Bem-vindo ao meu blog

Desejo que todos sejam ricamente edificados quando por aqui passarem.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

MMA, UFC - O ESFRIAMENTO DA IGREJA

DE BARRIGA CHEIA

"A alma farta pisa o favo de mel, mas a alma faminta todo amargo é doce" (Pv 27.7).


A igreja evangélica brasileira tem entrado em um processo generalizado de esfriamento. O esfriamento está presente desde o púlpito até aos bancos! Tudo parece frio! Há pastores frios, há membros frios também! Muitos cultos parecem apáticos e sem vida! Por quê? Porque a igreja está com a barriga cheia! Há centenas de crentes que não apresentam mais apetite para o sagrado porque suas barrigas estão cheias das iguarias e baboseiras do mundo!
Basta ver algumas postagens no face para perceber isso! Como pode uma igreja ser quente espiritualmente se a preocupação dos seus membros, e de seus pastores também, é com a lutas de MMA e UFC! Como pode o Espírito Santo se manifestar numa igreja onde seus membros ficam até tarde da noite para vibrarem com as agressões violentas apresentadas nesses espetáculos, que se travestem de esporte! Não vejo e nunca vi MMA, UFC como esportes, mas com uma manifestação das obras da carne (Gl 5).

Quando os crentes estão com a barriga cheia, o mundo costumam ver o Evangelho apenas como:
1. UM PRODUTO CULTURAL - Uma igreja mundanizada, onde os seus membros dizem que vão fazer churrasco para comemora um incrédulo massacrar um outro, não pode esperar que o mundo a veja como igreja de Cristo. O mundo a verá apenas mais como uma manifestação cultural como as dezenas que ele já conhece. É uma igreja, fria, sem sal e sem luz. Coitada da sociedade que está cercada de uma igreja assim. Morrerá pagã, e irá para o inferno porque esta igreja não lhe pregará o verdadeiro evangelho por ser anêmica!

2. NÃO VERÁ NADA DE NOVO NA PREGAÇÃO - O evangelho pregado por esse tipo de igreja e por seus pastores é um evangelho contextualizado, não segundo a Bíblia, mas segundo o mundo. Ele se ajusta a modelo mundano para poder gozar também dos seus prazeres. A pregação é filosófica, sociológica e psicologicamente adaptado ao consumo público. É um tipo de pregação que não fala em pecado, não denuncia o MMA e o UFC como paganismo porque é comprometido com ele. Não denuncia o divórcio porque seus pastores são divorciados; não denuncia o suborno porque seus pastores e seus membros também subornam. É uma pregação que em nada difere do mero discurso!

3. NÃO PASSA DE MAIS UMA FORMA ALTERNATIVA DE EVANGELHO - É um evangelho cansado! É similar e genérico. Tanto faz como tanto fez, porque há outras formas que podem substituí-lo. Para que um pastor como conselheiro se um psicólogo pode fazer o mesmo? Não trata com o pecado, mas apenas com seus efeitos, suas manifestações. Esquece que o problema do homem não meramente psicológico, mas espiritual.


Que Deus tenha misericórdia de nós.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Podemos mandar, exigir ou determinar alguma coisa a Deus?

PETIÇÃO OU DETERMINAÇÃO?


Esse ensino se tornou mais um modismo no meio evangélico, sendo fácil encontrá-lo tanto nas mensagens de grandes pregadores como de cantores.
É um fato também que esse ensino tem causado muitas controvérsias; nem sempre os crentes têm entendido a suposta diferença entre !petição" e "determinação". Há relatos de crentes que migraram para outra igreja por entenderem que a sua igreja de origem ocultou-lhes a verdade, não lhes ensinando a importante doutrina da "determinação".
Sabedor das dificuldades que esse ensino tem causado na comunidade evangélica, R.R. Soares tem, ultimamente, tentado suavizá-lo. É o que percebemos quando um dos seus leitores indaga na Revista Show da Fé, na seção "minha resposta".
Em João 14.13,indaga o leitor, está escrito: " E tudo quanto pedirdes em meu nome, eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho". Dizem que a tradução correta não é PEDIRDES, mas DETERMINARDES. Se isso é verdade, a pessoa pode determinar que o mal saia de sua vida ou ocorra uma bênção profissional ou material? A pessoa pode determinar aquilo que quiser?"

Ali, Soares respondeu:

" O âmago dessa questão não é, simplesmente, uma questão de tradução - se é "pedir" ou "determinar", mas aquilo que é pedido ou determinado. Toda promessa bíblica é verdadeira e autêntica, pois aquEle que a faz é a Verdade (Jo 14.6; 17.17). Nosso equívoco, muitas vezes, é não prestar atenção no contexto da promessa em que estão colocadas as condições necessárias para que a bênção se cumpra. Nesse caso, o contexto começa no versículo 12: "Na verdade, na verdade vos digo que aquele que cr~e em mim também fará as obras que eu faço e as fará maiores do que estas, porque eu vou para meu Pai" (Jo 14.12). Ou seja, aquilo que determinamos se realizará, pois será para fazer a obra de Deus, e não para satisfazer o nosso ego ou nossa ganância. Sobre isso, o apóstolo Tiago não podia ser mais direto, quando disse: "Cobiçais e nada tendes; sois invejosos e cobiçosos e não podeis alcançar, combateis e guerreais e nada tendes, porque não pedis. Adúlteros e adúlteras, não sabeis vós que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto, qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus" (Tg 4.2-4b). O restante do contexto da maravilhosa promessa aludida na pergunta está na frase final dela mesma: "Para que o Pai seja glorificado no Filho". Algo que não glorifique ao Pai na pessoa do Senhor Jesus Cristo jamais se tornará realidade como cumprimento da Palavra, pois a bênção somente ocorre quando promove a glória devida ao Senhor. Jesus ensinou isso quando vinculou a necessidade de estarmos nEle e sua Palavra em nós, para que nossa oração fosse sempre respondida afirmativamente: "Se vós estiverdes em mim, e as minhas palavras estiverem em vós, pedireis tudo o que quiserdes, e vos será feito" (Jo 15.7).

