Bem-vindo ao meu blog

Desejo que todos sejam ricamente edificados quando por aqui passarem.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Batismo no Espírito Santo - perguntas e respostas

Pentecostalismo – Perguntas e Respostas
Por José Gonçalves


 Nos Seminários por mim já referidos neste livro fui interrogado sobre os mais variados aspectos da doutrina pentecostal. Querendo oferecer uma resposta sucinta, mas clara resolvi pô-las aqui. Devido ao espaço nem todas as perguntas feitas puderam ser postas neste artigo. Todavia aquelas que achei mais importante foram catalogadas. 1º - “Todos podem ser profetas?” J.I.O.C A pergunta na verdade deve ser feita dessa forma: “todos podem profetizar?”. Neste caso a resposta é sim. As Escrituras apóiam essa assertiva: “por que todos podereis profetizar” (1 Cor 14.31). Sim todos podem ser usados no dom de profecia, mas nem todos podem exercer o ofício profético. Acerca do cargo de profeta, como um ofício, a Bíblia diz que Deus concedeu “uns para profetas” (Ef 4.11). Ágabo exercia o ofício profético, mas as filhas de Filipe, o evangelista, profetizavam. (At 21.9,10) 2º - “Os que profetizam devem ser submissos à liderança local da igreja?” Irmão Vito. Em nenhum lugar do Novo Testamento encontramos alguém profetizando “a granel” e fora da orientação da liderança local da igreja. Ágabo, por exemplo, “dava a entender pelo Espírito que estava para vir grande fome” (AT 11.28). Esse profeta neotestamentário foi usado por Deus para prevenir a liderança local sobre uma grande fome que segundo Lucas “sobreveio nos dias de Cláudio” (At 11.28b). Ele tinha o respeito de toda a igreja inclusive do apóstolo Paulo (At. 21.10-13). A prática de ser um profeta “independente”, isto é, sem estar submisso á liderança local de uma igreja não conta com respaldo bíblico. 3º - “Qual a diferença entre orar “com” Espírito e orar “pelo” Espírito?”. Em sua primeira epístola aos Coríntios, Paulo diz: “Orarei com o Espírito, mas também orarei com a mente” ( 1 Co 14.15). O texto grego permite ambas as traduções. Se optarmos em entendermos a expressão proseuksomai tô peneumati como um locativo grego, então a melhor tradução é “no espírito”, isto é, o nosso espírito humano quem ora por influencia do Espirito Santo. Por outro lado se entendermos a mesma expressão como um caso instrumental grego, então a tradução melhor será “pelo Espírito”, numa referencia ao Espirito Santo. Isto porque as terminações dos casos gregos locativo e instrumental são iguais. Nesta passagem, porem, a Almeida Revista e Atualizada (ARA), seguiu o contexto e traduziu corretamente como “ orar com o espírito”, visto que nos versículos precedentes Paulo havia dito “o meu espírito ora”. 4º - “Paulo fala em melhores dons (1 Cor 12.31). Há dons melhores do que outros?”. A.S. Paulo fala em “melhores dons” no contexto onde a edificação da igreja deve ser o critério principal. Nesse sentido ele exorta aos Coríntios a “buscar com zelo os dons espirituais, mas principalmente que profetizeis” (1 Cor 14.1). Para ele a profecia era o melhor dom porque edificava o maior número de crentes. É nesse sentido que devemos entender a palavra meizona (maiores), conforme aparece no texto grego da United Bible Societies. 5º - Como descobrir em qual (s) dons Deus quer nos usar? Primeiramente você deve seguir a recomendação bíblica e “buscar com zelo os dons espirituais” (1 Cor 14.1). Quando o Senhor lhe agraciar com seus dons, então você saberá que os recebeu. Paulo ao escrever a Timóteo exortou-o a não se fazer “negligente para com o dom que há em ti, o qual te foi concedido mediante profecia, pela imposição de mãos do presbitério” ( 1 Tm 4.14). Em sua segunda carta Paulo deixa outra vez claro que Timóteo deveria “reavivar” o dom de Deus que estava nele. (2 Tm 1.6). Em ambas passagens fica evidente que Timóteo sabia quais dons de Deus havia recebido. Ele estava sendo exortado a exercitá-los. Wayne Grudem em sua Teologia Sistemática observa que esta regularidade dos dons na vida de um crente permite dizer que ele é o possuidor (administrador) daquele dom. 6º - “É possível que um crente que possuía um determinado dom, por conseqüência de falta de oração em busca do mesmo pode perdê-lo.” E.M.S. Já vimos que Paulo exortou a Timóteo a não “negligenciar” e “reavivar” o dom de Deus. A falta de oração é tanto uma forma de negligencia como também a melhor maneira de apagar o Espírito (1 Ts 5.19) 7º - “Uma certa doutrina diz que há nove tipos de línguas, e que devemos ter cuidado com elas para não sermos confundidos pela linguagem demoníaca. Eu gostaria de saber se isto é verdade”? I.F. Essa doutrina não possui nenhuma fundamentação bíblica. As Escrituras falam de “variedade de línguas” (gr. gene glosson), sem procurar quantificá-las. A heresia que diz que um crente pode receber um demônio e não Espírito Santo quando busca o batismo no Espírito Santo é contrária ao ensino bíblico. Jesus disse “assim o Pai celestial dará o Espírito Santo ao que lhe pedirem” (Lc 11.12-13). 8º - “É possível um crente profetizar sem ter sido batizado no Espírito Santo”. B.C.L. Deus pode usar a quem Ele quer. No VT Ele usou Saul para profetizar (1 Sm 10.11). No NT encontramos Caifás, o sumo sacerdote, também profetizando (Jo 11.15; 18.4). Todavia após o dia de pentecostes as profecias no NT acontecem em um contexto onde os crentes já haviam sido batizados no Espírito Santo. Em Atos 19.1-6 diz que “tanto falavam em línguas como profetizavam”. Primeiro o batismo no Espírito Santo, depois o exercício dos dons. 9º - “Porque crentes carnais falam em línguas”? O.F.B. Os dons de Deus são dados pela graça. Na igreja de Corinto, por exemplo, havia crentes carnais: “Eu, porém, irmãos, não vos pude falar como a espirituais, e sim com a carnais” ( 1 Cor 3.1), todavia era a igreja onde mais havia as manifestações pentecostais (1 Cor 12-14). O que deve ser observado é que o carnal precisa julgar-se a si mesmo e sair do domínio da carne para o do Espírito, pois, “os que estão na carne não podem agradar a Deus” (Rm 8.8). Se o crente carnal não se corrigir, Deus o corrigirá (1 Cor 11.28-32). Os dons espirituais não devem ser o critério de avaliação de maturidade, mas sim os frutos do espírito. 10º - “O exercício dos dons sem o amor é obra da carne?” Irmã Francisca Tudo o que não for feito por amor é obra da carne. Paulo diz que se “eu não tiver amor nada serei” (1 Cor 13.2). Os dons sem o amor fazem apenas barulho (1 Cor 13.1).Os dons são prova de inspiração, o amor de compaixão. (1 Cor 13.2). Os dons são prova de sobrenaturalidade, o amor de humanidade (1 Cor 13.2; 14.25). Nem todos podem possuir os mesmos dons, mas todos podem amar (1Cor 12.30). Os dons sem o amor são uma deformação (1Cor 12.17). Podemos ir para o céu sem dons, mas não sem amor (1 Cor 13.8). 11º - “Como podemos abusar dos dons?” A.P.P. Podemos abusar dos dons espirituais assim como podemos abusar das coisas naturais. Os capítulos 12 a 14 da 1ª Epistola aos Coríntios foram escritos para corrigir abusos. Ali os crentes estavam abusando do dom de línguas, isto é, o dom não estava sendo usado de uma forma que trazia edificação para toda a igreja. Recentemente a mídia exibiu uma igreja americana onde os crentes riam que rolavam pelo chão!. Alegrar-se no Senhor é bíblico (Fl 4.4), mas levar isso a extremos ao ponto de se tornar algo bizarro, sem dúvida é uma forma de abuso. 12º - “Só tem o Espírito Santo quem é batizado Nele? Então como ficam as referências de Atos 2.38 e 1 Cor 12.13? Como explicar isso? I.B.F. A Bíblia ensina que no momento que recebemos Jesus como Salvador o Espírito Santo vem habitar em nós (1 Co 3.16). Somos então selados nele (Ef 4.30). Nesse sentido a Bíblia diz que “quem não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é Dele” ( Rm 8.9). Todavia a experiência do Batismo no Espirito Santo não deve ser confundida com a regeneração. a) Os apóstolos já eram crentes antes do batismo no Espírito (Lc 24.49; At 1.13,14). b) Os Samaritanos já eram salvos antes do batismo no Espírito (At 8.14-17). c)Paulo recebeu a Cristo na estrada de Damasco e foi batizado no Espírito três dias depois sob o ministério de Ananias (At 9.17-19). d) Os doze homens de Éfeso já eram crentes, mas somente receberam o Espírito Santo após a oração de Paulo (At 19.1-6). 13º - “Existe base bíblica em At 2 para o batismo no Espirito Santo como o conhecemos hoje? Em caso positivo, como os ouvintes entendiam tudo sem interpretação? Manuel No capítulo 2 de Atos dos Apóstolos os 120 crentes falam em línguas desconhecidas para eles, mas conhecidas para aqueles que estavam presentes em Jerusalém e que haviam vindo de “outras nações” (At 2.5). “partos, medos, elamitas e os naturais da Mesopotâmia, Judéia, Capadócia, Ponto e Ásia, da Frígia, da Panfília, do Egito e das regiões da Líbia, nas imediações de Cirene, e romanos que aqui residem, tanto judeus como prosélitos, cretenses e arábios ( At 2.9-11). Foram essas pessoas que ouviram os discípulos falando nas línguas deles (estrangeiros) “as grandezas de Deus” ( At 2.11). Tanto as línguas referidas em Atos 2 como as citadas em 1 Coríntios 14 são as mesmas, diferenciando-se apenas no propósito. 14º “Qual a explicação correta sobre Mt 3.11-22 quanto ao “batismo com o Espírito Santo e com fogo”? Vasconcelos A partícula grega kai traduzia às vezes como “e” e outras como “também” aparece 9.018 vezes no texto grego. Ela é uma conjunção que liga uma palavra a outra. Alguns intérpretes entendem que João está falando de duas coisas diferentes, isto é, ele estaria se referindo ao batismo no Espirito Santo para os crentes e de um outro batismo de julgamento (com fogo) para os descrentes. Neste caso a conjunção seria melhor traduzida como “também”, sendo que o versículo ficaria assim: “Ele vos batizará com o Espirito Santo e também com fogo”. Todavia o contexto neotestamentário não parece favorecer essa interpretação, sendo que a melhor tradução é aquela que entende que Jesus “batizará como o Espirito Santo e com fogo”, isto é, o fogo faz parte da mesma experiência. É o que aconteceu em Atos 2 quando os discípulos foram batizados no Espírito Santo, o texto diz que foram vistas “línguas de fogo” (At 2.3). 15º - “Um amigo me disse que não fala em línguas por que o próprio Jesus não falou, portanto, não há necessidade mais dele falar. Isto está certo? L.F.V. As Escrituras dizem que o batismo no Espírito Santo com a evidência física do falar em línguas só ocorreria após a morte, ressurreição e glorificação de Jesus. “ Se eu não for, o Consolador não virá” (Jo 16.7); “Exaltado, pois, à destra de Deus, tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou isto que vedes e ouvis” (At 2.33). Não adianta tentarmos encontrar pessoas no Velho Testamento ou mesmo no Novo Testamento (antes da glorificação do Senhor Jesus) falando em línguas que não vamos encontrar.

