Bem-vindo ao meu blog

Desejo que todos sejam ricamente edificados quando por aqui passarem.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Conquistando a sua Fortaleza


Por que muitos crentes estão perdendo a batalha?


Texto extraído do meu próximo lançamento: FORTALEZAS NÃO CONQUISTADAS



Davi conquista a fortaleza de Sião!
“1 Então, todas as tribos de Israel vieram a Davi, a Hebrom, e falaram, dizendo: Somos do mesmo povo de que tu és. 2 Outrora, sendo Saul ainda rei sobre nós, eras tu que fazias entradas e saídas militares com Israel; também o Senhor te disse: Tu apascentarás o meu povo de Israel e serás chefe sobre Israel. 3 Assim, pois, todos os anciãos de Israel vieram ter com o rei, em Hebrom; e o rei Davi fez com eles aliança em Hebrom, perante o Senhor. Ungiram Davi rei sobre Israel. 4 Da idade de trinta anos era Davi quando começou a reinar; e reinou quarenta anos. 5 Em Hebrom, reinou sobre Judá sete anos e seis meses; em Jerusalém, reinou trinta e três anos sobre todo o Israel e Judá. 6 Partiu o rei com os seus homens para Jerusalém, contra os jebuseus que habitavam naquela terra e que disseram a Davi: Não entrarás aqui, porque os cegos e os coxos te repelirão, como quem diz: Davi não entrará neste lugar. 7 Porém Davi tomou a fortaleza de Sião; esta é a Cidade de Davi. 8 Davi, naquele dia, mandou dizer: Todo o que está disposto a ferir os jebuseus suba pelo canal subterrâneo e fira os cegos e os coxos, a quem a alma de Davi aborrece. (Por isso, se diz: Nem cego nem coxo entrará na casa.) 9 Assim, habitou Davi na fortaleza e lhe chamou a Cidade de Davi; foi edificando em redor, desde Milo e para dentro. 10 Ia Davi crescendo em poder cada vez mais, porque o Senhor, Deus dos Exércitos, era com ele. 11 Hirão, rei de Tiro, enviou mensageiros a Davi, e madeira de cedro, e carpinteiros, e pedreiros, que edificaram uma casa a Davi. 12 Reconheceu Davi que o Senhor o confirmara rei sobre Israel e que exaltara o seu reino por amor do seu povo” (2 Samuel 5.1-12).

