Graduado em Filosofia, Professor de Grego, Hebraico, Teologia Sistemática e Religiões Comparadas, e membro da comissão de apologética da CGADB