Línguas - uma análise teológica e exegética

Glossolalia
Por José Gonçalves

 O falar em línguas desconhecidas como aparece no Novo Testamento é um fenômeno característico da Nova Aliança. A profecia registrada no Velho Testamento, prevendo o aparecimento desse fenômeno (Is 28.11), tem o seu cumprimento na efusão do Espírito Santo na igreja emergente (1 Co 14.21). Paulo diz que nesse caso as línguas constituíam um sinal de Deus para o mundo incrédulo. Quando o apóstolo Paulo escreveu à igreja de Corinto, instruindo-a sobre o falar em línguas, alguns anos já haviam se passado desde o dia de pentecostes. Foi nesse dia que Jesus cumpriu a sua promessa de batizar os crentes no Espírito Santo (At 1.5; 2.4). No dia de pentecostes o Espírito Santo foi derramado sobre os primeiros cristãos. De acordo com o registro sagrado fenômenos como “som de um vento impetuoso”, e “línguas como de fogo” (At 2.1-3) foram percebidos naquele dia. Mas além desses fenômenos, um outro: o falar em línguas desconhecidas prendeu a atenção dos que ali se encontraram (At 2.4-11). Desses fenômenos ocorridos com a vinda do Espírito Santo no dia de pentecostes, somente o falar em língua se repetiria em outras ocasiões (At 2.4; 10.44-46; 19.1-6). Não parece haver dúvida alguma que as narrativas de Lucas em Atos dos Apóstolos tencionam mostrar que o falar em línguas é uma marca distintiva da vinda do Espírito Santo. Não há como negar que as narrativas de Lucas têm um caráter didático. Ele mostra que foi assim em Jerusalém (At 2.4); na casa de Cornélio (At 10.44-46) e com os crentes de Éfeso (At 19.1-6). Em Samaria há também o registro dos apóstolos orando para que os samaritanos “recebessem o Espírito Santo” (At. 8.14-18). O texto não faz referência ao falar em línguas nessa ocasião, mas muitos eruditos acreditam que o fenômeno tenha ocorrido, sendo que a omissão do detalhe é apenas um recurso estilístico de Lucas. No seu livro de história da igreja ele costuma omitir informações que já deixou subtendido noutro ponto. Ao comentar essa passagem A. T Robertson diz que o texto deixa claro “que aqueles que receberam o dom do Espírito Santo falaram em línguas”. Robertson, considerado mundialmente como a maior autoridade em grego do século XX, observa que Simão viu o poder do Espírito sendo transferido aos outros, o que fez ele querer possuir esse novo poder. Fora do registro histórico de Atos, a epístola aos Coríntios deixa claro que o falar em línguas era uma experiência comum e esperada entre os primeiros crentes. De fato o tempo verbal grego, presente do indicativo, usado por Paulo em 1 Co 14.5 diz literalmente: “Quero que todos vós continuem com o falar em línguas” (gr. Thelo de panta lalein glossais). Paulo sabia que o falar em línguas era uma prática da igreja dos seus dias, e ele mesmo fazia exercício dela (1 Co 14.18). Na verdade esse dom ficou tão em evidência na igreja de Corinto que o apóstolo se viu no dever de dar regulamentação para seu uso. Corria o risco dessa manifestação do Espírito suprimir as demais (1 Co 12-14).


Línguas no Seminário Teológico

Línguas entre os intelectuais do Seminário Fuller.
Por Peter Wagner

 “Robert Tuttle é um estimado colega meu, um dos professores do Fuller Seminary e um ministro da igreja Metodista Unida. Seu dom são as línguas privadas. Diz ele: “Há ocasiões, em minha vida devocional, em que não mais consigo exprimir meu ‘interior’... É então que permito que o Espírito Santo ore por meu intermédio, em um idioma que nunca aprendi. Luto todos os dias com os idiomas bíblicos... Digo um idioma porque creio que se trata de uma língua. Meu vocabulário vai aumentando. Conheço bastante sobre idiomas para poder identificar a estrutura de sentenças. Meu idioma desconhecido, ou língua de oração tem pontos parágrafos, vírgulas e até exclamações. Trata-se de um dom maravilhoso”. Cinco postulados sobre o falar em línguas “Nem todos os estudiosos dos dons espirituais concordam que se trata de um idioma real. Alguns lingüistas profissionais têm gravado pessoas que falam em línguas, e têm dito que não conseguem perceber qualquer estrutura lingüística. Mas visto que não têm gravado todas as línguas, talvez aquelas que foram gravadas sejam apenas expressões extáticas (N. E.: linguagem sem estrutura formal conhecida. Expressões isoladas e repetitivas, acompanhada de êxtase emocional), ao passo que em outros casos, como no de Tuttle, estejam em, assim chamadas, línguas verdadeiras. Porém, penso que essa questão é meramente acadêmica, pois a função é a mesma, tanto no caso de expressões estáticas como no caso de idiomas devidamente estruturados. Essa função foi descrita por Harald Bredesen, pastor do North County Christian Center, em San Marcos na Califórnia, mediante alguns postulados: 1. “As línguas capacitam nossos espíritos a comunicarem-se diretamente com Deus acima e além da capacidade de compreensão de nossas mentes”. 2. “As línguas liberam o Espírito de Deus em nós”. 3. “As línguas possibilitam nosso espírito de assumir ascendência sobre a alma e o corpo”. 4. “As línguas são uma provisão de Deus para fazermos catarse, pelo que são importantes para a nossa saúde mental.” 5. As línguas satisfazem nossa necessidade de toda uma linguagem de adoração, oração e louvor”.


Recebendo o batismo no Espírito Santo

Evidência inicial
 Por Donald Gee,do livro: Como Receber o Batismo no Espírito Santo (CPAD)


 “Numa noite de quarta-feira, em março de 1913, toquei orgão no culto de meio de semana na igreja Congregacional (que terminava às 21h pontualmente), e depois corri para desfrutar do restante da reunião de Highbury New Park. Depois do término da reunião (aproximadamente às 22h30min), o irmão que vinha dirigindo o culto, um respeitável pastor irlandês, colocou-me à prova numa espécie de catecismo. - Tem certeza da salvação? - Sim - Já é batizado? ¬– Sim. - Já é batizado com o Espírito Santo? - Não. - Por que não? Expliquei-lhe a minha aversão a “espera” que pareciam uma eternidade. Ele incentivou-me dizendo que isso não era necessário. E, abrindo a sua Bíblia, leu para mim Lucas 11.13, e depois Marcos 11.24. Então perguntou-me se eu acreditava nesses versículos. Garanti-lhe que sim, e no momento em que demonstrei-lhe minha fé, era como se Deus jorrasse do Céu para o interior do meu coração, uma certeza absoluta de que essas promessas estavam sendo realmente cumpridas em mim. Não tive nenhuma manifestação imediata, mas fui para casa tremendamente feliz, tendo já recebido o batismo com o Espírito Santo “pela fé”, compreendi nitidamente, entretanto, o fato de que nessa experiência eu havia crido na Palavra de Deus, porque tratava-se de ma manifestação bíblica do Espírito, como no livro de Atos e, assim, eu cri totalmente e não pensei em mais nada. Desde aquele instante, minha alegria e satisfação foram intensas, até que aprendi, com dificuldade, como expressar-me na oração e louvor. A certeza de que Deus havia cumprido de fato sua promessa dava-me a convicção. Experimentei uma nova plenitude acima das palavras, e descobri que tornava-me cada vez mais difícil adequar à minha voz todo o louvor existente em minha alma. Essa situação continuou durante duas semanas aproximadamente, e então, numa noite, quando estava orando sozinho ao lado de minha cama, antes de ir dormir, e quando novamente não encontrei nenhuma palavra em inglês adequada para expressar o transbordamento de minha alma, descobri que estava começando a balbuciar palavras em uma nova língua. Eu estava numa condição de êxtase espiritual, e lancei-me inteiramente no Senhor. Pela primeira vez, eu, pessoalmente, senti a experiência registrada em 1 Coríntios 14.2. Um louvor crescente afluía agora em minha alma também nas reuniões, até que comecei a falar em outras línguas publicamente. Cantava muito em línguas também quando a pequena congregação era levada pelo Espírito Santo a esse fim durante nossos momentos de oração e adoração. Toda minha experiência cristã foi revolucionada. Eu não procurava mais aqui e ali por uma satisfação espiritual – eu havia encontrado. Todo o meu prazer estava na oração, no estudo da Bíblia e nos irmãos em Cristo.