Nenhuma vitória é completa quando há ainda alguma fortaleza para se conquistar. Davi sabia disso. Ele já havia sido ungido rei sobre todo o Israel, mas a fortaleza de Sião estava bem na sua frente como um obstáculo a ser vencido. O homem que já havia sido exilado por dez anos no deserto e que esperara por cerca de vinte anos para reinar sobre toda a nação israelita tinha á sua frente uma fortaleza não conquistada. Conquistar Sião, portanto, era uma questão decisiva para Davi. As razões para essa conquista podem ser de natureza política, administrativa, militar e principalmente espiritual. Wiersbe observa que “Abner e Isbosete haviam estabelecido sua capital em Maanaim (2 Sm 2.8), do outro lado do rio Jordão, na fronteira entre Gade e Manassés, enquanto a capital escolhida por Davi havia sido Hebrom, na tribo de Judá. Porém, nenhuma dessas cidades era adequada para o novo rei, que procurava reunir a nação e começar de novo. Davi demonstrou sabedoria ao escolher como sua capital a cidade de Jerusalém, pertencente aos jebuseus e localizada na fronteira entre Benjamim (a tribo de Saul) e Judá (a tribo de Davi). Jerusalém não havia pertencido a nenhuma  das tribos, de modo que ninguém poderia acusar Davi de favoritismo na instituição de sua nova capital”. [1]
Ainda de acordo com Wiersbe, “as considerações políticas eram importantes, mas também em termos de segurança e de topografia, Jerusalém era a cidade ideal para uma capital. Construída sobre um monte rochoso e cercada de três lados por vales e montes, a única parte vulnerável da cidade era sua face Norte. Ao sul ficava o vale de Hinon, a leste, o vale do Cedrom e a oeste, o vale Tiropeom.”Seu santo monte, belo sobranceiro, é a alegria de toda a terra; o monte  Sião , para os lados do Norte, a cidade do grande Rei” (Sl 48.2). “Desde Sião, excelência de formosura, resplandece Deus” (Sl 50.2).  O povo de Israel sempre amou a cidade de Jerusalém, e, hoje em dia, ela é reverenciada por judeus, cristãos e muçulmanos. Por certo, nascer em Jerusalém era uma grande honra (Sl 87.4-6).
O Senhor deve ter guiado Davi de modo especial na escolha de Jerusalém para ser a sua capital, pois a cidade exercia papel estratégico no desdobramento do seu grande plano de salvação. Deus havia prometido aos israelitas indicar um lugar para onde poderiam se dirigir a fim de adorar ao Senhor (Dt 12.1-7), e é bem provável que tenha revelado a Davi que este lugar era Jerusalém. Posteriormente, Davi adquiriu em Sião a propriedade onde o templo seria construído por seu filho, Salomão (2 Sm 24)”.[2]
Não sou adepto dessas teorias mirabolantes sobre batalha espiritual que uma boa parte da literatura evangélica divulga. Todavia não nego que o cristão está envolvido numa batalha espiritual. Rejeito sim o grande enfoque que se dá a Satanás e aos seus demônios nesses manuais de batalha espiritual e libertação. O crente passa a ser quase uma vítima indefesa diante do superpoder que deram aos seres caídos! Isso não é bíblico. Fomos assentados com Cristo nos lugares celestiais acima de todo principado, poder, domínio ou qualquer nome que se possa referir não só  presente século como no vindouro (Ef. 1.20; 2.6). Essa é a verdade bíblica. Em Cristo fomos abençoados com toda sorte de bênçãos espirituais nos lugares celestiais (Ef 1.3). Temos poder sobre todo principado e potestade nos lugares celestiais (cl 2.15).
Tudo isso que acabei de dizer é fato, devemos ter o maior cuidado com as fortalezas não conquistadas. Não se trata de maldição herdada, mas de crenças, vícios e hábitos errados que foram se formando ao longo de nossa jornada. Essas práticas erradas ou pecaminosas se tornam “cabeça de ponte” onde Satanás encontra apoio para nos atingir (Ef 4.27). Só há uma forma de nos livrarmos dela – conquistando-as! Davi não poderia ser o homem que foi com uma fortaleza pagã instalada bem no meio do seu reinado. Era, portanto, necessário conquistá-la.
Vejamos como ele fez isso e como esses princípios extraídos dessa batalham podem nos ensinar ainda hoje.  
Em primeiro lugar, Davi possuía a atitude de um vencedor – “Partiu o rei...”(v.6).
Davi era um guerreiro experiente e bem treinado: “Ele adestrou as minhas mãos para o combate, de sorte que os meus braços vergaram um arco de bronze” (Sl 18.34). Davi possuía habilidade, mas isso não era tudo. Ele precisava ser um homem com atitude e ele o era. A palavra hebraica Yalak usada nesse texto significa: ir, andar, vir e também mover-se. Não adianta ficar parado, sem fazer nada quando a nossa frente há uma fortaleza para se conquistar. É preciso partir! Faça alguma coisa. Se é preciso orar, ore; se é necessário jejuar, jejue; se é necessário fugir, fuja, mas tome uma atitude.  Lembro que em uma batalha que enfrentei me abstive de 56 refeições durante um período de quatro semanas. Isso aconteceu outras vezes e em todas elas o Senhor me deu vitória. Certa noite eu havia acabado de ministrar a palavra em culto de ensino da sexta-feira na nossa igreja, quando fui procurado por uma irmã. Disse-me que enquanto eu ministrava a palavra de Deus, ela viu algo como se fosse uma motocicleta com os faróis ligados partindo em minha direção para me atropelar. Todavia ela observou que eu era retirado da rota daquele veículo, sofrendo apenas uma pancada na perna. De fato pouco dias depois daquelas palavras ditas por ela, senti todo o peso daquela batalha. Senti que o adversário quis me esmagar, tal como o Senhor a revelara, mas Deus me guardou de uma forma maravilhosa. Um arranhãozinho aqui, outro ali, faz parte da batalha. O que não podemos é ser abatido e perder a guerra. A Ele toda honra e glória.
Em segundo lugar, Davi não aceitou como verdade aquilo que o inimigo dizia – “Os jebuseus...falaram a Davi: não entrarás aqui, a menos que lances fora os cegos e o coxos; querendo dizer: Não entrará Davi aqui” (v.6). Essas palavras significam que os habitantes de Jerusalém, os jebuseus, acreditavam que a cidade deles era inexpugnável e jamais poderia ser vencida. Para eles até mesmo os cegos e coxos poderiam defendê-la. Se Davi tivesse aceitado como verdade essa mentira do inimigo, jamais teria conquistado Jerusalém. Acredito que muitos vivem em prisões espirituais, com fortalezas não conquistadas porque o inimigo consegui convencê-los de que essa fortalezas jamais podem ser derrubadas. É uma mentira, mas quando aceita como verdade passa a condicionar a vida de quem acredita nela.
Em terceiro lugar, Davi sabia que era necessário destruir aquilo que o inimigo usa como trunfo – “Porque disse Davi naquele dia: Qualquer que ferir aos jebuseus, e chegar ao canal, e aos coxos e cegos, que a alma de Davi aborrece, será cabeça e capitão. Por isso se diz: Nem cego nem entrará nesta casa” (v.8).
O inimigo é arrogante. Insinua que o servo de Deus não é capaz de vencer nem mesmo aquilo que demonstra ser insignificante, então como vencerá as suas fortalezas que ele construiu ao longo dos anos? A lógica parece perfeita, mas o homem de Deus não luta fundamentado nas regras da lógica, mas da fé (2 Crônicas 20; Hebreus 11). Pela fé caíram as muralhas de Jericó (Hb 11.30). Pela fé você também não somente conquistará a sua fortaleza, mas também destruirá aquilo que o inimigo costumava usar como trunfo contra você. Qual é o seu ponto fraco? É dinheiro? Sexo? Ou é a fama? Se você quer vencer a guerra, mas possue fortalezas não conquistadas nessas áreas, então primeiro é melhor você avaliar a situação. O inimigo pode acusá-lo dizendo que você não é capaz nem mesmo de se livrar do sexo virtual, então como querer enfrentá-lo naquilo que ele se acha mais forte? Não subestime o adversário, mas aja pela palavra de Deus conquistando primeiramente aquilo que o inimigo exibe como troféu contra você.
Em quarto lugar, Davi construiu uma nova fortaleza no lugar da antiga – “Assim habitou Davi na fortaleza , e lhe chamou a cidade de Davi: e Davi foi edificando em redor, dede Milo até dentro’ (v.9).
Não basta destruir a antiga fortaleza, é necessário construir uma nova no lugar da velha! O texto diz que “Davi foi edificando até Milo”. Não basta destruir um antigo hábito, é preciso construir um novo no lugar dele. A batalha se intensifica justamente nesse ponto! E por quê? Por que muitos estão mal habituados, não se disciplinaram e por isso nunca construíram de fato um hábito saudável. Os velhos hábitos enraizados são os que costumam levar alguém à queda. Só há uma forma de vencer isso – abandonar o velho hábito e colocar em seu lugar um novo. O seu comportamento pode ser mudado a partir do seu caráter. Isso significa que você deve trabalhar o seu caráter, que por sua vez gerará novas atitudes que desaguarão em um novo comportamento. Todavia os estudiosos do comportamento humano afirmam que você pode fazer o caminho inverso. Você muda primeiramente o seu comportamento, que por sua vez gerará novas atitudes, que por sua vez moldarão o seu caráter!
Houve um tempo que eu parecia estar dominado pelo café. A cafeína parecia ter criado em mim zonas de dependência e por isso resolvi passar dois anos sem tomar café. Durante dois anos não tomei café! Fiz isso também com o futebol. Às vezes já estava de saída para a igreja, mas as chamadas para a “grande decisão” de dois grandes clubes brasileiros fazia com que eu fosse para o trabalho do Senhor com a mente no jogo! O que fiz? Parei de assistir futebol pela TV também por um período de dois anos! Hoje vejo futebol, mas sem aquele fascínio que ele exercia em mim como antes. Hoje posso ver futebol ou posso não ver; tanto faz como tanto fez. Não torço por time algum. Quando estive em Madri, Espanha, alguns colegas me convidaram para assistir ao jogo do Real Madri contra o Atlético de Madri no Santiago Bernabeu, o grande templo do futebol, mas não me senti motivado para aquele tipo de evento. Preferi ficar no Hotel com a minha esposa.
Em quinto lugar, reforce suas defesas – “E Davi se ia cada vez mais aumentando e crescendo, porque o Senhor Deus dos Exércitos era com ele” (v.10).
Davi expandia cada vez mais o seu reino e dessa forma crescia mais ainda em poder! O que você está fazendo para reforçar suas defesas? Devemos lembrar das palavras do Senhor: “Vai e não peques mais para que não te suceda coisa pior” (João 5.14; 8.11). Se você possue um mal hábito ou vício e conseguiu vencê-lo, então tome cuidado reforçando o hábito novo! Evite situações que podem enfraquecê-lo ou derrubá-lo novamente. Continue crescendo em vitória como fez Davi.
Em sexto lugar, Davi sabia que fazia parte de um projeto divino ­– “E entendeu Davi que o Senhor o confirmara rei sobre Israel, e que exaltara o seu reino por amor do seu povo” (v.12).
Essa é a razão maior de nossa existência! Tudo aqui é efêmero, mas aquele que faz a vontade do Senhor permanecerá para sempre! Vá em frente, conquiste a sua fortaleza e o Senhor será contigo!








[1] WIERSBE, W. Warren. Comentário Bíblico Expositivo – históricos. Ed. Central Gospel.
[2] Idem.