Na resposta dada por R.R. Soares, fica evidente que há uma tentativa de se minimizar a celeuma criada por esse ensino no meio evangélico. Todavia, Soares já havia escrito em seu livro COMO TOMAR POSSE DA BÊNÇÃO, como de fato ele entende essa passagem:
Ali, ele escreveu:

"AQUI ESTÁ A GRANDE REVELAÇÃO. ESTA PALAVRA PEDIRDES ESTÁ MAL TRADUZIDA. DEVERIA TER SIDO TRADUZIDA POR DETERMINARDES. O VERBO TRADUZIDO DA LÍNGUA GREGA POR PEDIR TEM O SENTIDO DE DETERMINAR, EXIGIR, MANDAR. EM OUTRAS PALAVRAS, NÃO PRECISAMOS PEDIR AO SENHOR A BÊNÇÃO, E SIM EXIGIR QUE ELA SE MANIFESTE EM NOSSA VIDA. AQUI RESIDE PRATICAMENTE METADE DO SEGREDO DO SUCESSO NA VIDA ESPIRITUAL. EXIGIR A BÊNÇÃO QUE, SEGUNDO A PALAVRA, JÁ É NOSSA, É SIMPLESMENTE CONCORDAR COM O SENHOR E NÃO DEIXAR O DIABO FICAR COM AQUILO QUE NOS PERTENCE".
 .
Esses comentários contraditórios de Soares acabam por deixar o leitor confuso, pois enquanto um afirma uma coisa, o outro contradiz totalmente o que foi dito anteriormente. 
Não me entenda mal, não tenho nada contra a pessoa de R.R. Soares, a meu ver entre os neopentecostais ele é o que menos inovações apresenta. Todavia acredito que sua doutrina precisa ser corrigida em alguns pontos, como, por exemplo, o que está sendo feito aqui.

Pois bem, será que de fato nossas Bíblias traduzem esse termo equivocadamente? O correto é "pedir" ou "exigir" algo a Deus?

o verbo grego AITEO traduzido em nossas Bíblias com PEDIR ocorre 70 vezes no texto grego. Em nenhuma passagem do Novo Testamento grego essa palavra possui o sentido de DETERMINAR, MANDAR OU EXIGIR. O clássico dicionário do Novo Testamento grego de Vine, citado frequentemente por Kenneth Hagin e R.R. Soares, por exemplo, comenta esse termo da seguinte forma: "Pedir (aiteo), se deve distinguir de EROTAO. Sugere com maior frequencia A ATITUDE DE UM SUPLICANTE, a petição de UM INFERIOR EM RELAÇÃO AQUELE A QUEM SE DEVE FAZER A PETIÇÃO, por exemplo, no caso de homens pedindo algo a Deus (Mt 7.7); de um filho a um progenitor (Mt 7.9); de um súdito a um rei (At 12.20); dos sacerdotes e o povo a Pilatos (Lc 23.23); de um mendigo a um viajante (At 3.2). Por outro lado, Etelbert Bullinger em seu léxico grego analítico traduz como "rogar", "implorar", "suplicar", acrescentando: "IMPLICA UMA DISTINÇÃO EM POSIÇÃO E CIRCUNSTÂNCIA ENTRE AS PARTES, E EXPRESSA A PETIÇÃO DE UM INFERIOR PARA UM SUPERIOR".
Há outras passagens que ilustram isso:"E qual o pai dentre vós que, se o filho lhe pedir (aiteo) um peixe, lhe dará em lugar de peixe uma serpente?" (Lc 11.11). Aqui fica claro que o filho não "determina", não "exige", nem tampouco "ordena" que seu pai lhe dê um peixe. Em Mateus 20.20 está escrito: "Então, se aproximou dele a mãe dos filhos de Zebedeu, com seus filhos, e, adorando-o, e fazendo-lhe um pedido (aiteo). Não podemos aceitar a ideia de que a mulher de Zebedeu estava "determinado" a Jesus, quando glorificado, que permitisse que seus filhos se sentassem um a sua direita e outro a sua esquerda. Por duas razões: primeira, o texto é claro em dizer que ela "adorando-o" pediu. Isso significa atitude de reverência e súplica, e me segundo lugar porque o pedido não foi atendido.

A ideia, portanto, de usar esse verbo com o sentido de "determinar", "mandar", "ordenar" não é bíblica. Os eruditos põe sempre commo primeiro significado de AITEO o termo "pedir" ou "suplicar"; outros observam que é "no grego profano", que AITEO signfica também "exigir". Foi desse último significado que o norte-americano P.C. Nelson extraiu a ideia de "exigir" passando posteriormente para Kenneth E. Hagin e deste para R.R. Soares, culminando na doutrina da determinação ou do direito legal dos crentes. 
Acredito que o cristão deve sim ser determinado em sua fé e específico em suas orações, mas isso não lhe dá o direito de exigir de Deus nenhuma de suas bênçãos como se Ele tivesse ficado prisioneiro de leis que criou. Para recebermos a concretização das promessas que Deus nos prometeu não necessitamos de nenhum mantra, mas apenas da fé inabalável em sua santa Palavra. 


(Extraído do meu livro: DEFENDENDO O VERDADEIRO EVANGELHO, CPAD, 2009, pp.171-174).

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

A Terra Manda no Céu?

Com a ascensão da chamada teologia da prosperidade, o texto de Mateus 16.19 ganhou ênfase especial: “E eu te darei as chaves do Reino dos Céus, e tudo o que ligares na terra será ligado nos Céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos Céus”. Baseados nessa passagem bíblica, alguns pregadores adeptos da teologia da prosperidade começaram a “determinar” e até mesmo “mandar em Deus”. A lógica parece perfeita: se o que eu ligo aqui na terra será ligado no Céu, então parece bastante obvio que a terra manda de fato no Céu. É só determinar e pronto! Esse ensino tem provocado atitudes absurdas. Por exemplo: Para que gastar longas horas em oração, se podemos simplesmente “determinarmos” que Deus faça isso ou aquilo? Para que suplicar algo a Deus, se Ele tem o “dever” ou até mesmo a “obrigação” de endossar o que se determina?

Outro dia eu andava por um bairro da periferia da minha cidade e fiquei surpreendido com uma cena que presenciei. Encontrei duas jovens pertencentes a uma dessas igrejas praticantes da “Teologia da Determinação”. Elas estrategicamente se moviam de um lado para o outro da rua. Aproximei-me e as indaguei o que estavam fazendo ali. A mais velha disse-me que estavam “determinando” a saída de satanás daquela área! Aquele episódio deixou-me perplexo, pois aprendi pela Bíblia Sagrada que a melhor maneira de fazer o diabo ir embora de um lugar é através da ação evangelística da igreja: “Então saíram e pregaram que todos se arrependesse; e expulsavam muitos demônios” (Mc 6.12,13). A pergunta, portanto, é: “Qualquer coisa que fizermos aqui será endossada pelo Céu?”