Línguas desconhecidas - línguas vivas

Línguas desconhecidas - Thai puro
Por Jack Hayford

“Fico sempre surpreso ao receber notícias de algum novo canto do planeta onde chegaram fitas de áudio de meus ensinamentos. Com mais de três mil títulos distribuídos, num total entre um a dois milhões de cassetes, cenários poucos usuais e testemunhos emocionantes abundam. Um desses testemunhos foi enviado por um missionário batista na Tailândia, que tinha aprendido que a crença no falar em línguas não era para os nossos dias e que onde elas são ouvidas não passam de tagarelice sem sentido. O objetivo da carta não era focalizar as línguas, mas principalmente agradecer-nos pelo ministério da Palavra de Deus que estava trazendo força e encorajamento ao casal. Como um rodapé virtual, ele mencionaram de passagem: Inicialmente, em uma das fitas recentes, você falou em línguas no final da mensagem e depois fez a interpretação. Pensamos que estaria interessado em saber que parte da “linguagem” era Thai puro e a interpretação feita foi exata quanto ao significado das palavras em Thai”.


Línguas como evidência do batismo no Espírito Santo

Evidência inicial
Por Felipe Saint


“Durante mais de trinta anos eu havia defendido, com toda a lealdade, a “sã doutrina” que incluía a rejeição de tudo aquilo que agora aceitava. Minha reputação de fiel defensor da verdade era meu mais precioso tesouro. Agora, de repente, tinha de admitir o meu erro e mudar minha mensagem, embora mantendo-me preso as doutrinas básicas. Era também o momento de transformar a doutrina em ação. Meu genro Sam, que havia recebido o batismo com o Espírito Santo, disse-me: _ Não é possível pregar a verdade do batismo com o Espírito Santo sem que o possua com realidade bem presente. Sabia que ele estava certo. Mas se eu recebesse essa experiência, o que aconteceria ao meu relacionamento com aqueles que a rejeitavam categoricamente? Penoso pensamento ocorreu-me então. A maioria de nossos queridos amigos se afastariam de nós, supondo que havia adotado doutrina falsa. Consternação e perplexidade se espalhariam entre aqueles que confiavam em mim como professor da sã doutrina! Mas a plena revelação da verdade de Deus compelia-me a prosseguir. Portanto resolvi que, mesmo que perdesse todo o apoio, seria fiel à Palavra de Deus! Comecei buscando o dom de línguas, bem como o próprio Espírito Santo. Sabia que nos tempos do Novo Testamento todos os que recebiam a “unção” do Espírito também falavam em línguas. Estava certo de que esse dom seria uma benção adicional e uma confirmação em minha vida. A primeira epístola aos Coríntios 14.4 diz: “O que fala em outra língua a si mesmo se edifica”. No Vale do Lago, durante certo tempo, alguns de nós íamos todos os dias a um local tranqüilo à sombra das árvores par orar. Certo dia, meu único companheiro era Jorg Pradas. Ao descermos a sombria rampa entre espinheiros, lembrei-me que Jorge havia me contado que há pouco tempo receber o batismo na rua de sua cidade natal. Pela fé ele reivindicara a promessa de Cristo: “quanto mais o Pai Celestial dará o Espírito Santo àqueles que lho pedirem?” (Lc 11.13). Jorge havia pedido e o Senhor respondera com ondas de bênçãos que lhe banharam a sua alma com santa alegria. Ele não falou em línguas naquele momento, mas algumas semanas depois, quando orava, um fluxo de adoração em nova língua lhe veio aos lábios de modo muito natural. Quando alcançamos uma clareira, um tanto afastada do caminho, eu disse: _ Jorge, creio que Deus quer que eu receba pela fé a plenitude. Creio que ele quer me abençoar também com o dom de línguas. (Isso foi em fevereiro de 1969.) Ele olhou para mim com compreensão, enquanto eu prosseguia: _ Na Bíblia, repetidamente, os apóstolos impunham as mãos sobre os crentes e eles recebiam o Espírito Santo com todo o seu amor e poder. Portanto peço a você que ponha as mãos sobre minha cabeça e ore, pois estamos a sós. Pensei um pouco, sentindo a presença do meu Senhor, e depois prossegui: _ vou esquecer todos os meus sucessos e falhas, meus longos anos de pregação e meus estudos teológicos. Vou me transformar em criança como diz a Bíblia e até mesmo me fazer de insensato se for necessário! Mas vou dar o passo da fé, tal como aqueles sacerdotes de Israel que puseram os seus pés no rio Jordão, crendo que Deus abriria o caminho para eles até à outra margem. Ajoelhei-me. Jorge colocou as mãos sobre minha cabeça e começou a orar brandamente em espanhol, com algumas frases em línguas. Depois eu comecei a orar. A princípio, parecia pouco mais do que um murmúrio, mas logo depois tornou-se evidente. Eu estava orando em uma língua que nunca havia aprendido! A proximidade de Deus era impressionante. A sensação de paz e alegria era intensa. Durante alguns minutos orei sem esforço numa língua definida. A seguir, mudei pra o espanhol, louvando o meu Pai celestial por ter adicionado mais essa nova e maravilhosa dimensão à minha experiência cristã. Jorge regozijou-se comigo e continuamos em oração durante um bom tempo”.

Línguas - chuva do Espírito Santo

Gotas de Chuva
Por Morris Cerullo

 “A Igreja Assembléia de Deus de Betânia, em East Patterson, era uma construção imponente. Havia sido uma igreja presbiteriana, e naquela época um vitral mostrado Jesus Cristo como o “Bom Pastor” foi avaliado em mais de vinte mil dólares. A Srª. Kerr observou-me durante o culto, para acompanhar minhas reações. Ao contrário do que esperavam, eu me senti muito à vontade com as pessoas louvando a Deus, porque isso era uma parte vital da experiência religiosa dos judeus. Estava acostumado à participação da congregação, entoando os Salmos e pronunciando as diversas preces. No final do culto um convite geral para que as pessoas fossem à frente e orassem. A Srª. Kerr se inclinou para mim e perguntou se gostaria de faze-lo. Fomos até o altar e eu me ajoelhei, exatamente abaixo do grande púlpito daquela igreja histórica. Quando olhei para cima, o púlpito artisticamente entalhado avultou sobre mim como uma montanha. Curvei a cabeça e comecei a orar. Em poucos momentos, todos os sons ao redor pararam de ser registrados por minha consciência. Logo em seguida me senti envolto numa presença maior do que jamais sentira em minha vida. Fiquei então impressionado, quando estendi o olhar para lá do grande púlpito, em direção à abóbada do teto do santuário. Não vi ninguém mais. Era como se estivesse ali sozinho. Minha impressão seguinte foi de que alguma coisa brilhante começava a cair do teto. Logo percebi que enormes gotas de chuva caíam vagarosamente em minha direção. Notei em seguida que cada gota tinha a forma de uma lágrima, e em cada lágrima havia uma palavra claramente escrita. Quando chegaram perto de mim procurei distinguir a língua em que estavam escritas, tendo observado não se tratar de inglês; tampouco era hebraico ou grego, visto que estudara essas línguas na escola e durante minha educação religiosa. As gotas foram caindo em todo o meu redor, e com os lábios fui repetindo as palavras que via escritas. Logo estava totalmente empenhado em pronunciar os vocábulos desconhecidos que a minha visão enxergava. Em poucos momentos a chuva passou e a visão terminou, mas as palavras desconhecidas que me fluíam dos lábios não cessaram. Como a Srª. Kerr acompanhava o que acontecera, uma tremenda confirmação se deu no seu coração batista: tudo aquilo era real. Ela sabia que eu não tinha conhecimento prévio dessa experiência, e que o que ali sucedera não fora resultado de poder de sugestão. Numa reflexão sobre os eventos do passado podemos ver perfeitamente a mão de Deus nos guiando um passo de cada vez – sempre provendo todas as nossas necessidades. Quando naquela noite chegamos à casa dos Maurer, a Srª. Kerr estava um tanto preocupada, pois eu ainda não falara muito em inglês, persistindo em falar a língua desconhecida. Acharam que seria bom telefonar ao pastor, o Rev. David Leigh, e descobrir o que estava acontecendo. Ele lhes garantiu que tudo estava bem, e que eu estava sendo batizado no Espírito Santo.”


Línguas - do jeito que está na Bíblia

Línguas Como no livro de Atos
 por Stanley Horton

 “Ouvi de um amigo inglês de meu pai, chamado Butler, um fato ocorrido quando Smith Wiggleswort, evangelista britânico, armou pela primeira vez sua grande tenda em Vancouver, Canadá. Butler procurou o irmão Wigglesworth e perguntou-lhe se seria possível receber o batismo no Espírito Santo com a evidência de um “vento impetuoso”. Wigglesworth poderia ter explicado que o aparecimento de línguas de fogo e o som de um vento, os quais precederam o derramamento do Espírito no dia de Pentecostes, não mais se repetiram; que repetiu-se todavia o falar em línguas; e que, em Ato 10, era a evidência clara e convincente do recebimento do batismo. Não o fez, entretanto. Em vez disso, respondeu: _ Por que você não entra na tenda para orar, e pergunta ao Senhor? E, enquanto orava, o irmão Butler foi realmente envolvido por um vento sobrenatural, que o deixou prostrado até o final da reunião. Então ele ponderou: _ Devo levantar-me e contar ao povo que recebi o batismo no Espírito Santo com a evidência de um vento veemente e impetuoso. Mas não pôde levantar-se. Sentia-se como se estivesse preso ao chão. E começou a falar em línguas. Ele jamais teve dúvidas de que as línguas são a evidência externa inicial do batismo com o Espírito Santo.”