Somente para pastores

Um Profeta Velho
Quando o ministério perde o seu encanto


Texto extraído do meu próximo livro: FORTALEZAS NÃO CONQUISTADAS



“1 Eis que, por ordem do Senhor, veio de Judá a Betel um homem de Deus; e Jeroboão estava junto ao altar, para queimar incenso. 2 Clamou o profeta contra o altar, por ordem do Senhor, e disse: Altar, altar! Assim diz o Senhor: Eis que um filho nascerá à casa de Davi, cujo nome será Josias, o qual sacrificará sobre ti os sacerdotes dos altos que queimam sobre ti incenso, e ossos humanos se queimarão sobre ti. 3 Deu, naquele mesmo dia, um sinal, dizendo: Este é o sinal de que o Senhor falou: Eis que o altar se fenderá, e se derramará a cinza que há sobre ele. 4 Tendo o rei ouvido as palavras do homem de Deus, que clamara contra o altar de Betel, Jeroboão estendeu a mão de sobre o altar, dizendo: Prendei-o! Mas a mão que estendera contra o homem de Deus secou, e não a podia recolher. 5 O altar se fendeu, e a cinza se derramou do altar, segundo o sinal que o homem de Deus apontara por ordem do Senhor. 6 Então, disse o rei ao homem de Deus: Implora o favor do Senhor, teu Deus, e ora por mim, para que eu possa recolher a mão. Então, o homem de Deus implorou o favor do Senhor, e a mão do rei se lhe recolheu e ficou como dantes. 7 Disse o rei ao homem de Deus: Vem comigo a casa e fortalece-te; e eu te recompensarei. 8 Porém o homem de Deus disse ao rei: Ainda que me desses metade da tua casa, não iria contigo, nem comeria pão, nem beberia água neste lugar. 9 Porque assim me ordenou o Senhor pela sua palavra, dizendo: Não comerás pão, nem beberás água; e não voltarás pelo caminho por onde foste. 10 E se foi por outro caminho; e não voltou pelo caminho por onde viera a Betel. 11 Morava em Betel um profeta velho; vieram seus filhos e lhe contaram tudo o que o homem de Deus fizera aquele dia em Betel; as palavras que dissera ao rei, contaram-nas a seu pai. 12 Perguntou-lhes o pai: Por que caminho se foi? Mostraram seus filhos o caminho por onde fora o homem de Deus que viera de Judá. 13 Então, disse a seus filhos: Albardai-me um jumento. Albardaram-lhe o jumento, e ele montou. 14 E foi após o homem de Deus e, achando-o sentado debaixo de um carvalho, lhe disse: És tu o homem de Deus que vieste de Judá? Ele respondeu: Eu mesmo. 15 Então, lhe disse: Vem comigo a casa e come pão. 16 Porém ele disse: Não posso voltar contigo, nem entrarei contigo; não comerei pão, nem beberei água contigo neste lugar. 17 Porque me foi dito pela palavra do Senhor: Ali, não comerás pão, nem beberás água, nem voltarás pelo caminho por que foste. 18 Tornou-lhe ele: Também eu sou profeta como tu, e um anjo me falou por ordem do Senhor, dizendo: Faze-o voltar contigo a tua casa, para que coma pão e beba água. (Porém mentiu-lhe.) 19 Então, voltou ele, e comeu pão em sua casa, e bebeu água. 20 Estando eles à mesa, veio a palavra do Senhor ao profeta que o tinha feito voltar; 21 e clamou ao homem de Deus, que viera de Judá, dizendo: Assim diz o Senhor: Porquanto foste rebelde à palavra do Senhor e não guardaste o mandamento que o Senhor, teu Deus, te mandara, 22 antes, voltaste, e comeste pão, e bebeste água no lugar de que te dissera: Não comerás pão, nem beberás água, o teu cadáver não entrará no sepulcro de teus pais. 23 Depois de o profeta a quem fizera voltar haver comido pão e bebido água, albardou para ele o jumento. 24 Foi-se, pois, e um leão o encontrou no caminho e o matou; o seu cadáver estava atirado no caminho, e o jumento e o leão, parados junto ao cadáver. 25 Eis que os homens passaram e viram o corpo lançado no caminho, como também o leão parado junto ao corpo; e vieram e o disseram na cidade onde o profeta velho habitava. 26 Ouvindo-o o profeta que o fizera voltar do caminho, disse: É o homem de Deus, que foi rebelde à palavra do Senhor; por isso, o Senhor o entregou ao leão, que o despedaçou e matou, segundo a palavra que o Senhor lhe tinha dito. 27 Então, disse a seus filhos: Albardai-me o jumento. Eles o albardaram. 28 Ele se foi e achou o cadáver atirado no caminho e o jumento e o leão, parados junto ao cadáver; o leão não tinha devorado o corpo, nem despedaçado o jumento. 29 Então, o profeta levantou o cadáver do homem de Deus, e o pôs sobre o jumento, e o tornou a levar; assim, veio o profeta velho à cidade, para o chorar e enterrar. 30 Depositou o cadáver no seu próprio sepulcro; e o prantearam, dizendo: Ah! Irmão meu! 31 Depois de o haver sepultado, disse a seus filhos: Quando eu morrer, enterrai-me no sepulcro em que o homem de Deus está sepultado; ponde os meus ossos junto aos ossos dele. 32 Porque certamente se cumprirá o que por ordem do Senhor clamou contra o altar que está em Betel e contra todas as casas dos altos que estão nas cidades de Samaria” ( 1 Reis 13.1-32).




Se há uma passagem bíblica que me deixa perplexo, esta é uma delas! Ela me impressiona pela sua dramaticidade! O texto fala de um homem de Deus e o profeta velho! Quando lemos este texto, de imediato a nossa atenção se firma no homem de Deus, para quem o sobrenatural parecia algo extremamente natural.  Ele simplesmente falava e as coisas aconteciam: o altar vai rachar e o altar de fato se fendia; Deus vai levantar um rei que queimará os ossos dos sacerdotes sobre esse altar e não temos dúvida que isso acontecerá! De fato, cerca de duzentos anos depois a profecia se cumpriria! Impressionante! O profeta anônimo que veio de Judá realmente é uma figura que nos inspira. Mas estou convencido que podemos aprender muito mais fazendo um contraste entre o Homem de Deus e o Profeta Velho!
Para mim esse profeta velho serve de metáfora para muitas coisas, principalmente para nós que somos pastores e ministros da palavra. A principal lição que esse texto deixa é que o ministério pode perder o seu encanto! Podemos ter tido um começo extraordinário, mas podemos terminar encostados. Não tenho dúvida alguma que muitos companheiros da causa do mestre continuam no ministério simplesmente porque não tem mais para onde ir. Já passou o tempo de estudarem, ingressar numa carreira pública ou exercer alguma profissão. Muitos se tornaram prisioneiros do ministério! Não estou me referindo às pressões do ministério que testam nossas vocações e que nos fazem muitas vezes pensar em parar. Não, não é isso. Assim como os profetas bíblicos, acredito que todo pastor vocacionado já teve a sua vocação testada e em muitos casos a vontade de parar ou fazer uma outra coisa passa pela mente.
Essa história vai muito além disso. Ela revela que podemos estar no ministério simplesmente por uma mera conveniência. Quando isso acontece, as consequências são extremamente danosas – a igreja passa a ser vista apenas como uma fonte de renda. Passa a ser uma ovelha que serve somente para nos fornecer o leite, a lã e a carne! Essa sem dúvida é uma clara prova que o valente está em rota de queda! O seu ministério está em declínio e a sua vocação em queda livre. Essa é a lição que o Profeta Velho nos ensina! Deus trouxe o Homem de Deus, que morava em Judá, situado no reino do Sul, para profetizar em Betel, localizado no reino do Norte. Por quê? Porque o Profeta Velho que ali residia não servia mais como vaso profético!
Esse “cansaço” ministerial pode ser percebido em números. Veja o que detectou um Instituto de Pesquisas quando entrevistou dezenas de pastores:

1.      80% crêem que o exercício do ministério tem empobrecido sua vida familiar.
2.      33% crêem que a igreja é responsável pelos desastres familiares em suas famílias.
3.      50% sentem-se incapazes para o exercício ministerial.
4.      70% têm uma auto-estima mais baixa hoje do que quando começaram o ministério.
5.      37% estiveram ou estão envolvidos em uma aventura sexual ilícita com membros de sua igreja.
6.      70% disseram que não tem um só amigo.
7.      40 % pensam seriamente em desistir do ministério.