ANÁLISE EXEGÉTICA

Primeiramente, vejamos as duas formas diferentes como esse texto do Evangelho de Mateus tem sido traduzido em nossas versões em português:

a) Almeida Revista e Corrigida (ARC) – “E eu te darei as chaves do Reino dos céus, e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus”.

b) Almeida Revista e Atualizada (ARA) – “Darte-ei as chaves do reino dos céus, o que ligares na terra terá sido ligado nos céus; e o que desligares na terra será sido desligado nos céus”.

No original grego, as expressões éstai dedeménon (ligar) e éstai lelyménon (desligar) são um perfeito perifrásico. No grego, o tempo perfeito indica uma ação ocorrida anteriormente, mas com reflexos no presente. Ao comentar o sentido do uso do perfeito perifrásico nesse texto, o especialista D.A Carson diz que, nessa passagem, estamos diante de uma “questão paradigmática”, e comenta: “Neste caso, questões paradigmáticas realmente rompem barreiras e fazem a evidência decididamente perder para a tradução ‘b’’’. Em palavras mais simples, Carson traduz esse texto como “Terá sido ligado/terá sido desligado” (Carson, D.A. A Exegese E Suas Falácias –perigos na interpretação da Bíblia, op.cit.). Da mesma forma, a Chave Lingüística do Novo Testamento Grego, ao comentar essa passagem, afirma: “Esta construção é futuro perfeito passivo parifrásico traduzido como ‘terá sido amarrado’, ‘terá sido solto’’’. E ainda observa: “É a Igreja na terra levando a efeito as decisões do Céu e não o Céu ratificando a decisão da Igreja”.


O SENTIDO CORRETO


Thomas ice e Robert Dean, ainda sobre esse texto, acrescentam: “Uma tradução que reforça esse sentido do original grego diria o seguinte: ‘Eu lhe darei as chaves do Reino dos Céus, mas o que você ligar na terra será aquilo que já foi ligado no Céus, e o que você desligar na terra será aquilo que já terá sido desligado nos Céus’’’. “Pedro deveria ligar coisas na terra, mas somente aquilo que já tivesse sido ligado no Céu. Pedro deveria estabelecer o padrão terreno de entrada no Reino do Céu, baseado no padrão que Deus já estabeleceu no Céu. Pedri deveria ser um mediador da Plavra de Deus entre Deus e o homem, esse padrão é o que Pedro afirmou em Mateus 16.16, que Jesus é ‘o Cristo, o Filho do Deus vivo’’’ (ICE, Thomas & Dean Jr Robert. Triunfando na Batalha. Editora Chamada da Meia Noite. Rio Grande do Sul, RS).


A NECESSIDADE DA APOLOGÉTICA
Como vemos, são interpretações equivocadas de passagens como a de Mateus 16 que provocam heresias e confusão na vida de muitos cristãos. Isso mostra a necessidade da praticar apologética em nossos dias. A defesa da fé evangélica bíblica se constitui uma das razões que justifica a necessidade da apologética. O teólogo Norman Geisler, em sua Enciclopédia de Apologética, enumera razões que justificam a necessidade da apologética:

1) Deus a ordena – Geisler argumenta sobre 1 Pedro 3.15,16: “Estar pronto não é só uma questão de ter a informação correta à disposição, é também a atitude de prontidão, e vontade de compartilhar a verdade sobre o que acreditamos”.

2) A Exigência da Razão – É pelo raciocínio que os humanos se distinguem dos “animais irracionais” (Jd v.10).

3) A necessidade do Mundo – As pessoas se recusam a crer em sem provas. Evidencias da verdade deve preceder a fé.

Há uma estreita relação entre apologética e as ciências da interpretação. Qualquer apologia que não se alicerça na hermenêutica e na exegese bíblica não pode ser considerada como apologia confiável. Por um lado, a hermenêutica é a ciência da interpretação e por outro, a exegese é a aplicação dos princípios da hermenêutica.

A exegese tem, portanto, o objetivo de extrair de um texto o Maximo do pensamento do autor. No dizer de Gordon D. Fee, “é descobrir qual era a intenção original das palavras da Bíblia.

José Gonçalves da Costa Gomes é pastor no Piauí, conferencista, bacharel em Teologia, Graduado em Filosofia, Professor de Grego, Hebraico, Teologia Sistemática e Religiões Comparadas, e membro da comissão de apologética da CGADB


quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Sábios conselhos para um viver vitorioso



José Gonçalves



Os livros de Provérbios e Eclesiastes, ambos da autoria de Salomão, são classificados como “Literatura Sapiencial”, isto é, de Sabedoria. São livros recheados de conselhos e máximas que revelam um saber divino para vida cotidiana!
O propósito do livro de Provérbios está declarado nos seis primeiros versículos do capítulo primeiro. Esses versículos nos revelam que o propósito do livro é produzir sabedoria e fazer com que seus leitores aprofundem-se mais ainda na verdadeira sabedoria. Por outro lado, o livro de Eclesiastes, ao contrário do que muitos pensam, não apresenta uma espécie de ceticismo ou desencanto com a vida. O livro revela sim, a avaliação feita por alguém que teve o privilégio de viver a vida com intensidade e descobrir que a mesma é totalmente vazia se não vivida em Deus!
Vejamos, pois, de uma forma panorâmica os principais temas abordados nesses livros:

1.      Sexo

O livro de Provérbios tem muito a dizer sobre a sexualidade. Nos Provérbios a sexualidade humana é uma dádiva divina. Uma boa parte dos conselhos de Salomão diz respeito a sexualidade humana e a sua forma correta de expressão. Assim sendo ele dedicou boa parte de três capítulos do seu livro para falar de uma forma profunda sobre o sexo e os desvios aos quais ele está sujeito (Pv 5.1-23; 6.20-35; 7.1-27; 9.13-18). Por outro lado, a sexualidade também é algo próprio do homem. Somos humanos e o sexo faz parte de nossa natureza humana e é por isso que estamos sujeitos à tentação! No céu na haverá necessidade da expressão sexual (Mt 22.30) por isso devemos buscar expressar nossa sexualidade com amor dentro dos limites estabelecidos pelo criador.
2.      Trabalho

A princípio convém dizer que a ideia de prosperar e enriquecer por outros meios que não seja o trabalho é completamente estranho à Escritura. O Deus da Bíblia faz prosperar, mas ele o faz através do trabalho (Dt 8.18). No livro de Provérbios há muitas metáforas para ilustrar a natureza do trabalho e a nossa relação com ele. Por exemplo,  a metáfora do celeiro e do lagar, representa uma vida abundante! Uma vida com fartura! Na metáfora das formigas, o Sábio nos exorta a tomarmos uma atitude frente a realidade da vida. Aqui esses insetos nos ensinam sobre a necessidade da tomada de atitude e também sobre economia doméstica (Pv 6.6-8). Na metáfora do preguiçoso e do leão, aprendemos que não adianta arrumar desculpas para fugir do trabalho. Em uma outra metáfora, a dos espinheiros, aprendemos que precisamos enfrentar as lutas da vida.
3.      Dinheiro