Batistas também falam em línguas

Batistas que falam em línguas
Também já experimentei isso Por Stanley Horton


 “Quando criança, vezes sem conta ouvi os testemunhos de como Deus guiou meus pais e avós à Experiência pentecosta. Minha avó Clara, filha do professor Sanford, que ensinava grego e latim na Universidade de Siracusa e foi ordenado ministro batista, recebeu influência de várias direções. Suas primeiras experiências espirituais aconteceram em Chautauqua, Nova York, durante as férias de verão, quando pregadores de Keswick e professores da Inglaterra despertaram no seu coração o desejo de uma vida vitoriosa pelo poder do Espírito Santo. Pelo fato de seu pai ser professor, permitiram-lhe assistir todas as aulas do curso de bacharel, mas ela não recebeu diploma porque a universidade, na época, não diplomava mulheres. Por toda a sua juventude ela foi ativa nas associações de obreiras cristãs, chegando a presidir o capítulo de Nova York, que reunia jovens de várias denominações. Numa convenção na cidade de Nova York, ela conheceu A.B. Simpson e visitou sua igreja. Também foi uma das pregadoras do chamado Circuito de Chautauqua. Por volta de 1880, recebeu convite pra falar a um grupo de mulheres de uma igreja batista situada à margem do rio Erie, na Pensilvânia. Ela havia orado com determinação por aquele culto, e, quando levantou-se para pregar, começou a falar numa língua que desconhecia totalmente. Então o Espírito Santo deu-lhe a interpretação, que eram todas citações bíblicas agrupadas de modo a formar uma mensagem. As mulheres queriam saber que língua era aquela, mas ela não sabia. Nem mesmo entendera completamnte o que havia acontecido, a não ser que fora abençoada. Minha avó não contou a ninguém o que acontecera, embora numa oração solitária e fervorosa voltasse a falar a mesma língua. Desejando conhecer melhor a Bíblia, ingressou no Instituto Bíblico Moody, em Chicago. Certa ocasião, Dwight L. Moody e Reuben A. Torrey colocaram os alunos em fila e, caminhando por trás deles, diziam: _ Recebam o Espírito Santo. Torrey já havia ensinado que a experiência do batismo no Espírito Santo estava disponível a todos. (...) No domingo de Páscoa de 1906, a Srta. Seymour e alguns outros membros oriundos da Missão da Rua Azusa contaram como o Espírito Santo estava sendo derramado conforme Atos 2.4. Meu avô confessou haver algo que ele ainda não sabia sobre o derramamento do Espírito Santo, mas não conseguia descobrir o que era. À menção de Atos 2.4, ele convenceu-se de que o falar em outras línguas era a evidência que lhe faltava. Naquele culto, ele e muitos outros foram batizados no Espírito Santo. Mais adiante, ele levou minha avó à Missão da Rua Azusa, onde ela viu, ouviu e sentiu o que estava acontecendo. Então declarou: _ Eu já experimentei isso! Os irmãos retrucaram: _ Não pode ser. Você é batista! Eles estavam ensinando que o batismo no Espírito Santo era a terceira experiência depois da salvação e da santificação. Ela não argumentou, simplesmente dobrou os joelhos em oração e em poucos minutos estava falando em línguas. Um dinamarquês aproximou-se dela mais tarde e disse-lhe que ela havia falado no seu idioma. Minha mãe, na época com 11 anos de idade, ajoelhou-se pedindo pela santificação e em dez minutos estava falando em línguas sem ter consciência de qualquer experiência intermediária. Uma mulher negra, proveniente de uma ilha de fala francesa, procurou-a logo depois, dizendo que ela falara francês. Quando minha mãe era mais velha tornou a encontrar a mulher, que relembrou o fato e confirmou-o.

Línguas estranhas - um refrigério para a alma

Falando em mistérios –línguas como uma fonte jorrante!
Por Stanley Horton



“Quando eu tinha 14 anos, meu irmão mais novo e eu passamos o verão com minha tia Ruth, irmã de minha mãe, e seu marido, Wesley R. Steelberg, pastor da Assembléia de Deus em Sacramento. Certa vez, na convenção dos Embaixadores Pentecostais para Cristo, fui à frente orar com os outros jovens. A presença do Senhor tornou-se tão real que desliguei-me de tudo, perdendo a noção do tempo. Finalmente, um homem bateu no meu ombro e perguntou; _ Você está bem? As luzes estavam quase todas apagadas, e as pessoas já tinham ido embora. Mas não recebi o batismo no Espírito Santo. Talvez eu estivesse um pouco hesitante, devido a um fato ocorrido quando eu tinha oito anos de idade. Alguns de nossos amigos haviam se associado a Frank Ewart, e fomos pressionados a participar de uma reunião especial. Depois do culto, alguém me levou até o altar e começou a forçar a minha mandíbula para tentar fazer-me falar em línguas. Quando meu pai percebeu o que estava fazendo, tomou-me pelo braço e levou-me embora. Nunca mais voltamos. Depois de terminar o curso secundário, ingressei na Faculdade de Los Angeles e dois anos após entrei para a Universidade da Califórnia, em Berkeley. Fiz algumas amizades na Primeira Igreja Pentecostal em Oakland, pastoreada por J. Narver Gortner. Seus sermões expositivos aumentaram meu amor ao batismo no Espírito Santo. Na universidade, onde me formei em ciências, deparei-me com certa confusão causada por alguns de meus professores, cujas idéias vieram a lançar dúvidas sobre a Bíblia. Eu não então da existência de bons livros, que poderiam ter-me ajudado. Certa noite, ajoelhei-me à beira da cama e clamei: _ Senhor, eu sou um salvo, mas não sei o que fazer quanto a essas dúvidas. Em resposta, o Senhor fez-me lembrar de quando meu avô, Samuel Horton, fez uma delicada operação da próstata. Ele tinha 75 anos, e eu cinco. Por alguma razão, os rins começaram a vazar, e os médicos o mandaram morrer em casa. Ainda posso lembrar a ambulância negra, meu avô sendo carregado numa padiola escada acima e a chegada de parentes e amigos para vê-lo morrer. Porém Joseph Clark, esposo de Rachel, irmã de meu pai, e pastor da Assembléia de Deus em Hollywood, Califórnia, conclamou-nos todos à oração. Não lembro as palavras de sua oração, mas tenho lembrança da maneira poderosa como o Espírito Santo o usou. Na manhã seguinte, minha ti Birdie, irmã mais jovem de meu pai, subiu para trocar as bandagens. O ferimento estava curado, exceto uma área de meia polegada que em cinco dias também estava completamente limpa e cicatrizada. Meu avô retornou ao trabalho e viveu até os 87 anos (...) Em seguida, o Senhor fez-me lembrar de meu primo, Charles Fisher, que aos 14 anos contraiu pólio. Os médicos não identificaram a doença, e lhe receitaram algumas pílulas para o estômago. Quando a paralisia o atacou, os médicos disseram: _ Desculpe, não podemos ajuda-lo. Seus pais o levaram ao Ângelus, onde oraram por ele. E ele começou a andar, a jogar futebol, alistou-se para a Segunda Guerra Mundial na marinha e nunca mais apresentou qualquer sintoma de pólio. Depois disso, o Senhor chamou-me a atenção para o que havia acontecido ao meu irmão Donald, uma não e meio mais jovem do que eu. Ele foi curado do que poderia ter sido pólio, aos quatro anos de idade. Todavia, na época em que ele fazia o curso secundário, tornou-se amargurado contra meu pai e contra Deus. Ele ainda freqüentava a igreja e a escola dominical apenas para acompanhar a família. Na classe de escola dominical, exigiam que respondêssemos à chamada com uma citação bíblica. Era seu costume extrair dos Salmos palavras de julgamento divino sobre os inimigos, tais como: “Sejam órfãos os seus filhos” (Sl 109.9). Não estava querendo ser engraçado, era um reflexo de sua amargura. Ao passar em casa para as comemorações de Natal, constatei uma mudança radical. Acontecera um avivamento na igreja local, e ele foi convertido e cheio do Espírito Santo. A amargura desapareceu, e a alegria do Senhor encheu-lhe o coração. Um milagre tão grande quanto o das curas. Essas lembranças animaram o meu coração, e logo depois, cerca de uma hora da manhã do Ano Novo de 1936, recebi o batismo no Espírito Santo. O mesmo Espírito tornou Jesus bem real para mim. Pude sentir o seu toque e a sua presença com nunca antes em minha vida. Porém, com havia falado apenas algumas palavras em línguas e ainda não totalmente restabelecido da experiência anterior, comecei a perguntar-me se o que eu havia recebido era realmente o que buscava. Na noite seguinte, prostrei-me diante do altar em oração. ninguém acercou-se de mim para orar em meu favor, porque eu já era batizado. Aquilo poderia ter sido um equívoco. As pessoas batizadas precisavam ser encorajadas a prosseguir. Não obstante, eu disse ao Senhor; _ Se há libertação nisso, então eu o desejo. Imediatamente, abriu-se uma torneira. E as línguas jorraram. Por duas semanas, quase não me foi possível falar em inglês