Isso é extremamente grave! Longe de ser algo a ser aspirado (1 Tm 3.1), o Ministério pastoral passou a se tornar um fardo! Na história do Profeta Velho descobrimos algumas lições que nos ajudarão a entender esse fenômeno:
Em primeiro lugar, vemos que o Homem de Deus entrou em Betel, mas Betel havia entrado no Profeta Velho – “Eis que um homem de Deus veio de Judá com a palavra do Senhor a Betel (...) E morava em Betel um profeta velho” (v.1, 11).
O rei Jeroboão, filho de Nebate, havia construído dois altares no reino do Norte, um em Dã e outro em Betel. A razão era impedir os nortistas de irem até Jerusalém, no reino do sul, para fazer os seus sacrifícios no famoso templo de Salomão. Foi quando ele oferecia sacrifícios nesse altar de Betel que foi confrontado pelo homem de Deus! Nessa ocasião Betel havia se tornado um local de adoração idólatra e cultura pagã. Era ali onde morava o Profeta Velho. Sem dúvida, esse profeta velho já havia visto o rei Jeroboão fazer sacrifícios outras vezes nesse altar, mas não fizera nada. E por que não? A resposta é que Betel, um centro de cultura pagã do reino do Norte, já havia penetrado com força em suas convicções. Ele convivia pacificamente com a idolatria institucionalizada sem levantar a sua voz contra ela!
Se não tomar os devidos cuidados, é muito fácil o obreiro se amoldar à cultura a sua volta. O meio pode exercer um poder tremendo sobre o pastor de tal forma que ele passa a se conformar com ele. Quando o apóstolo Pedro escreveu a sua Primeira Carta, ele admoestou os crentes: “Como filhos da obediência, não vos conformando com as concupiscências que antes havia na vossa ignorância” (1 Pe 1.14). A palavra grega syschematizo, traduzida como conformando, pode ser traduzida como amoldar (ARA). Tem, portanto, o sentido de: conformar-se com o estilo ou aparência externos, acomodando-se a um modelo ou padrão. Descrevendo dessa forma aqueles que se conformam com os desejos mundanos. A lição que fica é que o conformismo, mesmo quando é superficial ou aparente, pode se tornar algo fatal para o cristão. Vemos isso acontecer, por exemplo, quando pastores deixam suas igrejas ou ministérios para militarem na política partidária ou assumir algum cargo público comissionado. Alguns até mesmo se tornam fundadores de partidos políticos! Há alguma coisa errada em ser político? Não vejo nada de errado com o exercício da vida pública quando ela é exercida por pessoas que possuem aptidão e vocação para isso. Não creio que pastores possam ser incluídos nessa regra.
Em segundo lugar, o homem de Deus possuía a unção, mas o profeta velho apenas titulação!  - “Também sou profeta como tu” (v.18).
Era uma meia verdade! Ele era um profeta, mas não como o homem de Deus de Judá era! Ele possuía apenas o título de profeta, nada mais! Somente titulação não era suficiente para confrontar um rei pagão como Jeroboão. Era preciso unção e o profeta velho não a mais possuía. Às vezes olho ao meu redor e vejo muitos crentes apenas com a titulação. Possuem títulos e mais títulos, mas não possuem a unção que respalda a função que exercem. Já disse em outro texto que não é o oficio que determina a unção, mas a unção que determina o ofício. O que adianta possuir o título de apóstolo se as qualidades requeridas de um apóstolo não estão presentes? O que adianta possuir o nome de “pastor” se as habilidades pastorais há muitos deixaram de existir?
Em terceiro lugar, o homem de Deus era um homem de confronto, mas o profeta velho apenas de conforto! – “E clamou contra o altar com a palavra do Senhor (v.2)...E o rei disse ao homem de Deus: vem comigo à casa, e conforta-te; e dar-te-ei um presente (v7)...Então lhe disse (profeta velho): vem comigo à casa e come pão” (v.15).
Quando o rei Jeroboão viu o homem de Deus clamando contra o altar idólatra de Betel, procurou calar a voz do homem de Deus oferecendo-lhe vantagens. De fato ele tentou ofertar-lhe um presente! Como um profeta de Deus, o profeta anônimo rejeitou a proposta (v8). Imagino que o profeta velho noutro tempo recebeu oferta parecida e diferentemente do homem de Deus, ele aceitou as ofertas de Jeroboão. Ele mesmo agora queria agir de forma semelhante com o homem de Deus oferecendo-lhe um banquete em sua casa (v.15). O profeta velho havia se acomodado em Betel e a vinda do homem de Deus parece ter provocado um grande desconforto! O crente perde a sua voz profética quando procura se ajustar àquilo que é confortável em vez de buscar a vontade de Deus. A melhor situação que possamos nos encontrar é aquela que nos põe no centro da vontade de Deus!
Em quarto lugar, o homem de Deus falava em nome do Senhor, mas o profeta velho em seu próprio nome – “Este é o sinal de que o Senhor falou: Eis que o altar se fenderá, a cinza, que nele está, se derramará” (v.23)...“Um anjo me falou pela palavra do Senhor” (v18).
O homem de Deus se valia da autoridade espiritual que o Senhor lhe conferia para persuadir os betelenses da veracidade de suas palavras. Não é isso que vemos acontecer com o profeta velho – ao contrário do homem de Deus, ele se vale da mentira para induzir ao erro o homem de Deus. Ele disse que um anjo lhe falara, mas o cronista bíblico observa que isso não era verdade.  É possível que ele em um passado distante tivesse de fato visto um anjo, mas agora isso não estava mais acontecendo. Ele dependia de suas próprias habilidades para tentar persuadir as pessoas! Estamos falando em nome de quem? Do Senhor ou do nosso próprio?
Em quinto lugar, o homem de Deus via Deus fazer, mas o profeta velho apenas o que Deus fizera! – “O altar se fendeu, e a cinza se derramou do altar; segundo o sinal que o homem de Deus apontara pela palavra do Senhor” (v.5)... “E contou-lhe tudo o que o homem de Deus fizera aquele dia em Betel, as palavras que dissera ao rei; e as contaram ao seu pai” v.11).
O profeta velho vivia do passado! Não possuía nenhuma experiência nova, mas somente recordações de um passado distante. Enquanto o homem de Deus vivia em função da revelação divina, o profeta velho apenas da informação! O que ele sabia era aquilo que seus filhos viram acontecer e que posteriormente lhe contaram. O homem de Deus via Deus fazer enquanto o profeta velho sabia por boca dos outros aquilo que Deus fizera! Imagino seu saudosismo da seguinte forma: eu já também profetizei; orei por enfermos e eles foram curados; falei em línguas desconhecidas quando fui batizado no Espírito Santo e possuía uma íntima comunhão com o Senhor! Todas coisas feitas em um tempo passado! Foi D.L. Moody que disse: “Viver de experiências passadas é viver do maná envelhecido”!
Em sexto lugar, o homem de Deus possuía caráter, mas o profeta velho apenas o carisma! – “E clamou ao homem de Deus, que viera de Judá, dizendo: Assim diz o Senhor: Porquanto foste rebelde à boca do Senhor, e não guardaste o mandamento que o Senhor teu Deus te mandara; antes voltaste, e comeste pão e bebeste água no lugar de que te dissera: Não comerás pão nem beberás água; o teu cadáver não entrará no sepulcro de teus pais” (v.21,22).
O profeta velho profetizou! E mais: o que ele disse de fato aconteceu (v.24). Como pode alguém que mentiu minutos antes profetizar e aquilo que ele profetizou acontecer de fato? Há muitas conjecturas teológicas sobre esse incidente, mas o fato é que o profeta velho possuía carisma, embora não tivesse caráter! Para ser um homem de Deus é necessário possuir carisma e caráter. Conheço dezenas de homens e mulheres que possuem muita unção, mas pouco ou nenhum caráter. Casam e se divorciam como quem troca de roupa e ainda assim cantam e pregam com “unção”.