O livro de Provérbios tem muito a dizer sobre o dinheiro, principalmente sobre as práticas da fiança e do empréstimo. “Quem fica por fiador de outrem sofrerá males, mas o que foge de o ser estará seguro” (Pv 11.15). Precisamos tomar cuidado em ser fiador ou avalista de alguém! Por outro lado, precisamos tomar cuidado também com a prática de empréstimos. Podemos emprestar ou tomar emprestado e não há nada de errado nisso desde que se cumpra com o compromisso firmado. Salomão também fala sobre a usura ou agiotagem.  Lamentavelmente há muita gente crente lucrando por meio da usura ou agiotagem. Emprestam dinheiro a juros exorbitantes! E o que é mais grave – alguns desses agiotas são obreiros! Já ouvi histórias de irmãos que tiveram seus bens confiscados e espoliados por obreiros porque não conseguiram pagar os juros estratosféricos cobrados. Alguns perderam lojas ainda outros perderam veículos. É lamentável que isso possa ocorrer no meio do povo de Deus.

4.      Língua

Salomão tem muito a dizer sobre a língua! Convém dizer as palavras não tem vida própria. Uma tendência bíblica, que é o de dar vida às abstrações e personificá-las tem levado muitos ao equívoco de pensar que as palavras tem existência independente de Deus e do homem. Não, não tem! A Palavra de Deus é poderosa porque foi Deus quem a disse ou que mandou falar, mas não porque tenham vida independente do próprio Deus (Sl 107.20; Is 9.8). Da mesma forma as palavras humanas não tem poder em si mesmas (Sl 85.11; 107.42; Jó 5.16; 11.14; 19.10).  Por outro lado, dependendo do contexto onde são faladas e por quem são faladas e ainda por quem as ouve, as palavras podem machucar, ferir ou até mesmo matar.

5.      Família

Há duas coisas básicas que devemos observa numa família quando o assunto em pauta é a educação dos filhos. O primeiro é que educar não é satisfazer vontades, mas atender necessidades. Uma criança pode ter vontade de comer chocolate o dia todo, mas o que ela realmente precisa é de arroz, feijão, carnes, etc, para que tenha o seu crescimento saudável. É preciso que se estabeleça limites não somente na área da alimentação, mas principalmente na área dos valores morais e espirituais. Em segundo lugar, educar exige correção,mas  não agressão! Muitos pais são totalmente omissos na educação dos filhos e quando querem educar recorrem a agressão física para fazer valer sua autoridade.

6.      Humildade e arrogância
O livro de Provérbios se refere por diversas vezes aos termos contrastantes: “humildade” e “arrogância”, mas sempre dentro do contexto das interações humanas.  Dessa forma para se conhecer quem é o sábio, o autor de Provérbios põe no cenário como figura contrastante, o insensato. Mas Provérbios vai mais além – tanto a humildade como a arrogância serão melhor compreendidas quando se observa, além do sabido versus o insensato, também figuras contrastantes como: o justo versus o injusto; o rico versus o pobre e o príncipe versus o escravo. 
7.      Mulheres
O poema de Provérbios 31.1-31 consegue nos fazer enxergar qual é o verdadeiro valor da mulher e dessa forma serve de manual como a mesma deve ser tratada. Mas uma coisa fica logo em evidência – o Sábio não fala de qualquer mulher! Não, ele fala da mulher virtuosa, aquela que possui virtudes e valores morais e espirituais.  Uma mulher que teme a Deus. Essa “Mulher Virtuosa” de Provérbios 31.1-10 contrasta com a “Mulher Vil” de Provérbios 11.22. Ao contrário da Mulher Virtuosa, a Mulher Vil é totalmente desprovida das virtudes e valores morais. Ambas são chamadas de “formosas”, mas a formosura da mulher Virtuosa é mais de natureza ética do que estética. É mais interior do que exterior. Ela tem em Deus a fonte de tudo isso! É por isso que ela merece ser ovacionada.
Se há sete temas específicos sobre os quais Salomão dar conselhos nos Provérbios, em seu livro de Eclesiastes encontramos pelo menos cinco deles:
1.      O uso do tempo

Salomão fala primeiramente sobre a transitoriedade da vida.  A vida é efêmera, passageira (Ec 1.4). Sendo vida tão curta, “que proveito tem o homem de todo o seu trabalho, com que se afadiga debaixo do sol?” (Ec 1.3). É o que o Pregador procurará responder. Muitos procuram driblar e viver fugaz com as mais várias formas de satisfação. Há aqueles que acham que possuir muita sabedoria resolveria o problema (Ec 1.16-18; 2.12-16);  enquanto outros buscam no prazer essa mesma resposta (Ec 2.1-3); ainda outros procuram compensar isso com uma vida cheia de posses (Ec 2.4-11) e por último há aqueles que buscam suas realizações no próprio trabalho (Ec 2. 17-23).  Tudo é vaidade! O centro de realização e satisfação não está nessas coisas.

2.      Obrigações, votos e orações.
Salomão discorre no capítulo 5 de Eclesiastes sobre a adoração em um contexto onde se contrastam a obrigação e a devoção.  Como devotos temos direitos, mas também possuímos deveres. E essas obrigações não se limitarão apenas ao mundo religioso, mas também ao universo político-social. Eclesiastes mostrará que essas obrigações serão melhores compreendidas quando vistas à luz dos os atributos de Deus, tais como: Santidade, transcendência e imanência.  Essas obrigações, portanto, são de natureza político-social e também espiritual. Diante dos homens e também diante de Deus.
3.      O justo e o ímpio
Uma das constatações feitas por cristãos piedosos ao longo da história é a de que os justos sofrem e os ímpios prosperam. Essa verdade vem confirmar as palavras de Salomão. Mas como Salomão, os cristãos piedosos chegaram a conclusão que a justiça é sempre melhor do que a injustiça e é preferível ser sábio do que estulto. E isso por uma razão bem simples – seremos medidos pela régua da eternidade e não pelas contingências da vida.
4.      Empreendedorismo e missões

Salomão exorta seus leitores sobre a necessidade de se tomar uma atitude na vida e os convida a lançar o pão sobre as águas. Para ele nada adiantava ficar parado vendo a vida passar. Era preciso viver a vida com atitude e propósito. O sábio está dizendo: vá, não fique aí parado! Viva a vida com propósito! Viva a vida com uma atitude. Por outro lado, somos embaixadores ou representantes de Deus numa missão oficial (Is 6.8; Jr 1,7; Ez 2.34; Jz 6.8).