Línguas Desconhecidas - muito mais do que um fenômeno meramente línguístico

Falar em Línguas - Uma tolice?
Por Merlin Carothers

O culto era bem diferente do que estava acostumado. Os crentes cantavam com uma alegria descontraída, batiam palmas e até mesmo levantavam os braços quando cantavam. Tanto Dick quanto eu sentíamo-nos desajustados, mas concordei que havia ali um certo gozo que nunca experimentáramos e o qual bem precisávamos conhecer. Uma senhora de aparência fina dirigiu-se a nós varias vezes e perguntou: “Já aconteceu alguma coisa?” “Não, senhora. O que quer dizer com isso?” Respondíamos. “Vocês verão; vocês verão”, dizia. Ruth e as outras pessoas que nos haviam convidado a ir ali sugeriram que fossemos falar com uma certa senhora que diziam possuir um poder incomum. Apresentaram-nos a ela e de imediato não gostei. Ela mencionava as Escrituras de uma maneira que parecia querer converter-me. Não gostava quando pessoas citavam a Bíblia daquele modo para mim e principalmente não gostava que uma mulher o fizesse. Nossos amigos, porém, insistiam que tivéssemos uma conversa com ela, e como eles tinha pago tudo para nós, sentir que devia dar-lhe esta satisfação. Sentamo-nos a ouvir pacientemente, e ela nos contou o que Deus havia feito em sua vida e na vida de outros. Mencionou várias vezes o “batismo no Espírito Santo” e nos mostrou na Bíblia que essa experiência tinha sido comum entre os crentes do primeiro século. “O Espírito Sant ainda realiza a mesma obra hoje”, disse. “Jesus Crista ainda batiza com o Espírito Santo aqueles que crêem nele, exatamente como o fez no dia de Pentecostes.” Senti uma ponta de vibração. Será que eu poderia experimentar o meu próprio pentecostes? Será que poderia ver as línguas de fogo, ouvir o vento impetuoso, e falar em outras línguas? Ela terminou de falar e ficou olhando para nós. “Eu gostaria de orar pelos senhores”, disse suavemente, “para que recebam o batismo com o Espírito Santo.” Sem hesitação eu disse sim. Ela colocou as mãos sobre a minha cabeça e começou a orar. Eu esperava que algo me atingisse. Nada aconteceu. Não senti nada. Ela colocou as mãos na cabeça de Dick. Quando acabou de orar olhei para ele e ele olhou para mim. Percebi também que ele não tinha sentido nada. O negócio era falso. A senhora olhou para nós com um leve sorriso. “Ainda não sentiram nada, já?” Balançamos a cabeça em negativa. “Não, senhora.” “Vou orar pelos senhores numa língua estranha também.” Novamente ela impôs as mãos sobre a minha cabeça. Não senti, não vi e nem ouvi nada. Quando acabou de orar, ela me perguntou se eu não ouvia ou sentia dentro de mim umas palavras que não compreendia. Pensei um pouco, e percebi que realmente havia em minha mente umas palavras que não significavam nada. Estava certo de eram apenas produto de minha imaginação e disse-o a ela. “Se o senhor as dissesse em voz alta, sentir-se-ia ridículo?” “Certamente que sim.” “Estaria disposto a ser ridículo por amor a Cristo?” Esta pergunta colocava a questão sob um prisma inteiramente diferente. Naturalmente eu faria qualquer coisa por Cristo, mas falar em voz alta uma tolice tal poderia ser a destruição do meu futuro. Eu imaginava aquelas pessoas saindo dali e contando a todo mundo que o capelão metodista tinha recebido o dom de línguas. Podia até ser que eu tivesse que deixar o exército! Mas, e se isto fosse exatamente o que Deus queria que eu fizesse? De repente, até minha carreira pareceu de pouca importância. Ainda hesitante, comecei a falar as palavras que estavam na minha mente mesmo assim não senti nada de diferente. Eu cria que Jesus Cristo havia me dado uma nova língua como sinal de que havia me batizado com o Espírito Santo; entretanto, os discípulos, no dia de pentecostes, haviam agido como bêbados. Certamente eles estavam tomados por um certo sentimento. Olhei para Dick. Ele fazia o mesmo que eu. Falava palavras numa língua estranha e parecia crer na validade da experiência e, no entanto, não mostrava nenhuma reação emocional. “A experiência baseia-se na fé em um fato, não em sentimento”, disse aquela senhora, aparentemente lendo a nossa mente. Fiquei pensativo – não me sentia diferente; mas estava diferente? Levantei os olhos; subitamente compreendi uma coisa: “Eu sei que Jesus Cristo está vivo!” disse. “Eu não apenas creio; eu SEI!” Mas, naturalmente! O Espírito Santo dá testemunho de Jesus Cristo, diz a Bíblia. Agora eu sabia que aquilo era verdade. Aqui estava a fonte da grande autoridade dos discípulos após o pentecostes. Eles não apenas se lembravam de um homem que tinha vivido, morrido e ressuscitado. Eles o conheciam no presente porque ele os tinha enchido com o seu Espírito Santo, cujo propósito essencial é testemunhar de Jesus Cristo. Como um raio, compreendi o horror de que eu havia sido culpado durante os últimos anos. Não somente eu, mas milhares de crentes, nos púlpitos e nos bancos, cometem o erro de diluir a mensagem da cruz, e tirar Cristo da posição central que deve ocupar. Ao mesmo tempo que via a enormidade de meu pecado, vi também a Jesus Cristo em todo o seu esplendor, como meu redentor. Vi-o como bem no fundo do meu coração eu sabia que ele era. Todas as dúvidas inquietantes que tivera recentemente foram varridas por uma onda de alegre certeza. Aquilo era glorioso demais! Nunca mais duvidaria que Jesus Cristo era quem afirmara ser. Nunca mais iria cometer a insensatez de pensar que ele era apenas um homem, um homem bom e um exemplo para nós seguirmos. Que verdade maravilhosa! Jesus Cristo vivendo em nós, seu poder operando através de nós. Ele é a videira; sua vida é a nossa própria vida. Sem ele nada somos; em nosso próprio poder não conseguiríamos realizar nada. “Obrigado, Senhor Jesus.” Levantei-me, e quando estava de pé, algo veio a mim. Fui subitamente cheio, até transbordar, de um sentimento de calo humano e amor para com todos aqueles que estavam naquele aposento. Dick também deve tê-lo recebido no mesmo momento. Vi lágrimas se formando em seus olhos e sem dizer palavra, adiantamo-nos e abraçamo-nos fortemente, chorando e rindo ao mesmo tempo. Olhei para a querida irmã com quem momentos antes tinha antipatizado e compreendi que a amava. Ela era minha irmã em Cristo. Descemos para almoçar e senti um amor transbordante por todos aquele que eu via. Nunca sentira aquilo antes. Naquela mesma noite, eu e Dick entramos numa das salas para orar. Algumas pessoas se uniram a nós e, em pouco, a sala estava cheia. Enquanto orávamos outros foram cheios do Espírito Santo. Por todo o hotel ressoaram gritos de alegria à medida que uns e outros experimentavam a plenitude da presença de Cristo. Às duas da madrugada eu e Dick tentamos ir dormir. Não adiantava tentar, estávamos por demais alegres. Eu disse: “Vamos levantar e orar mais.” Oramos mais duas horas, suplicando a Deus por todos os nossos conhecidos e depois louvamo-lo por sua bondade para conosco.”


Línguas como uma provisão divina

Línguas – uma provisão
 Por Jack Hayford

 “Eu ouvira todas as advertências: Não procure a experiência só para experimentar! Cuidado com os espíritos enganadores! Cuidado com a manipulação, emocionalismo, sugestões! Não deixe que o sensacionalismo sobre o sobrenatural empolgue a sua imaginação! Em vista da corrente interminável de dúvidas e palavras que induzem o medo – por mais sinceramente que sejam ditas -, existem inúmeros obstáculos para impedir qualquer cristã de buscar um momento livre, disponível, espiritualmente vulnerável, na presença de nosso precioso Salvador. Mas eu estava tanto ouvindo como desejando – tanto compreendendo como sentindo – a verdade que me era apresentada. Quando foi feito o convite para ir orar na frente, encaminhei-me para o lugar designado. A mensagem tinha sido clara: Receba pela fé. E foi exatamente o que fiz. Orei: “Senhor, peço que me enchas com o Espírito Santo. Quero receber o Teu poder e o Teu amor, a fim de poder realizar o que Tu queres que eu faça com a minha vida”. O que aconteceu foi tão repentino que me surpreendeu. No momento em que pronunciei essas palavras, uma frase me veio à mente. Era com se alguém tivesse sussurrado: “Eu Te louvo, Senhor!”, mas não era uma frase em inglês. Era quatro sílabas que nunca havia aprendido (e, mais tarde, quando refleti sobre elas, sabia que também não a ouvira antes). Posso ainda lembrar-me delas hoje, de fato, poderia escreve-las aqui, foneticamente, exceto que parecia inadequado fazer isso. Compreendo também agora que se eu tivesse simplesmente dito aquelas sílabas, um fluxo completo de linguagem teria sido liberado naquele momento uma questão de que tratei mais tarde. Mas, naquele dia, eu não disse nada, porque supunha que falar em línguas era mais um acesso lingüístico de algum tipo, em vez de um ponto voluntário de participação com o Espírito Santo dando o pronunciamento. Alguns minutos mais tarde saí da sala, não desapontado, porém insatisfeito. Fiquei feliz por chegar ao ponto de convidar claramente, sem reservas, o Espírito Santo para encher-me. Mas eu estava definitivamente certo de que algo ainda não se completara; uma linguagem parecia estar presente, mas ela permaneceu não-expressa. (...) Aquelas quatro sílabas continuavam em minha cabeça – elas nunca tinham desaparecido e nunca tinham sido faladas. Para alguns o fato pode parecer estranho, mas eu fora impedido de proferi-las por mais de três anos. Eu não só deixara de falar essas quatro sílabas, como também recebera outras. Eu talvez devesse hesitar mais ao contar esta parte do meu testemunho, porque sinceramente não quero que ninguém pense que eu acho que todos que falam em línguas tenham começado ou começaram da mesma maneira que eu. Descobri, porém, que o que eu experimentei foi confirmado suficientemente por outros para dizer que minha experiência não é incomum. Ofereço então este testemunho esperando que ele possa ajudar na sua compreensão, mas também supondo que saiba que ele não pretende ser um padrão controlador ou modelo perfeito. (...) Mas agora - agora o momento da decisão chegara. A decisão envolvia um fato que poucas vezes relatei: o número de sílabas tinha crescido! Hesito em contar isto porque inevitavelmente alguém passa a analisar ceticamente a minha experiência, sem compreender que eu já fizera isso todo o tempo. Eu sabia que não imaginara, ouvira ou trabalhara mentalmente para formar essas palavras. Minha própria reverência pelo que eu esperava de Deus proibia tais invenções humanas. Mesmo assim, esta ampliação para quase doze sílabas, que virtualmente formavam uma frase completa, havia ocorrido em três passos distintos, em duas ocasiões separadas uma da outra pelo espaço de um ano, e tinha sido acrescentada à ocasião original que descrevi. Duas coisas me levaram finalmente a pronunciar esta frase em oração: compreensão e fé. Aprendi que a experiência da linguagem espiritual envolve a decisão de falar, e isto me ajudou a pôr de lado a idéia de que uma influência divina sobre minha língua, um “truque sobrenatural”, ocorreria. (...) Expressões de emoção cheia de louvor, assim com oração ardente, tinham feito parte de inúmeras ocasiões anteriores, mas agora eu disse simplesmente: “Senhor, tenho hesitado em pronunciar estas palavras durante todo esse tempo, embora saiba e creia que foram concedidas pelo Teu Espírito Santo. Mas vou dize-las agora. Ao fazer isto, colocou-me sob o poder do Sangue da Tua Cruz, a fim de assegurar que nada que eu faça possa desagradar-Te ou levar-me ao auto-engano. Se eu falar estas palavras e nada mais ocorrer, deixarei o assunto em Tuas mãos pela fé. Mas se, como acredito que seja o caso, eu continuar falando em línguas além dessas poucas sílabas peço isto: que elas continuem como parte de minha vida diária e não cessem simplesmente com este único evento”. A seguir eu disse: “Em Nome de Jesus, digo estas palavras...” E comecei a falar em línguas. Falei aquelas sílabas... e continuem além delas. Prossegui num período extenso de oração no exercício de uma nova linguagem capacitada pelo Espírito Santo. (O interessante é que nunca mais proferi aquelas sílabas originais.) Ali, de joelhos diante de Deus, naquela noite de primavera, adorei com gratidão, tanto em inglês como numa linguagem (ou linguagens) que nunca aprendera.”