terça-feira, 27 de agosto de 2013

Pedro nunca foi Papa, nem Francisco é o Vigário de Cristo

Quem liderou a igreja nos seus primórdios?
Por José Gonçalves



Por ocasião da XVIII Jornada Mundial da Juventude, que ocorreu na cidade do Rio de Janeiro, o Papa Francisco deu inicio ao seu discurso de boas vindas com as seguintes palavras:
Quis Deus na sua amorosa providência que a primeira viagem internacional do meu Pontificado me consentisse voltar à amada América Latina, precisamente ao Brasil, nação que se gloria de seus sólidos laços com a Sé Apostólica e dos profundos sentimentos de fé e amizade que sempre a uniram de modo singular ao Sucessor de Pedro. Dou graças a Deus pela sua benignidade”. (os itálicos são meus).
O que faz o Papa acreditar de fato no mito que é o Sucessor de Pedro?
A crença católica se fundamenta na tradição de que o apóstolo Pedro supostamente teria sido o primeiro líder da Igreja, consequentemente o primeiro Papa. A tradição católica defende que o apóstolo Pedro, logo após o término do seu episcopado em Antioquia, se tornou o primeiro bispo de Roma. Para a doutrina católica, Pedro teria ido a Roma logo após a sua libertação da prisão em Jerusalém (At 12) e tempos depois teria voltado para participar nessa mesma cidade do primeiro Concílio da Igreja.
Sem dúvida essa é a principal excrescência do catolicismo romano. A razão é bastante simples – de acordo com a Bíblia, Tiago e não Pedro foi quem liderou a igreja apostólica nos seus primórdios. De acordo com a Enciclopédia Virtual Wikipedia, “Tiago, o justo, morto em 62 d.C., também conhecido como Tiago de Jerusalém, Tiago Adelfo ou ainda Tiago, o irmão do Senhor, foi uma importante figura nos primeiros anos do cristianismo.  Tiago, o Justo, era o líder do movimento cristão em Jerusalém nas décadas seguintes à morte de Jesus”.
De fato, o livro de Atos dos Apóstolos põe em evidência essa liderança de Tiago na Igreja Primitiva:
Então toda a multidão se calou e escutava a Barnabé e a Paulo, que contavam quão grandes sinais e prodígios Deus havia feito por meio deles entre os gentios. E, havendo-se eles calado, tomou Tiago a palavra, dizendo: Homens irmãos, ouvi-me:
Simão relatou como primeiramente Deus visitou os gentios, para tomar deles um povo para o seu nome. E com isto concordam as palavras dos profetas; como está escrito:
Depois disto voltarei,e reedificarei o tabernáculo de Davi, que está caído, levantá-lo-ei das suas ruínas, e tornarei a edificá-lo. Para que o restante dos homens busque ao Senhor,e todos os gentios, sobre os quais o meu nome é invocado,diz o Senhor, que faz todas estas coisas, Conhecidas são a Deus, desde o princípio do mundo, todas as suas obras. Por isso julgo que não se deve perturbar aqueles, dentre os gentios, que se convertem a Deus. Mas escrever-lhes que se abstenham das contaminações dos ídolos, da fornicação, do que é sufocado e do sangue” (At 15.12-20).
O próprio Pedro reconhece esse fato quando, logo após a sua libertação da prisão, manda comunicar o fato a Tiago: “Ele, porém, fazendo-lhes sinal com a mão para que se calassem, contou-lhes como o Senhor o tirara da prisão e acrescentou: Anunciai isto a Tiago” (At 12.17).
Esse posto de proeminência de Tiago na igreja apostólica também é documentado por Josefo, um dos grandes historiadores da igreja e contemporâneo dos cristãos primitivos. Na sua Magnus Opus: História dos Hebreus, ele mostra como até mesmo as autoridades viam em Tiago a liderança da igreja apostólica:
Após falar de Anano, um dos líderes da seita dos saduceus, Josefo escreve:
“Ele aproveitou o tempo da morte de Festo, e Albino ainda não havia chegado, para reunir um conselho diante do qual fez comparecer Tiago, irmão de Jesus chamado Cristo, e alguns outros; acusou-os de terem desobedecido às leis e os condenou ao apedrejamento. Esse ato desagradou muito a todos os habitantes de Jerusalém, que eram piedosos e tinham verdadeiro amor pela observância das nossas leis”.
Ficamos, portanto, com a verdade bíblica e as palavras do ex – sacerdote católico Anibal Pereira dos Reis: “Pedro nunca foi papa e nem o Papa é Vigário de Cristo”.

José Gonçalves
Pastor em Água Branca, Piauí, escritor e comentarista de Lições Bíblicas da CPAD.









segunda-feira, 26 de agosto de 2013

A Fé Bíblica - contrastando a fé bíblica com aquilo que prega o Movimento da Fé ou Confissão Positiva.

Texto extraído o livro: COMENTÁRIO AO ANTIGO TESTAMENTO, vol. 1, pp.35,36.

"Aproveitando os relatos, o texto delineia a figura da pessoa de fé: a Deus fiel o homem deve responder com  fidelidade: duvidar da lealdade de Deus é a tentação radical. A fé é um encontro pessoal no qual o Senhor toma a iniciativa. encontro decisivo na vida do crente onde se misturam a confiança, o vazio de si mesmo e a obediência: Adão deve confiar e obedecer; Caim deve aceitar a escolha de seu irmão, e os construtores de Babel devem aceitar sua dependência; Abraão deve aceitar abandonar o seu passado depositando seu futuro nas mão de Deus; toda a vida de Jacó é um aproximar-se e fugir desse Deus que não o abandona; para José o encontro se dará em momento terríveis. 
A fé exige empobrecimento e risco: aceitar a dependência de Deus nos casos de Adão-Eva, de Caim e dos habitantes de Batel. Em Abraão retrata-se a opção radical do crente: uma voz simplesmente lhe ordena que abandone tudo, passado presente, e confie; responder positivamente, deixar de ser o que é e procurar outra identidade. Deus reconhecerá sua fé (cf. Gn 15,6) e sua obediência (cf. Gn 22,12. 16); Abraão se transforma no seu homem de confiança (Cf Gn 18,18). Jacó, pro sua própria culpa foragido, aceita sua situação e, depois de encontrar-se com Deus (Cf Gn 28,10-22), põe-se a caminho em busca de uma vida nova. Devolverá o que roubou, e depois de longos anos de prova e quando está a ponto de alcançar seu objetivo, refugia-se na oração, encontra-se com o próprio Deus: admite sua culpa e o Senhor muda-lhe o nome, transforma-o num outro homem (cf Gn32,24-32). A fé leva à conversão e, por ela, ao homem novo. No caso de José, dele são exigidos o empobrecimento e o risco da própria vida e, crente modelar, aceita em silêncio sua situação. Suporta e sofre a ausência de Deus. Sua confiança não fica defraudada. 
A confiança em Deus deve preencher o vazio que ajuda a fé.  A fortaleza do crente está no Senhor; confia nele apesar das dificuldades e absurdos que a vida traz emparelhados. O aspecto paradoxal das promessas revela esta cega confiança: a um casal de anciãos, ela estéril, Deus afirma que serão pais de uma grande nação; e quando Abrão se queixa de que seu filho não chega, o Senhor lhe assegura que sua descendência será mais numerosa que as estrela do céu, e Abrão simplesmente acredita nele. Sozinho, sem proteção alguma, abandonado e em fuga, Jacó recebe uma promessa imensa: possuirá aquela terra sobre a qual dorme, e ele, um homem maldito e fugitivo, será portador de bênção! Deus promete a pessoas sem direito algum que a terra que pisam lhes pertencerá, e a terra está ocupada e na posse de povos poderosos e fortes. José é um jovem que sonhou ser reverenciado pelo sol, pela lua e por onze estrelas: aproveitando as aventuras e desventuras desse herói, o texto retrata a figura do homem que confiou em Deus. Esta é a vocação do individuo e da comunidade de fé: procurar Deus no desapego, com risco e confiança". 