5.      Temor a Deus

            Na conclusão das suas reflexões sobre o viver debaixo do sol, Salomão faz uma reflexão contrastante sobre a vida e seus diferentes momentos. São estágios bem definidos: Juventude e velhice; alegria e tristeza; vida e morte; presente e futuro; o temporal e o eterno. Ele fala da juventude, mas é a partir de uma análise nua e crua da velhice. Fala da vida, mas é com os olhos fitos na morte; ele fala do presente, mas é a partir do futuro; fala do temporal, mas seus olhos estão voltados para o eterno; fala da criatura, mas seu alvo é o Criador; fala do nosso aprazimento aqui, mas sem perder de vista o julgamento final.




José Gonçalves, pastor da Assembleia de Deus em Água Branca, Piauí, escritor e comentarista de Lições Bíblicas de Jovens e Adultos da CPAD.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Batismo no Espírito Santo - perguntas e respostas

Pentecostalismo – Perguntas e Respostas
Por José Gonçalves


 Nos Seminários por mim já referidos neste livro fui interrogado sobre os mais variados aspectos da doutrina pentecostal. Querendo oferecer uma resposta sucinta, mas clara resolvi pô-las aqui. Devido ao espaço nem todas as perguntas feitas puderam ser postas neste artigo. Todavia aquelas que achei mais importante foram catalogadas. 1º - “Todos podem ser profetas?” J.I.O.C A pergunta na verdade deve ser feita dessa forma: “todos podem profetizar?”. Neste caso a resposta é sim. As Escrituras apóiam essa assertiva: “por que todos podereis profetizar” (1 Cor 14.31). Sim todos podem ser usados no dom de profecia, mas nem todos podem exercer o ofício profético. Acerca do cargo de profeta, como um ofício, a Bíblia diz que Deus concedeu “uns para profetas” (Ef 4.11). Ágabo exercia o ofício profético, mas as filhas de Filipe, o evangelista, profetizavam. (At 21.9,10) 2º - “Os que profetizam devem ser submissos à liderança local da igreja?” Irmão Vito. Em nenhum lugar do Novo Testamento encontramos alguém profetizando “a granel” e fora da orientação da liderança local da igreja. Ágabo, por exemplo, “dava a entender pelo Espírito que estava para vir grande fome” (AT 11.28). Esse profeta neotestamentário foi usado por Deus para prevenir a liderança local sobre uma grande fome que segundo Lucas “sobreveio nos dias de Cláudio” (At 11.28b). Ele tinha o respeito de toda a igreja inclusive do apóstolo Paulo (At. 21.10-13). A prática de ser um profeta “independente”, isto é, sem estar submisso á liderança local de uma igreja não conta com respaldo bíblico. 3º - “Qual a diferença entre orar “com” Espírito e orar “pelo” Espírito?”. Em sua primeira epístola aos Coríntios, Paulo diz: “Orarei com o Espírito, mas também orarei com a mente” ( 1 Co 14.15). O texto grego permite ambas as traduções. Se optarmos em entendermos a expressão proseuksomai tô peneumati como um locativo grego, então a melhor tradução é “no espírito”, isto é, o nosso espírito humano quem ora por influencia do Espirito Santo. Por outro lado se entendermos a mesma expressão como um caso instrumental grego, então a tradução melhor será “pelo Espírito”, numa referencia ao Espirito Santo. Isto porque as terminações dos casos gregos locativo e instrumental são iguais. Nesta passagem, porem, a Almeida Revista e Atualizada (ARA), seguiu o contexto e traduziu corretamente como “ orar com o espírito”, visto que nos versículos precedentes Paulo havia dito “o meu espírito ora”. 4º - “Paulo fala em melhores dons (1 Cor 12.31). Há dons melhores do que outros?”. A.S. Paulo fala em “melhores dons” no contexto onde a edificação da igreja deve ser o critério principal. Nesse sentido ele exorta aos Coríntios a “buscar com zelo os dons espirituais, mas principalmente que profetizeis” (1 Cor 14.1). Para ele a profecia era o melhor dom porque edificava o maior número de crentes. É nesse sentido que devemos entender a palavra meizona (maiores), conforme aparece no texto grego da United Bible Societies. 5º - Como descobrir em qual (s) dons Deus quer nos usar? Primeiramente você deve seguir a recomendação bíblica e “buscar com zelo os dons espirituais” (1 Cor 14.1). Quando o Senhor lhe agraciar com seus dons, então você saberá que os recebeu. Paulo ao escrever a Timóteo exortou-o a não se fazer “negligente para com o dom que há em ti, o qual te foi concedido mediante profecia, pela imposição de mãos do presbitério” ( 1 Tm 4.14). Em sua segunda carta Paulo deixa outra vez claro que Timóteo deveria “reavivar” o dom de Deus que estava nele. (2 Tm 1.6). Em ambas passagens fica evidente que Timóteo sabia quais dons de Deus havia recebido. Ele estava sendo exortado a exercitá-los. Wayne Grudem em sua Teologia Sistemática observa que esta regularidade dos dons na vida de um crente permite dizer que ele é o possuidor (administrador) daquele dom. 6º - “É possível que um crente que possuía um determinado dom, por conseqüência de falta de oração em busca do mesmo pode perdê-lo.” E.M.S. Já vimos que Paulo exortou a Timóteo a não “negligenciar” e “reavivar” o dom de Deus. A falta de oração é tanto uma forma de negligencia como também a melhor maneira de apagar o Espírito (1 Ts 5.19) 7º - “Uma certa doutrina diz que há nove tipos de línguas, e que devemos ter cuidado com elas para não sermos confundidos pela linguagem demoníaca. Eu gostaria de saber se isto é verdade”? I.F. Essa doutrina não possui nenhuma fundamentação bíblica. As Escrituras falam de “variedade de línguas” (gr. gene glosson), sem procurar quantificá-las. A heresia que diz que um crente pode receber um demônio e não Espírito Santo quando busca o batismo no Espírito Santo é contrária ao ensino bíblico. Jesus disse “assim o Pai celestial dará o Espírito Santo ao que lhe pedirem” (Lc 11.12-13). 