Línguas na rua Azuza

Fogo na Rua Azuza


FRANK BARTLEMAN foi um evangelista Holiness que recebeu notícias do avivamento no País de Gales, ocorrido em 1904, passando a dedicar a sua vida a orar e publicar livros e folhetos conclamando outros a orar e buscar um avivamento para a cidade de Los Angeles, Califórnia (AZUZA - a história do avivamento). “No dia 16 de agosto (1906), à tarde, o Espírito se manifestou através de mim, por meio das línguas estranhas. Estávamos em sete, naquela ocasião. Era um dia de semana. Após alguns testemunhos e louvor, tudo ficou quieto, e eu andava silenciosamente de um lado para o outro, louvando ao Senhor no meu espírito. De repente, pensei ouvir a minha alma (não com meus ouvidos naturais) e uma voz forte falando em uma língua que eu não conhecia. Mais tarde, ouvi sobre uma experiência semelhante na Índia. Parecia arrebatar-me e satisfazer totalmente toda a tendência ao louvor que estava presa dentro de mim. Em poucos instantes, encontrei-me com algo que independia de minha vontade própria, enunciando com minhas cordas vocais os mesmos sons que antes ouvira dentro de mim. Era a continuação exata do que eu ouvira em minha alma há alguns minutos. Parecia uma língua perfeita, e sentia-me como um espectador. Entreguei-me inteiramente a Deus e fui com simplicidade carregado por Sua vontade, como por um riacho divino. Eu poderia ter me calado se quisesse, mas não o faria por nada neste mundo. Uma sensação de consciência celestial se seguiu. É impossível descrever a experiência com precisão. Deve ser experimentada para ser apreciada. Não houve esforço de minha parte para falar, e nem a menor luta contra este fluir espontâneo. A experiência era sagrada: o Espírito Santo tocava nas minhas cordas vocais como uma harpa sendo tangida pelo vento. Tudo o que foi dito foi completa surpresa par mim, pois nunca me esforçara para falar em línguas. Pelo contrario, porque eu não podia compreende-las com minha mente natural, tinha até medo da experiência.”

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Raízes Pentecostais

Avivalistas da segunda bênção


A forma como os tradicionais A. B. Simpson, D. L. Moody e R. A. Torrey influenciaram positivamente o pentecostalismo.




A expressão “Segunda Bênção” é por demais conhecida no vocabulário pentecostal. De fato, ela foi tomada como sinonímia para batismo no Espírito Santo. Mas um dado de relevância histórica, que deve ser observado, é que esta expressão já havia sido cunhada antes mesmo do advento do pentecostalismo. É justamente nesse contexto, que aparecem as figuras daqueles que seriam conhecidos como os “avivalistas da Segunda Bênção” – Moody, Simpson e Torrey.

Para entendermos a importância desses três ícones do protestantismo histórico para o pentecostalismo primitivo, faz-se necessário recuarmos no tempo e buscarmos os fundamentos doutrinários lançados por eles, os quais serviram de sustentação ao Movimento Pentecostal na sua fase embrionária.

Na edição 2004, o Almanaque Abril destaca que “por causa de sua grande ascensão, em todo o mundo, no século 20, o fenômeno (pentecostalismo) já é considerado por alguns a maior revolução do cristianismo depois de Lutero. Com um século de notória existência, o pentecostalismo firmou-se como um movimento com legitimidade dentro do cristianismo histórico. A odisséia desse extraordinário movimento do Espírito encontra-se fortemente documentada nas páginas da Bíblia e da História da Igreja”.

1. Uma cristã de nome “Agnes Ozman assegurou um lugar na história pentecostal quando se tornou a primeira pessoa a falar em línguas na escola de Charles Parham, em Topeka, Kansas”, diz E. L. Blumhofer num verbete bibliográfico sobre essa pioneira do pentecostalismo norte-americano. Blumhofer ainda sublinha que “Após a experiência de línguas de Ozman em 1901, ela retornou para um trabalho missionário na cidade. Em Lincoln, em 1906, ela ouviu acerca do pentecostalismo, relatou sua experiência primitiva, e identificou-a com o movimento emergente”.

2. Os pentecostais destacam, em sua história, que os nomes da Escola Bíblica Betel, em Topeka e da Rua Azusa, em Los Angeles, no Estado da Califórnia (EUA) são tidos como os endereços onde se registram o advento do pentecostalismo moderno, no início do século 20. No entanto, esses mesmos historiadores têm enfatizado que as raízes desse movimento encontram-se solidamente fixadas no protestantismo histórico, herdeiro da grande Reforma Protestante.

UM TIÇÃO TIRADO DO FOGO

Um dos maiores movimentos de reavivamento da igreja protestante foi aquele promovido pelos irmãos Wesley, na Inglaterra do século 18. É interessante entendermos o reavivamento Wesleyano para que possamos ter uma melhor compreensão do pentecostalismo, pois, como observa o historiador Luis de Castro Campos Jr., o pentecostalismo teve origem nas doutrinas de John Wesley.

3. John Wesley, fundador da Igreja Metodista, nasceu na Inglaterra em 1703 e morreu em 1791. A partir da dramática experiência de sua conversão no dia 24 de maio de 1738 (ao ler o prefácio de um comentário de Lutero sobre a Epístola aos Romanos), Wesley teve sua vida e ministério transformados. Ele observou que a Igreja Anglicana, da qual fazia parte, caíra num ritualismo morto, devido ao seu forte sistema hierárquico e centralizado, que a distanciou das massas.
Wesley renunciou ao clericalismo anglicano, permitindo “a participação de pregadores leigos, entre os quais Nelson, um pedreiro”.
 4. Para Wesley apenas ritos não produziam transformação nem santificação na vida das pessoas. Ele “não tinha paciência com coisas secundárias, como mediação sacerdotal e os mágicos efeitos dos sacramentos. Antes, exortava os homens a terem experiência pessoal com Jesus Cristo”.

O MOVIMENTO HOLINESS

5. Por ocasião de sua viagem missionária aos estados Unidos da América, Wesley teve contatos com cristãos piedosos que o despertaram para os efeitos espirituais de uma vida mais profunda. A doutrina bíblica da santificação do crente, esquecida ou não enfatizada pela igreja de seus dias, encontrou em Wesley um ardoroso defensor.
A santificação do crente como um outro estágio da vida espiritual e posterior à conversão, enfatizada por Wesley, foi a grande bandeira levantada por avivalistas do século 19. A esse respeito observa Luís Castro Campos Jr.: “A preocupação com a ‘santificação’ foi passando de movimento a movimento, avançando no tempo, e chegando aos grupos pentecostais, originando sua doutrina básica: o batismo do Espírito Santo”.

6. Essa busca por uma vida mais pura, uma herança do metodismo wesleyano, foi difundida pelos avivalistas da santidade, também denominados de holiness. “Pouco depois da Guerra Civil norte americana, na segunda metade do século 19″, observa Joe Terry, foi, formado um movimento chamado Movimento Nacional da Santidade, o qual incorporava acampamentos e reavivamentos freqüentes, que faziam constantes as atividades desses grupos. 7 Ainda sobre o movimento holiness, o pastor Joe Terry destaca ainda que “em torno de 1880 os membros pobres queixaram-se de que a religião do coração, como era conhecido o metodismo, estava desaparecendo. Grupos surgiram nas Igrejas Metodistas e ‘Metodistas Episcopais’, chamados holiness, que queriam uma volta aos princípios de Wesley.

A doutrina da perfeição, acentuada por ele tinha pouco efeito, segundo eles, na maioria da Igrejas Metodistas”.
8. A pregação holinnes tornou a por em destaque a necessidade de o crente possuir uma vida mais profunda com Deus. Nesse novo contexto doutrinário, uma vida mais santa surgia com força como uma segunda bênção ou segunda obra da graça, enquanto a justificação aparecia com a primeira.

O Movimento da Santidade preparou o protestantismo norte-americano para o advento do pentecostalismo. Historiadores pentecostais sublinham que o pentecostalismo surgiu do Movimento da Santidade do século 19. A formulação do Evangelho integral, o zelo pela evangelização do mundo nos últimos dias e a oração intensiva pelo derramamento do Espírito Santo precipitaram os reavivamentos em Topeka, Los Angeles e os muitos que surgiram”.
 9
O pentecostalismo, portanto, não surgiu do nada, mas há todo um contexto histórico-teológico no qual a pregação dos avivalistas da segunda bênção ocupou um papel central. É dentro desse contexto que as figuras dos três mais importantes avivalistas da segunda bênção são peças-chave para se entender o pentecostalismo. A propósito Paulo Romeiro observa que “a ênfase na perfeição cristã ou na inteira santificação, ensinadas por Wesley, mais tarde receberiam outros nomes: “Segunda Bênção” e “Revestimento de Poder”, por exemplo.
 10
O termo batismo no Espírito Santo passaria a ser usado por alguns grupos posteriormente. Outros líderes e denominações na América do Norte seriam influenciados pelos mesmos ensinos e se encarregariam de disseminá-los. Entre estes destacaram-se Charles G. Finney, Dwight L. Moody, A. B. Simpson, Andrew Murray e R. A. Torrey”.