sábado, 24 de agosto de 2013

A Atualidade da sabedoria bíblica - uma análise dos livros de Provérbios e Eclesiastes


José Gonçalves 


Os livros de Provérbios e Eclesiastes, ambos da autoria de Salomão, são classificados como “Literatura Sapiencial”, isto é, de Sabedoria. São livros recheados de conselhos e máximas que revelam um saber divino para vida cotidiana!
O propósito do livro de Provérbios está declarado nos seis primeiros versículos do capítulo primeiro. Esses versículos nos revelam que o propósito do livro é produzir sabedoria e fazer com que seus leitores aprofundem-se mais ainda na verdadeira sabedoria. Por outro lado, o livro de Eclesiastes, ao contrário do que muitos pensam, não apresenta uma espécie de ceticismo ou desencanto com a vida. O livro revela sim, a avaliação feita por alguém que teve o privilégio de viver a vida com intensidade e descobrir que a mesma é totalmente vazia se não vivida em Deus!
Vejamos, pois, de uma forma panorâmica os principais temas abordados nesses livros:

1.      Sexo

O livro de Provérbios tem muito a dizer sobre a sexualidade. Nos Provérbios a sexualidade humana é uma dádiva divina. Uma boa parte dos conselhos de Salomão diz respeito a sexualidade humana e a sua forma correta de expressão. Assim sendo ele dedicou boa parte de três capítulos do seu livro para falar de uma forma profunda sobre o sexo e os desvios aos quais ele está sujeito (Pv 5.1-23; 6.20-35; 7.1-27; 9.13-18). Por outro lado, a sexualidade também é algo próprio do homem. Somos humanos e o sexo faz parte de nossa natureza humana e é por isso que estamos sujeitos à tentação! No céu na haverá necessidade da expressão sexual (Mt 22.30) por isso devemos buscar expressar nossa sexualidade com amor dentro dos limites estabelecidos pelo criador.

2.      Trabalho

A princípio convém dizer que a ideia de prosperar e enriquecer por outros meios que não seja o trabalho é completamente estranho à Escritura. O Deus da Bíblia faz prosperar, mas ele o faz através do trabalho (Dt 8.18). No livro de Provérbios há muitas metáforas para ilustrar a natureza do trabalho e a nossa relação com ele. Por exemplo,  a metáfora do celeiro e do lagar, representa uma vida abundante! Uma vida com fartura! Na metáfora das formigas, o Sábio nos exorta a tomarmos uma atitude frente a realidade da vida. Aqui esses insetos nos ensinam sobre a necessidade da tomada de atitude e também sobre economia doméstica (Pv 6.6-8). Na metáfora do preguiçoso e do leão, aprendemos que não adianta arrumar desculpas para fugir do trabalho. Em uma outra metáfora, a dos espinheiros, aprendemos que precisamos enfrentar as lutas da vida.

3.      Dinheiro

O livro de Provérbios tem muito a dizer sobre o dinheiro, principalmente sobre as práticas da fiança e do empréstimo. “Quem fica por fiador de outrem sofrerá males, mas o que foge de o ser estará seguro” (Pv 11.15). Precisamos tomar cuidado em ser fiador ou avalista de alguém! Por outro lado, precisamos tomar cuidado também com a prática de empréstimos. Podemos emprestar ou tomar emprestado e não há nada de errado nisso desde que se cumpra com o compromisso firmado. Salomão também fala sobre a usura ou agiotagem.  Lamentavelmente há muita gente crente lucrando por meio da usura ou agiotagem. Emprestam dinheiro a juros exorbitantes! E o que é mais grave – alguns desses agiotas são obreiros! Já ouvi histórias de irmãos que tiveram seus bens confiscados e espoliados por obreiros porque não conseguiram pagar os juros estratosféricos cobrados. Alguns perderam lojas ainda outros perderam veículos. É lamentável que isso possa ocorrer no meio do povo de Deus.

4.      Língua

Salomão tem muito a dizer sobre a língua! Convém dizer as palavras não tem vida própria. Uma tendência bíblica, que é o de dar vida às abstrações e personificá-las tem levado muitos ao equívoco de pensar que as palavras tem existência independente de Deus e do homem. Não, não tem! A Palavra de Deus é poderosa porque foi Deus quem a disse ou que mandou falar, mas não porque tenham vida independente do próprio Deus (Sl 107.20; Is 9.8). Da mesma forma as palavras humanas não tem poder em si mesmas (Sl 85.11; 107.42; Jó 5.16; 11.14; 19.10).  Por outro lado, dependendo do contexto onde são faladas e por quem são faladas e ainda por quem as ouve, as palavras podem machucar, ferir ou até mesmo matar.

5.      Família

Há duas coisas básicas que devemos observa numa família quando o assunto em pauta é a educação dos filhos. O primeiro é que educar não é satisfazer vontades, mas atender necessidades. Uma criança pode ter vontade de comer chocolate o dia todo, mas o que ela realmente precisa é de arroz, feijão, carnes, etc, para que tenha o seu crescimento saudável. É preciso que se estabeleça limites não somente na área da alimentação, mas principalmente na área dos valores morais e espirituais. Em segundo lugar, educar exige correção,mas  não agressão! Muitos pais são totalmente omissos na educação dos filhos e quando querem educar recorrem a agressão física para fazer valer sua autoridade.

6.      Humildade e arrogância

O livro de Provérbios se refere por diversas vezes aos termos contrastantes: “humildade” e “arrogância”, mas sempre dentro do contexto das interações humanas.  Dessa forma para se conhecer quem é o sábio, o autor de Provérbios põe no cenário como figura contrastante, o insensato. Mas Provérbios vai mais além – tanto a humildade como a arrogância serão melhor compreendidas quando se observa, além do sabido versus o insensato, também figuras contrastantes como: o justo versus o injusto; o rico versus o pobre e o príncipe versus o escravo. 