8º - “É possível um crente profetizar sem ter sido batizado no Espírito Santo”. B.C.L. Deus pode usar a quem Ele quer. No VT Ele usou Saul para profetizar (1 Sm 10.11). No NT encontramos Caifás, o sumo sacerdote, também profetizando (Jo 11.15; 18.4). Todavia após o dia de pentecostes as profecias no NT acontecem em um contexto onde os crentes já haviam sido batizados no Espírito Santo. Em Atos 19.1-6 diz que “tanto falavam em línguas como profetizavam”. Primeiro o batismo no Espírito Santo, depois o exercício dos dons. 9º - “Porque crentes carnais falam em línguas”? O.F.B. Os dons de Deus são dados pela graça. Na igreja de Corinto, por exemplo, havia crentes carnais: “Eu, porém, irmãos, não vos pude falar como a espirituais, e sim com a carnais” ( 1 Cor 3.1), todavia era a igreja onde mais havia as manifestações pentecostais (1 Cor 12-14). O que deve ser observado é que o carnal precisa julgar-se a si mesmo e sair do domínio da carne para o do Espírito, pois, “os que estão na carne não podem agradar a Deus” (Rm 8.8). Se o crente carnal não se corrigir, Deus o corrigirá (1 Cor 11.28-32). Os dons espirituais não devem ser o critério de avaliação de maturidade, mas sim os frutos do espírito. 10º - “O exercício dos dons sem o amor é obra da carne?” Irmã Francisca Tudo o que não for feito por amor é obra da carne. Paulo diz que se “eu não tiver amor nada serei” (1 Cor 13.2). Os dons sem o amor fazem apenas barulho (1 Cor 13.1).Os dons são prova de inspiração, o amor de compaixão. (1 Cor 13.2). Os dons são prova de sobrenaturalidade, o amor de humanidade (1 Cor 13.2; 14.25). Nem todos podem possuir os mesmos dons, mas todos podem amar (1Cor 12.30). Os dons sem o amor são uma deformação (1Cor 12.17). Podemos ir para o céu sem dons, mas não sem amor (1 Cor 13.8). 11º - “Como podemos abusar dos dons?” A.P.P. Podemos abusar dos dons espirituais assim como podemos abusar das coisas naturais. Os capítulos 12 a 14 da 1ª Epistola aos Coríntios foram escritos para corrigir abusos. Ali os crentes estavam abusando do dom de línguas, isto é, o dom não estava sendo usado de uma forma que trazia edificação para toda a igreja. Recentemente a mídia exibiu uma igreja americana onde os crentes riam que rolavam pelo chão!. Alegrar-se no Senhor é bíblico (Fl 4.4), mas levar isso a extremos ao ponto de se tornar algo bizarro, sem dúvida é uma forma de abuso. 12º - “Só tem o Espírito Santo quem é batizado Nele? Então como ficam as referências de Atos 2.38 e 1 Cor 12.13? Como explicar isso? I.B.F. A Bíblia ensina que no momento que recebemos Jesus como Salvador o Espírito Santo vem habitar em nós (1 Co 3.16). Somos então selados nele (Ef 4.30). Nesse sentido a Bíblia diz que “quem não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é Dele” ( Rm 8.9). Todavia a experiência do Batismo no Espirito Santo não deve ser confundida com a regeneração. a) Os apóstolos já eram crentes antes do batismo no Espírito (Lc 24.49; At 1.13,14). b) Os Samaritanos já eram salvos antes do batismo no Espírito (At 8.14-17). c)Paulo recebeu a Cristo na estrada de Damasco e foi batizado no Espírito três dias depois sob o ministério de Ananias (At 9.17-19). d) Os doze homens de Éfeso já eram crentes, mas somente receberam o Espírito Santo após a oração de Paulo (At 19.1-6). 13º - “Existe base bíblica em At 2 para o batismo no Espirito Santo como o conhecemos hoje? Em caso positivo, como os ouvintes entendiam tudo sem interpretação? Manuel No capítulo 2 de Atos dos Apóstolos os 120 crentes falam em línguas desconhecidas para eles, mas conhecidas para aqueles que estavam presentes em Jerusalém e que haviam vindo de “outras nações” (At 2.5). “partos, medos, elamitas e os naturais da Mesopotâmia, Judéia, Capadócia, Ponto e Ásia, da Frígia, da Panfília, do Egito e das regiões da Líbia, nas imediações de Cirene, e romanos que aqui residem, tanto judeus como prosélitos, cretenses e arábios ( At 2.9-11). Foram essas pessoas que ouviram os discípulos falando nas línguas deles (estrangeiros) “as grandezas de Deus” ( At 2.11). Tanto as línguas referidas em Atos 2 como as citadas em 1 Coríntios 14 são as mesmas, diferenciando-se apenas no propósito. 14º “Qual a explicação correta sobre Mt 3.11-22 quanto ao “batismo com o Espírito Santo e com fogo”? Vasconcelos A partícula grega kai traduzia às vezes como “e” e outras como “também” aparece 9.018 vezes no texto grego. Ela é uma conjunção que liga uma palavra a outra. Alguns intérpretes entendem que João está falando de duas coisas diferentes, isto é, ele estaria se referindo ao batismo no Espirito Santo para os crentes e de um outro batismo de julgamento (com fogo) para os descrentes. Neste caso a conjunção seria melhor traduzida como “também”, sendo que o versículo ficaria assim: “Ele vos batizará com o Espirito Santo e também com fogo”. Todavia o contexto neotestamentário não parece favorecer essa interpretação, sendo que a melhor tradução é aquela que entende que Jesus “batizará como o Espirito Santo e com fogo”, isto é, o fogo faz parte da mesma experiência. É o que aconteceu em Atos 2 quando os discípulos foram batizados no Espírito Santo, o texto diz que foram vistas “línguas de fogo” (At 2.3). 15º - “Um amigo me disse que não fala em línguas por que o próprio Jesus não falou, portanto, não há necessidade mais dele falar. Isto está certo? L.F.V. As Escrituras dizem que o batismo no Espírito Santo com a evidência física do falar em línguas só ocorreria após a morte, ressurreição e glorificação de Jesus. “ Se eu não for, o Consolador não virá” (Jo 16.7); “Exaltado, pois, à destra de Deus, tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou isto que vedes e ouvis” (At 2.33). Não adianta tentarmos encontrar pessoas no Velho Testamento ou mesmo no Novo Testamento (antes da glorificação do Senhor Jesus) falando em línguas que não vamos encontrar.