A. B. SIMPSON

Albert Benjamim Simpson (1843-19191) foi classificado como proto-pentecostal devido à afinidade que sua doutrina teve com o movimento emergente da Rua Azusa. De acordo com a obra The New international Dictionary of pentecostal and Charismatic Moviments, Simpson foi o fundador da Aliança Bíblica Missionária e pastor presbiteriano que apascentou diversas igrejas. Em 1881, ele deixou o pastorado da igreja da cidade de Nova Iorque para dirigir um trabalho independente, onde Simpson tinha pretensão de alcançar as massas sem igreja.

O trabalho de Simpson seria amplamente conhecido por meio do termo “Evangelho Quadrangular”, no qual Cristo é visto como Salvador, Santificador, Médico e Rei. Cada um desses termos são explicados com detalhes em sua obra As Quatro Dimensões do Evangelho.
 11
Os historiadores observam que ele foi identificado tanto como pregador, avivalista e um profeta da santidade, que proclamava a necessidade de se viver uma vida mais profunda. Todavia a obra de Simpson não pode ser vista apenas por esse ângulo. Ele também foi um grande fomentador das missões mundiais, escatólogo e teólogo. É um fato que a Teologia Pentecostal bebeu muito da fonte de Simpson.

C. Nienkirchen observa que a continuidade ideológica entre as doutrinas de Simpson e aquelas esposadas pelos pentecostais podem ser estabelecidas em vários pontos:

1. Sua interpretação restauracionista da evolução da história da Igreja, desde a Reforma Protestante, salienta a convicção de que a presente Era se conclui com os dias das “últimas chuvas”. Por isso necessitaria ser acompanhada por manifestações sobrenaturais do Espírito Santo, tais como línguas, milagres e profecias remanescentes da “chuva primitiva” no pentecostes (Atos 2). Nienkirchen ainda observa que Simpson exortou os crentes a orar por aquelas evidências especiais do poder divino típicas dos avivamentos passados. 

2. Simpson se opôs à noção dispensacional de que os dons do Espírito Santo tinham cessado com o fim da era apostólica. Com base em João 2 e 1Coríntios 12, ele entendeu que os dons espirituais teriam continuidade até à Segunda Vinda de Cristo. Nienkirchen ressalta que ao tomar conhecimento dos fenômenos desencadeados na rua Azusa, em 1906, ele reconheceu o valor das línguas na Igreja como “uma expressão de elevado sentimento espiritual e intenso mover do coração”. Mas ele estava consciente do lugar que as línguas ocuparam na Teologia paulina. Para Simpson, Paulo havia colocado esse dom em último lugar por causa dos abusos no seu exercício.

Para o fundados da Aliança Bíblica Missionária, as línguas poderiam ser conhecidas ou desconhecidas, mas não possuíam um papel evangelístico para os novos pagãos, como criam muitos pentecostais. A sua posição com respeito ao fenômeno da glossolalia, conforme ele mesmo escreveu, era: “Este dom é um entre muitos, e é dado a alguns para benefício de todos.
Assim a atitude para com o dom de línguas a ser adotada pelo pastor e pela congregação deve ser: “não busquem, não proíbam”.
3. Como os pentecostais que o seguiram, Simpson estava preparado para usar o padrão da vida espiritual retratada em Atos dos Apóstolos como norma de existencial pela qual a fraqueza da igreja do seu tempo deveria ser medida. Com sua abertura para uma teologia onde o sobrenatural tinha seu lugar, ele queria com isso se precaver do formalismo que havia tomado conta das igrejas. 

A doutrina pentecostal fundamentada fortemente nas narrativas de Atos já havia sido prenunciada por Simpson. Os discípulos em Samaria (Atos 19) davam a ele a sustentação de sua doutrina dos dois passos para o início da vida cristã – a regeneração e o enchimento do Espírito Santo.

Posteriormente ele escreveria: “Nascidos no Espírito, nós também devemos ser batizados com o Espírito Santo, e logo viver a vida de Cristo e repetir a sua obra. Deve ser destacado aqui que embora os pentecostais tenham bebido muito da Teologia de Simpson, ele mesmo rejeitava a doutrina pentecostal da evidência inicial. Todavia “o corpo doutrinário de Simpson testemunha uniformemente para a sua concepção do batismo no Espírito como ocorrendo subseqüentemente à regeneração. Iniciado pela leitura de A vida Cristã profunda (1858) de W. E. Bordman, Simpson recebeu o batismo no Espírito Santo em 1874, durante seu segundo pastoreio em Louisville, Kentuchy (EUA).
 14
Na teologia de Simpson, observa-se que ele se referia à doutrina da Segunda Bênção de uma forma variada. Era uma “Segunda Bênção”, mas também foi uma “Crise de Santificação”, ou “A unção”, “Selo”, “Enchimento do Espírito” ou ainda “Cristo no Interior”.
Por último, deve ser destacado que apesar da grande influência que a Teologia de Simpson incidiu ao pentecostalismo, o próprio Simpson fez pesadas críticas ao Movimento Pentecostal. Em um documento enviado à CMA, em 1908, ele acusou a doutrina pentecostal da evidência inicial de focalizar as manifestações espirituais em detrimento de uma vida devocional mais profunda com Deus e reduzir o zelo evangelístico da igreja.

D. L. MOODY

Dwight L. Moody (1837-1899) foi, sem dúvida alguma, o maior evangelista do século 19. No livro Os 100 Acontecimentos Mais Importantes da História do Cristianismo, Moody ocupa um lugar de destaque. 15 Moody foi um evangelista que não teve educação formal. Ele só freqüentou a escola de uma forma regular por um período de uns quatro a cinco anos. Mas a sua determinação em conquistar seus objetivos fez com que ele superasse sua carência. De família pobre, teve que se dedicar ao trabalho muito cedo. Esse fato seria agravado com a morte de seu pai. Ainda adolescente, ele deixou o convívio familiar para se aventurar na vida.

Não tendo muita qualificação Moody não conseguiu o emprego que desejava, tendo que ir trabalhar com um tio em comércio de sapatos. Embora tenha sido catequizado ainda muito cedo por sua mãe, ele logo esqueceria daquelas preciosas lições dadas por sua genitora. O encontro dele com o Evangelho de uma forma mais consistente aconteceu quando passou a freqüentar uma igreja e a ser visitado por um professor da Escola Dominical. Foi esse professor que viria causar um impacto profundo na vida de Moody. De fato ele testemunhou: “quando eu estava em Boston, costumava freqüentar a Escola Dominical e, certo dia, lembro-me de que meu professor foi até a loja onde eu trabalhava, colocou o braço sobre meus ombros e falou-me de Cristo e da minha alma. Até então, eu não sabia que tinha alma, por isso disse a mim mesmo: É muito estranho. Aqui está um homem que me conhece a tão pouco e chora pelos meus pecados, e eu nunca derramei uma lágrima por ele (…) Pouco tempo depois desse fato passei a fazer parte do Reino de Deus”.
 16
Em 1873, Moody em companhia de Ira David Sankey, famoso cantor evangélico, rumara para as ilhas Britânicas onde promoveram poderosas cruzadas evangelísticas. A notícia do enorme sucesso obtido por Moody na terra da rainha logo chegou aos Estados Unidos.

Harold H. Fischer destaca que “após a sua volta, eram assediados por todos os lados por pedidos para realizações de trabalhos. Fez uma campanha no Brooklim na qual a assistência atingiu mais de 5 mil pessoas, e dentro de pouco tempo depois 2 mil pessoas estavam convertidas. A grande e antiga estação ferroviária Pensilvânia, na Filadélfia, foi preparada com assentos para 10 mil pessoas, e apesar do tempo chuvoso, o salão ficou quase lotado na primeira noite. A assistência foi boa, os cultos eram úteis e número de convertidos foi avaliado em 4 mil.
 17
Todo esse enorme êxito que Moody obteve em seu trabalho evangelístico é atribuído à sua estreita comunhão com o Espírito Santo. R. A. Torrey, amigo e companheiro por muitos anos, testemunharia mais tarde que: “Muitos perguntaram: Qual é o segredo do sucesso desse homem? É uma curiosidade muito natural. Ele tinha poder. Mas onde ele conseguiu essa estranho poder para conquistar a afeição e a decisão dos homens? Ele soube e nós também podemos saber. Era a unção do Espírito Santo”.
 18
Para Moody a experiência com o Espírito Santo era um fato bem definido. Ele também fazia parte da escola dos avivalistas da Segunda Bênção. Steve Miller observa que às vezes nem sempre a doutrina pneumatológica de Moody é entendida, o que tem levado alguns erroneamente a pensarem que ele defendia uma segunda experiência de conversão. As próprias palavras de Moody, no entanto, lançam luz sobre a sua doutrina acerca da Terceira Pessoa da Trindade. “Há uma diferença”. Disse, “entre ser morada do Espírito Santo e deixar-se encher de poder por Ele. O verdadeiro filho de Deus, lavado pelo sangue de Cristo, é o templo ou morada do Espírito Santo. No entanto, o indivíduo pode não ter a plenitude desse poder”.
Moody testemunha que foi em 1871, quando se encontrava na cidade de Nova Iorque, que ele pediu e recebeu a Segunda Bênção: “O tempo todo eu clamava para que Deus me enchesse com o seu Espírito. Então, certo dia, na cidade de Nova Iorque (…) Ah! Que dia! Sou incapaz de descrevê-lo. Raramente falo sobre ele; foi uma experiência sagrada demais para ser mencionada (…). Posso apenas dizer que Deus se revelou a mim e experimentei de tal forma o seu amor e precisei rogar-lhe que retirasse de mim a sua mão. Fui pregar outra vez. Os sermões não foram diferentes; eu não apresentei nenhuma verdade inédita, mas, ainda assim, centenas converteram-se. Não quero voltar a viver como eu viva antes daquela experiência abençoada, nem que me oferecessem o mundo inteiro – ela seria como um grão de areia no oceano (…) há dois períodos bem distintos em minha vida. O primeiro, entre os meses de vida e os 18 e 19 anos, quando nasci do Espírito (…) A maior bênção depois do segundo nascimento aconteceu 16 anos depois, quando recebi a plenitude do Espírito”.
Não há registro que nos permita assegurar que o sinal que o grande evangelista tenha recebido como prova do recebimento da segunda bênção tenha sido o falar em línguas, mas há registros confiáveis que nos asseguram que o dom pentecostal era conhecido por meio de sua pregação.