7.      Mulheres

O poema de Provérbios 31.1-31 consegue nos fazer enxergar qual é o verdadeiro valor da mulher e dessa forma serve de manual como a mesma deve ser tratada. Mas uma coisa fica logo em evidência – o Sábio não fala de qualquer mulher! Não, ele fala da mulher virtuosa, aquela que possui virtudes e valores morais e espirituais.  Uma mulher que teme a Deus. Essa “Mulher Virtuosa” de Provérbios 31.1-10 contrasta com a “Mulher Vil” de Provérbios 11.22. Ao contrário da Mulher Virtuosa, a Mulher Vil é totalmente desprovida das virtudes e valores morais. Ambas são chamadas de “formosas”, mas a formosura da mulher Virtuosa é mais de natureza ética do que estética. É mais interior do que exterior. Ela tem em Deus a fonte de tudo isso! É por isso que ela merece ser ovacionada.
Se há sete temas específicos sobre os quais Salomão dar conselhos nos Provérbios, em seu livro de Eclesiastes encontramos pelo menos cinco deles:

1.      O uso do tempo

Salomão fala primeiramente sobre a transitoriedade da vida.  A vida é efêmera, passageira (Ec 1.4). Sendo vida tão curta, “que proveito tem o homem de todo o seu trabalho, com que se afadiga debaixo do sol?” (Ec 1.3). É o que o Pregador procurará responder. Muitos procuram driblar e viver fugaz com as mais várias formas de satisfação. Há aqueles que acham que possuir muita sabedoria resolveria o problema (Ec 1.16-18; 2.12-16);  enquanto outros buscam no prazer essa mesma resposta (Ec 2.1-3); ainda outros procuram compensar isso com uma vida cheia de posses (Ec 2.4-11) e por último há aqueles que buscam suas realizações no próprio trabalho (Ec 2. 17-23).  Tudo é vaidade! O centro de realização e satisfação não está nessas coisas.

2.      Obrigações, votos e orações.

Salomão discorre no capítulo 5 de Eclesiastes sobre a adoração em um contexto onde se contrastam a obrigação e a devoção.  Como devotos temos direitos, mas também possuímos deveres. E essas obrigações não se limitarão apenas ao mundo religioso, mas também ao universo político-social. Eclesiastes mostrará que essas obrigações serão melhores compreendidas quando vistas à luz dos os atributos de Deus, tais como: Santidade, transcendência e imanência.  Essas obrigações, portanto, são de natureza político-social e também espiritual. Diante dos homens e também diante de Deus.

3.      O justo e o ímpio

Uma das constatações feitas por cristãos piedosos ao longo da história é a de que os justos sofrem e os ímpios prosperam. Essa verdade vem confirmar as palavras de Salomão. Mas como Salomão, os cristãos piedosos chegaram a conclusão que a justiça é sempre melhor do que a injustiça e é preferível ser sábio do que estulto. E isso por uma razão bem simples – seremos medidos pela régua da eternidade e não pelas contingências da vida.

4.      Empreendedorismo e missões

Salomão exorta seus leitores sobre a necessidade de se tomar uma atitude na vida e os convida a lançar o pão sobre as águas. Para ele nada adiantava ficar parado vendo a vida passar. Era preciso viver a vida com atitude e propósito. O sábio está dizendo: vá, não fique aí parado! Viva a vida com propósito! Viva a vida com uma atitude. Por outro lado, somos embaixadores ou representantes de Deus numa missão oficial (Is 6.8; Jr 1,7; Ez 2.34; Jz 6.8).

5.      Temor a Deus

            Na conclusão das suas reflexões sobre o viver debaixo do sol, Salomão faz uma reflexão contrastante sobre a vida e seus diferentes momentos. São estágios bem definidos: Juventude e velhice; alegria e tristeza; vida e morte; presente e futuro; o temporal e o eterno. Ele fala da juventude, mas é a partir de uma análise nua e crua da velhice. Fala da vida, mas é com os olhos fitos na morte; ele fala do presente, mas é a partir do futuro; fala do temporal, mas seus olhos estão voltados para o eterno; fala da criatura, mas seu alvo é o Criador; fala do nosso aprazimento aqui, mas sem perder de vista o julgamento final.




José Gonçalves, pastor da Assembleia de Deus em Água Branca, Piauí, escritor e comentarista de Lições Bíblicas de Jovens e Adultos da CPAD.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Queda de pastores - um fenômeno muito além da psicanálise!


Texto extraído do meu livro: POR QUE CAEM OS VALENTES?, CPAD.

Estávamos em um culto no ano de 1983, eu era um novo convertido, mas consigo ainda lembrar com precisão da mensagem pregada naquele domingo. J. Figueroa,1 um pregador pentecostal, era conhecido por sua eloqüência e poderosa voz profética. Ele fora convidado naquele dia para ser o preletor em nossa igreja. O pequeno templo estava superlotado, todos procuravam uma melhor acomodação para ouvir a Palavra de Deus. A fama de ser um grande pregador do evangelho fazia a multidão esperar com expectativa o momento da preleção daquele irmão. Naquela noite, ele inspirara-se na visão do vale de ossos secos para falar do poder restaurador de Deus (Ez 37.1-14). Com uma unção incomum e um carisma contagiante, discorreu sobre o seu tema. Até então, não conhecia ninguém que pregasse com tanta clareza, eloqüência e conhecimento bíblico como aquele amado pastor. As lágrimas corriam copiosamente na face dos presentes. Dezenas de pessoas aglomeravam-se em frente ao altar para emendar os seus caminhos, muitas outras entregaram suas vidas ao Senhor Jesus.
Depois daquele dia, tive o privilégio de ouvir aquele irmão outras vezes. Acontecia sempre a mesma coisa: conversões, reconciliações e um forte sentimento da presença de Deus quando ele pregava. O seu nome tornou-se uma celebridade entre os pentecostais de meu estado, todos gostariam de solicitá-lo como preletor de seus congressos e cruzadas. A sua igreja, mais do que as outras, promovia freqüentemente eventos de natureza evangélica.
Certo dia, no verão de 1984, eu, meu irmão e um primo fomos participar de um evento promovido pela igreja daquele obreiro. Foi ali que conhecemos Madalena, uma jovem simpática, mas sem muita beleza física. Ela era membro da igreja de J.Figueroa. Naquele culto, como era costume acontecer, J. Figueroa pregou com uma unção assoberbante.
Os anos passaram e por diversas oportunidades tive o privilégio de ouvir J. Figueroa pregando. Certo dia, ao chegar no templo onde me congregava, observei que um grupo de irmãos conversava reservadamente. Pelo baixo tom de voz deduzi que o assunto era sigiloso. Ao me aproximar mais um pouco, ouvi a frase que gostaria de jamais ter ouvido na minha vida: J. Figueroa caiu em adultério com a Madalena. Fiquei estupefato ouvindo aquele irmão ainda com sua voz embargada continuar o seu relato. Aquele irmão continuou a sua narrativa dizendo que J.Figueroa envolveu-se com Madalena quando a aconselhava em seu gabinete pastoral.
Muitas vezes ouvimos relatos como este, não é novidade para ninguém. Mas o que leva um obreiro tão bem-sucedido em seu ministério a jogar tudo fora para desfrutar de uma aventura sexual? Por que alguém estaria disposto a destruir não somente a sua vida, mas também a sua família? A última vez que tive notícias de J. Figueroa, ele havia abandonado a sua família para juntar-se a uma outra mulher, que não era a Madalena. Segundo um amigo que o conhece de perto, a vida daquele ex-obreiro tornou-se um verdadeiro inferno. Por quê? Um Simples Fenômeno de "Transferência"?
Para um psicanalista experiente, o que ocorreu entre J.Figueroa e a jovem Madalena foi simplesmente aquilo que os analistas denominam de transferência.2 A jovem Madalena teria procurado J. Figueroa para ser aconselhada acerca de uma desilusão sentimental que tivera. J. Figueroa querendo melhor ajudar a Madalena procurou conhecer melhor a sua história. Os dois tornaram-se muito íntimos durante as sessões de aconselhamento. Por fim, estavam completamente apaixonados um pelo outro. O fim você já conhece. De acordo com a teoria psicanalista, aquela jovem viu em J. Figueroa a figura de seu pai.
Um modelo ideal que ela projetou como sendo perfeito. J. Figueroa tornou-se seu príncipe encantado, o homem que ela sempre sonhara. A relação pastor/ovelha, devido às suas peculiaridades, acabou por criar esse fenômeno da transferência. O aconselhado enxerga em seu conselheiro o seu herói, a partir daí projeta em sua mente que essa é a pessoa que ele precisa em sua vida. Não medirá esforços para ter uma aproximação maior com o seu modelo. Fará de tudo para agradar-lhe: desde presentes até mesmo a gratificação sexual.
Todo pastor de alguma forma envolve-se no ministério de aconselhamento. Não há como escapar dessa prática, os membros necessitam de uma palavra de seu pastor. Essa proximidade peculiar ao próprio ministério de aconselhamento cria as condições para que fatos como esse aconteçam. Mas seria esse um fenômeno meramente psicanalítico? Acredito firmemente que não.