Línguas - uma análise teológica e exegética

Glossolalia
Por José Gonçalves

 O falar em línguas desconhecidas como aparece no Novo Testamento é um fenômeno característico da Nova Aliança. A profecia registrada no Velho Testamento, prevendo o aparecimento desse fenômeno (Is 28.11), tem o seu cumprimento na efusão do Espírito Santo na igreja emergente (1 Co 14.21). Paulo diz que nesse caso as línguas constituíam um sinal de Deus para o mundo incrédulo. Quando o apóstolo Paulo escreveu à igreja de Corinto, instruindo-a sobre o falar em línguas, alguns anos já haviam se passado desde o dia de pentecostes. Foi nesse dia que Jesus cumpriu a sua promessa de batizar os crentes no Espírito Santo (At 1.5; 2.4). No dia de pentecostes o Espírito Santo foi derramado sobre os primeiros cristãos. De acordo com o registro sagrado fenômenos como “som de um vento impetuoso”, e “línguas como de fogo” (At 2.1-3) foram percebidos naquele dia. Mas além desses fenômenos, um outro: o falar em línguas desconhecidas prendeu a atenção dos que ali se encontraram (At 2.4-11). Desses fenômenos ocorridos com a vinda do Espírito Santo no dia de pentecostes, somente o falar em língua se repetiria em outras ocasiões (At 2.4; 10.44-46; 19.1-6). Não parece haver dúvida alguma que as narrativas de Lucas em Atos dos Apóstolos tencionam mostrar que o falar em línguas é uma marca distintiva da vinda do Espírito Santo. Não há como negar que as narrativas de Lucas têm um caráter didático. Ele mostra que foi assim em Jerusalém (At 2.4); na casa de Cornélio (At 10.44-46) e com os crentes de Éfeso (At 19.1-6). Em Samaria há também o registro dos apóstolos orando para que os samaritanos “recebessem o Espírito Santo” (At. 8.14-18). O texto não faz referência ao falar em línguas nessa ocasião, mas muitos eruditos acreditam que o fenômeno tenha ocorrido, sendo que a omissão do detalhe é apenas um recurso estilístico de Lucas. No seu livro de história da igreja ele costuma omitir informações que já deixou subtendido noutro ponto. Ao comentar essa passagem A. T Robertson diz que o texto deixa claro “que aqueles que receberam o dom do Espírito Santo falaram em línguas”. Robertson, considerado mundialmente como a maior autoridade em grego do século XX, observa que Simão viu o poder do Espírito sendo transferido aos outros, o que fez ele querer possuir esse novo poder. Fora do registro histórico de Atos, a epístola aos Coríntios deixa claro que o falar em línguas era uma experiência comum e esperada entre os primeiros crentes. De fato o tempo verbal grego, presente do indicativo, usado por Paulo em 1 Co 14.5 diz literalmente: “Quero que todos vós continuem com o falar em línguas” (gr. Thelo de panta lalein glossais). Paulo sabia que o falar em línguas era uma prática da igreja dos seus dias, e ele mesmo fazia exercício dela (1 Co 14.18). Na verdade esse dom ficou tão em evidência na igreja de Corinto que o apóstolo se viu no dever de dar regulamentação para seu uso. Corria o risco dessa manifestação do Espírito suprimir as demais (1 Co 12-14).


Línguas no Seminário Teológico

Línguas entre os intelectuais do Seminário Fuller.
Por Peter Wagner

 “Robert Tuttle é um estimado colega meu, um dos professores do Fuller Seminary e um ministro da igreja Metodista Unida. Seu dom são as línguas privadas. Diz ele: “Há ocasiões, em minha vida devocional, em que não mais consigo exprimir meu ‘interior’... É então que permito que o Espírito Santo ore por meu intermédio, em um idioma que nunca aprendi. Luto todos os dias com os idiomas bíblicos... Digo um idioma porque creio que se trata de uma língua. Meu vocabulário vai aumentando. Conheço bastante sobre idiomas para poder identificar a estrutura de sentenças. Meu idioma desconhecido, ou língua de oração tem pontos parágrafos, vírgulas e até exclamações. Trata-se de um dom maravilhoso”. Cinco postulados sobre o falar em línguas “Nem todos os estudiosos dos dons espirituais concordam que se trata de um idioma real. Alguns lingüistas profissionais têm gravado pessoas que falam em línguas, e têm dito que não conseguem perceber qualquer estrutura lingüística. Mas visto que não têm gravado todas as línguas, talvez aquelas que foram gravadas sejam apenas expressões extáticas (N. E.: linguagem sem estrutura formal conhecida. Expressões isoladas e repetitivas, acompanhada de êxtase emocional), ao passo que em outros casos, como no de Tuttle, estejam em, assim chamadas, línguas verdadeiras. Porém, penso que essa questão é meramente acadêmica, pois a função é a mesma, tanto no caso de expressões estáticas como no caso de idiomas devidamente estruturados. Essa função foi descrita por Harald Bredesen, pastor do North County Christian Center, em San Marcos na Califórnia, mediante alguns postulados: 1. “As línguas capacitam nossos espíritos a comunicarem-se diretamente com Deus acima e além da capacidade de compreensão de nossas mentes”. 2. “As línguas liberam o Espírito de Deus em nós”. 3. “As línguas possibilitam nosso espírito de assumir ascendência sobre a alma e o corpo”. 4. “As línguas são uma provisão de Deus para fazermos catarse, pelo que são importantes para a nossa saúde mental.” 5. As línguas satisfazem nossa necessidade de toda uma linguagem de adoração, oração e louvor”.


Recebendo o batismo no Espírito Santo

Evidência inicial
 Por Donald Gee,do livro: Como Receber o Batismo no Espírito Santo (CPAD)