R. Boyd, um pastor batista e amigo de D. L. Moody, escreveu em 1875 em seu livro Provas e Triunfos da fé. “Quando cheguei ao Vitória Hall Londres, encontrei a assembléia ardendo em línguas e profetizando. Qual seria a explicação de tão estranho acontecimento? Somente que Moody os estava dirigindo naquela tarde”. 21 Este fato permitiu John White afirmar que “num certo sentido Moody poderia ser classificado como um pregador pré-pentecostal, embora as línguas não possam ser ditas como algo que caracterizou os seus cultos de avivamento. Esse evento, entretanto, indica que a glossolalia às vezes acompanhava a sua pregação”.
 22
R. A. TORREY

Reuben A. Torrey foi um fiel colaborador de D. L. Moody, trabalhando ao seu lado até a sua morte. Harold H. Fischer observa que Moody nomeou Torrey em 1890 como diretor de seu Instituto de Instrução Bíblica, posteriormente denominado de Instituto Bíblico Moody, na cidade de Chicago. Fischer lembra que Torrey encorajava constantemente o espírito avivalista na congregação. Sendo um homem que cria fervorosamente na oração, ele insistia com o povo a que se entregasse a ela e suplicasse que Deus enviasse o seu Espírito para avivar a sua obra no mundo. Logo, ele se tornaria conhecido como poderoso pregador do Evangelho. Há registros de que Torrey tenha promovido uma reunião de oração por um período de um ano no Instituto Bíblico com o propósito de clamar pelo avivamento.

Torrey foi um poderoso teólogo. As suas obras teriam uma grande influência na formação doutrinária do pentecostalismo clássico. Ele está inserido no contexto dos pregadores restauracionistas. William W. Menzies destaca que “D. L. Moody, R. A. Torrey, A. B. Simpson e uma platéia de outros grandes líderes de reuniões públicas, quase sempre de diversas linhas denominacionais, chamavam as pessoas ao arrependimento e ao Evangelho à moda antiga“. 23 Apesar dele ter deixado um grande legado para a Doutrina Pentecostal, Torrey fez duras críticas ao movimento emergente. Em um de seus textos, ele chegou a acusar o pentecostalismo de “ter sido fundado por um sodomita”. 24 Mas a sua crença no batismo no Espírito Santo, como sendo uma experiência subseqüente ao processo de regeneração serviria como fundamento teológico para os primeiros pentecostais.
A sua obra O Batismo no Espírito Santo, escrita em 1895, tornou-se suporte para a crença pentecostal na doutrina que colocava o batismo no Espírito Santo como uma experiência distinta da regeneração, uma Segunda Bênção. De fato, L. Lovett observa que este livro “encontrou caminho nos corações de muitos líderes holiness, que posteriormente tornou-se proeminente no desenvolvimento do Movimento Pentecostal.

Nesse livro, Torrey faz uma poderosa apologia sobre a doutrina do batismo no Espírito Santo como sendo uma segunda bênção distinta da salvação.

Na página 5 ele afirma: “O batismo no Espírito Santo é uma operação do Espírito Santo, separada e distinta de sua obra regeneradora”. 26 Em seguida, ele justifica a sua crença: “Ser regenerado pelo Espírito Santo é uma coisa, e ser batizado é algo totalmente diferente. É uma outra coisa. Isso está claro em Atos 1.5, onde Jesus disse: “Sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias”. Até então, ainda não haviam sido “batizados com o Espírito Santo”. Mas já eram homens regenerados. O próprio Senhor Jesus já havia afirmado isso.

Em João 15.3, ele dissera aos mesmos homens: “Vós já estais limpos, pela palavra que vos tenho falado” (comparar isso com Tiago 1.18 e 1Pedro 1.23). E em João 13.10: “Ora, vós estais limpos, mas nem todos”, deixando fora, com a expressão “mas nem todos”, o único homem não-regenerado do grupo apostólico que era Judas Iscariotes (ver João 13.11). Assim sendo, os apóstolos, com exceção de Judas Iscariotes, eram homens regenerados, sem serem ainda “batizados com o Espírito Santo”.
Pelo exposto, torna-se claro que a regeneração é uma coisa e que o batismo com o Espírito Santo é diferente. Uma pessoa pode ser regenerada, e ainda não ter sido batizada com o Espírito Santo. A mesma coisa é evidente em Atos 8.12-16. Encontramos aqui um grupo de crentes já batizados. Não há dúvida de que, naquele grupo de crentes batizados, havia alguns regenerados. Mas o registro informa que quando Pedro e João desceram “oraram por eles para que recebessem o Espírito Santo (porquanto não havia descido sobre nenhum deles)”.

É claro, portanto, que alguém pode ser crente, pode ser homem regenerado, e contudo não ter ainda o batismo no Espírito Santo. Em outras palavras, o batismo com Espírito Santo é algo distinto, e mais do que sua obra regeneradora. Nem todo crente regenerado tem o batismo com o Espírito Santo, embora, segundo veremos adiante, todo homem regenerado pode receber esse batismo. Quem já passou pela obra regeneradora do Espírito Santo, é salvo, todavia, não está preparado para o serviço do Senhor enquanto não tiver recebido o batismo no Espírito Santo”.
 27
Esta é a grande contribuição dos avivalistas da Segunda Bênção para o movimento pentecostal. Gary B. McGee observa que a “crença numa Segunda obra da graça não ficou confinada ao círculo metodista”. (…) Embora a Teologia da Reforma haja identificado o batismo no Espírito com a conversão, alguns avivalistas, dentro dessa tradição, aceitavam o conceito de uma Segunda obra da graça para revestir os cristãos com poder do alto. Entre eles, se encontravam Dwight L. Moody e R. A. Torrey. Apesar desse revestimento de poder, acreditavam que a santificação mantinha-se em sua obra progressiva. Outro personagem chave, um ex-presbiteriano, A. B. Simpson, fundador da Aliança Cristã Missionária, cuja forma de pensar teve grande impacto na formação doutrinária da Assembléia de Deus, enfatizava nitidamente o batismo no Espírito Santo.
28
O pentecostalismo apareceu na “plenitude dos tempos” e estes três “gigantes”, representantes do protestantismo histórico, foram usados por Deus para darem a devida sustentação doutrinária.

Por, José Gonçalves – Ministro do Evangelho, articulista, escritor.


BIBLIOGRAFIA
1Almanaque Abril, Editora Abril, 2004, Sessão Religiões.

2 BURGESS, Stanley M. The New International Dictionary of Pentecostal and Charismatic Movements. Zondervan, Grand Rapids, Michigan, USA, 2002.

3 CAMPOS Jr., Luiz de Castro. Pentecostalismo Sentidos da Palavra divina. Ed. Ática, São Paulo.
4 CAMPOS Jr., Luiz de Castro. O pentecostalismo. Op. Cit. p.13.


5 CHAMPLIN, Norman R. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. Ed. Candeia.
6 CAMPOS Jr., Luiz de Castro. O pentecostalismo. Op. Cit. P.16.


7 CHAMPLIN, Norman R. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. Ed. Candeia.

8 TARRY, Joe E. Avivamento: o propósito eterno de Deus - dá vitória à confusão ecumênica.

9 MCGEE, Gary B. In: Teologia Sistemática, uma perspectiva Pentecostal. CPAD, Rio de Janeiro, 1996.

10 ROMEIRO, Paulo. Decepcionados com a graça. Mundo Cristão, São Paulo.

11 SIMPSON, A. B. As quatro dimensões do Evangelho. Editora Betânia, Venda Nova, Minas Gerais.

12 OSBORNE, G. O. In: Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã. Editora Betânia, Venda Nova, Minas Gerais.

13 OLIVEIRA, Raimundo. A doutrina Pentecostal hoje. CPAD, Rio de Janeiro.

14 The New International Dictionary of Pentecostal Movements.
Zondervan, Grand Rapid, Michigan, EUA.

15 KURTIS, A. Kenneth. Os 100 fatos mais importantes da História do Cristianismo. Editora Vida, São Paulo.

16 MILLER, Steve. Liderança espiritual segundo Moody. Editora Vida, São Paulo, SP.

17 FISCHER, Harold A. Avivamentos que avivam. Trad. O. S. Boyer, Pindamonhangaba, SP.

18 MILLER, Steve. Liderança espiritual segundo Moody. Editora Vida, São Paulo, SP.



19 Ibdem.

20 MILLER, Steve. Op. Cit. pág. 72-73.

21 OLIVEIRA, Raimundo. A doutrina Pentecostal hoje. CPAD, Rio de Janeiro. Op. Cit.


22 WHITE, John. Quando o Espírito vem com poder. Op. Cit.

23 MENZIES, William W., Robert P. No poder do Espírito, fundamentos da experiência Pentecostal. Ed. Vida, São Paulo, SP.


24 WHITE, John. Quando Espírito vem com poder. Op. Cit.

25 LOVETT, L. The New International Dictionary of Pentecostal and Charismatic Movements.
Zondervan, Grand Rapids, Michigan, USA.

26 TORREY, R. A. O batismo no Espírito Santo. Editora Betânia, Belo Horizonte, Minas Gerais.

7 Ibdem.



8 McGEE, Gary In: Teologia Sistemática, uma perspectiva pentecostal. CPAD, Rio de Janeiro.