Um Dardo Apontado para Você

 Há um tempo tive uma experiência que me fez lembrar da história de J. Figueroa. Eram aproximadamente 2h30min da madrugada de uma segunda-feira quando acordei. O sonho que acabara de ter deixou-me inquieto. Sonhara que um de meus irmãos que mora em um outro estado da federação acabara de chegar. Ele vestia roupas militares, trazia uma mochila sobre as costas, os seus gestos demonstravam que viera em uma missão.
Havia muito tempo que não o via; quando o contemplei, indaguei-o: "O que trouxe você aqui?" A sua resposta foi direta: "Vim para avisar-lhe que há um dardo apontado para você". Foi quando despertei.
Nessa época, era funcionário da Polícia Federal, e à noite dava aulas em uma escola teológica. Naquele dia fui para o serviço muito pensativo, indagava para mim mesmo: O que isso quer dizer?
No meu íntimo, sentia que alguma investida do Diabo estava a caminho, mas não sabia como isso aconteceria.
Na quarta-feira encontrava-me na instituição teológica da qual era professor. Não fosse um pequeno incidente ocorrido com uma aluna, aquele seria um dia normal como os outros. Aquela aluna parecia estar com muito mau humor, procurei estimulá-la
para a aula, afinal era uma das melhores alunas da minha disciplina.
Os meus esforços foram em vão. Terminada a aula, uma de suas colegas confidenciou-me algo que me fez estremecer. Perguntou-me se eu sabia a razão que levara aquela aluna a estar tão mal- humorada. Respondi negativamente, e ela então completou: "Ela está apaixonada por você".
Jamais imaginara que aquilo fosse de fato verdade. A partir da revelação feita por aquela jovem, as imagens daquele sonho que tivera dias antes começaram a fluir na minha mente: "Há um dardo apontado para você". Sim, Satanás investira contra mim, e era exatamente sobre aquilo que o Senhor me avisara. A partir daquele momento comecei a observar de perto todos os movimentos daquela jovem com respeito a minha pessoa. Descobri que o seu mau humor devia-se ao fato de não haver correspondência de minha parte aos seus sentimentos. Não tendo mais
nenhuma dúvida sobre seus sentimentos em relação a mim, resolvi conversar com ela para pôr fim naquele ardil do Diabo. Ela ficou embaraçada, pareceu ser pega de surpresa com minha posição firme em abortar aquele sentimento, mas por fim desistiu de sua fantasia. Aquele dardo inflamado do Diabo fora apagado. O Senhor me deu a vitória.
Estou convencido de que forças espirituais são as grandes responsáveis pela queda de muitos obreiros, muito mais do que temos imaginado. Em geral, a nossa compreensão desses fatos é tirada de algumas conclusões meramente circunstanciais.
Precisamos enxergar mais longe. Jack Halford, pastor de uma grande igreja pentecostal nos Estados Unidos da América, chama de batalha espiritual aquilo que um analista comumente denomina de transferência:

A maior batalha de toda a minha vida espiritual foi talvez travada na época em que tomei o importante compromisso de entrar na esfera da plenitude do poder e busca do Espírito Santo. Foi no início do meu ministério e sem o mínimo interesse da minha parte em "ter um caso" que, devagar, mas definitivamente, encontrei-me numa armadilha espiritual. Meu casamento era sólido e meu compromisso com Cristo e com a pureza espiritual era forte. Mas meu envolvimento freqüente com uma mulher de igual dedicação evoluiu para uma afinidade que, com o tempo, passou de amizade a uma paixão quase adúltera.
Durante aqueles dias sombrios de uma tentação sexual a que nunca me rendi, lutei muito em oração contra os tentáculos emocionais que estavam buscando estrangular minha alma e me arrastar para o pecado. Sozinho em casa, clamava a Deus — freqüentemente com surtos de linguagem espiritual que brotavam em intercessão pelo meu desamparo. Só posso louvar a graça e a soberania da misericórdia de Deus, por ter sido poupado da perda da minha integridade, casamento, ministério — minha vida!"1
Ao denominar sua experiência de armadilha espiritual, Halford interpretou corretamente a natureza desse conflito. Só teremos alguma chance diante de uma guerra dessa magnitude, se possuirmos a consciência de que ela está sendo travada em outro plano — nas regiões celestiais (Ef 6.12).
Isso, no entanto, não é uma forma de nos eximir de nossa responsabilidade moral, pondo a culpa somente no Diabo. Falaremos
mais adiante sobre a voluntariedade de nossas ações como uma condição necessária para que sejamos culpados ou inocentados moralmente. Somos feitos por Deus seres livres e com capacidade
de escolha. Todavia, não podemos esquecer de que "Não temos que lutar contra carne e sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais" (Ef 6.10-12).
Sim, as Escrituras afirmam enfaticamente que o Diabo está em oposição não somente aos obreiros, mas a todos os crentes. Essa oposição, no entanto, não deve ser entendida como sendo sinônimo de domínio. Para que não fique a impressão de que estou dizendo que os demônios tem super poderes sobre os crentes, estarei colocando no final deste livro dois apêndices que fazem parte de um texto que escrevi tempos atrás sobre esse assunto.4 No Apêndice A, procurei mostrar que é completamente equivocada a crença que dá super-poderes aos demônios. Deve ser observado ainda que uma coisa é o cristão ser influenciado pelos demônios, outra, completamente diferente, é os demônios possuírem o crente. No Apêndice B, procuro mostrar também um correto entendimento sobre a natureza do pecado, a fim de que não o subestimemos. O crente não pode denominar de operação demoníaca aquilo que as Escrituras chamam de obras da carne.
Precisamos separar o joio do trigo e saber também que somos agentes morais.


Notas
1 Os nomes aqui são fictícios, mas a história é verídica.
2 "Designa em psicanálise, o processo pelo qual fantasias inconscientes
se atualizam no decorrer da análise e se exteriorizam
na relação com o analista" (DORON, Roland & PAROT, J.
Figueroae. Dicionário de Psicologia. Ed. Ática, São Paulo SP, 1998).
3 HAIFORD, Jack. A Beleza da Linguagem Espiritual. Editora
Quadrangular, São Paulo — SP, 1996.
4 GONÇALVES, José. Sabes o Grego? — Tira Dúvidas de

Grego Bíblico. Edições do autor, Altos — PI, 2001.