 “Numa noite de quarta-feira, em março de 1913, toquei orgão no culto de meio de semana na igreja Congregacional (que terminava às 21h pontualmente), e depois corri para desfrutar do restante da reunião de Highbury New Park. Depois do término da reunião (aproximadamente às 22h30min), o irmão que vinha dirigindo o culto, um respeitável pastor irlandês, colocou-me à prova numa espécie de catecismo. - Tem certeza da salvação? - Sim - Já é batizado? ¬– Sim. - Já é batizado com o Espírito Santo? - Não. - Por que não? Expliquei-lhe a minha aversão a “espera” que pareciam uma eternidade. Ele incentivou-me dizendo que isso não era necessário. E, abrindo a sua Bíblia, leu para mim Lucas 11.13, e depois Marcos 11.24. Então perguntou-me se eu acreditava nesses versículos. Garanti-lhe que sim, e no momento em que demonstrei-lhe minha fé, era como se Deus jorrasse do Céu para o interior do meu coração, uma certeza absoluta de que essas promessas estavam sendo realmente cumpridas em mim. Não tive nenhuma manifestação imediata, mas fui para casa tremendamente feliz, tendo já recebido o batismo com o Espírito Santo “pela fé”, compreendi nitidamente, entretanto, o fato de que nessa experiência eu havia crido na Palavra de Deus, porque tratava-se de ma manifestação bíblica do Espírito, como no livro de Atos e, assim, eu cri totalmente e não pensei em mais nada. Desde aquele instante, minha alegria e satisfação foram intensas, até que aprendi, com dificuldade, como expressar-me na oração e louvor. A certeza de que Deus havia cumprido de fato sua promessa dava-me a convicção. Experimentei uma nova plenitude acima das palavras, e descobri que tornava-me cada vez mais difícil adequar à minha voz todo o louvor existente em minha alma. Essa situação continuou durante duas semanas aproximadamente, e então, numa noite, quando estava orando sozinho ao lado de minha cama, antes de ir dormir, e quando novamente não encontrei nenhuma palavra em inglês adequada para expressar o transbordamento de minha alma, descobri que estava começando a balbuciar palavras em uma nova língua. Eu estava numa condição de êxtase espiritual, e lancei-me inteiramente no Senhor. Pela primeira vez, eu, pessoalmente, senti a experiência registrada em 1 Coríntios 14.2. Um louvor crescente afluía agora em minha alma também nas reuniões, até que comecei a falar em outras línguas publicamente. Cantava muito em línguas também quando a pequena congregação era levada pelo Espírito Santo a esse fim durante nossos momentos de oração e adoração. Toda minha experiência cristã foi revolucionada. Eu não procurava mais aqui e ali por uma satisfação espiritual – eu havia encontrado. Todo o meu prazer estava na oração, no estudo da Bíblia e nos irmãos em Cristo.


Línguas desconhecidas - línguas vivas

Línguas desconhecidas - Thai puro
Por Jack Hayford

“Fico sempre surpreso ao receber notícias de algum novo canto do planeta onde chegaram fitas de áudio de meus ensinamentos. Com mais de três mil títulos distribuídos, num total entre um a dois milhões de cassetes, cenários poucos usuais e testemunhos emocionantes abundam. Um desses testemunhos foi enviado por um missionário batista na Tailândia, que tinha aprendido que a crença no falar em línguas não era para os nossos dias e que onde elas são ouvidas não passam de tagarelice sem sentido. O objetivo da carta não era focalizar as línguas, mas principalmente agradecer-nos pelo ministério da Palavra de Deus que estava trazendo força e encorajamento ao casal. Como um rodapé virtual, ele mencionaram de passagem: Inicialmente, em uma das fitas recentes, você falou em línguas no final da mensagem e depois fez a interpretação. Pensamos que estaria interessado em saber que parte da “linguagem” era Thai puro e a interpretação feita foi exata quanto ao significado das palavras em Thai”.


Línguas como evidência do batismo no Espírito Santo

Evidência inicial
Por Felipe Saint


“Durante mais de trinta anos eu havia defendido, com toda a lealdade, a “sã doutrina” que incluía a rejeição de tudo aquilo que agora aceitava. Minha reputação de fiel defensor da verdade era meu mais precioso tesouro. Agora, de repente, tinha de admitir o meu erro e mudar minha mensagem, embora mantendo-me preso as doutrinas básicas. Era também o momento de transformar a doutrina em ação. Meu genro Sam, que havia recebido o batismo com o Espírito Santo, disse-me: _ Não é possível pregar a verdade do batismo com o Espírito Santo sem que o possua com realidade bem presente. Sabia que ele estava certo. Mas se eu recebesse essa experiência, o que aconteceria ao meu relacionamento com aqueles que a rejeitavam categoricamente? Penoso pensamento ocorreu-me então. A maioria de nossos queridos amigos se afastariam de nós, supondo que havia adotado doutrina falsa. Consternação e perplexidade se espalhariam entre aqueles que confiavam em mim como professor da sã doutrina! Mas a plena revelação da verdade de Deus compelia-me a prosseguir. Portanto resolvi que, mesmo que perdesse todo o apoio, seria fiel à Palavra de Deus! Comecei buscando o dom de línguas, bem como o próprio Espírito Santo. Sabia que nos tempos do Novo Testamento todos os que recebiam a “unção” do Espírito também falavam em línguas. Estava certo de que esse dom seria uma benção adicional e uma confirmação em minha vida. A primeira epístola aos Coríntios 14.4 diz: “O que fala em outra língua a si mesmo se edifica”. No Vale do Lago, durante certo tempo, alguns de nós íamos todos os dias a um local tranqüilo à sombra das árvores par orar. Certo dia, meu único companheiro era Jorg Pradas. Ao descermos a sombria rampa entre espinheiros, lembrei-me que Jorge havia me contado que há pouco tempo receber o batismo na rua de sua cidade natal. Pela fé ele reivindicara a promessa de Cristo: “quanto mais o Pai Celestial dará o Espírito Santo àqueles que lho pedirem?” (Lc 11.13). Jorge havia pedido e o Senhor respondera com ondas de bênçãos que lhe banharam a sua alma com santa alegria. Ele não falou em línguas naquele momento, mas algumas semanas depois, quando orava, um fluxo de adoração em nova língua lhe veio aos lábios de modo muito natural. Quando alcançamos uma clareira, um tanto afastada do caminho, eu disse: _ Jorge, creio que Deus quer que eu receba pela fé a plenitude. Creio que ele quer me abençoar também com o dom de línguas. (Isso foi em fevereiro de 1969.) Ele olhou para mim com compreensão, enquanto eu prosseguia: _ Na Bíblia, repetidamente, os apóstolos impunham as mãos sobre os crentes e eles recebiam o Espírito Santo com todo o seu amor e poder. Portanto peço a você que ponha as mãos sobre minha cabeça e ore, pois estamos a sós. Pensei um pouco, sentindo a presença do meu Senhor, e depois prossegui: _ vou esquecer todos os meus sucessos e falhas, meus longos anos de pregação e meus estudos teológicos. Vou me transformar em criança como diz a Bíblia e até mesmo me fazer de insensato se for necessário! Mas vou dar o passo da fé, tal como aqueles sacerdotes de Israel que puseram os seus pés no rio Jordão, crendo que Deus abriria o caminho para eles até à outra margem. Ajoelhei-me. Jorge colocou as mãos sobre minha cabeça e começou a orar brandamente em espanhol, com algumas frases em línguas. Depois eu comecei a orar. A princípio, parecia pouco mais do que um murmúrio, mas logo depois tornou-se evidente. Eu estava orando em uma língua que nunca havia aprendido! A proximidade de Deus era impressionante. A sensação de paz e alegria era intensa. Durante alguns minutos orei sem esforço numa língua definida. A seguir, mudei pra o espanhol, louvando o meu Pai celestial por ter adicionado mais essa nova e maravilhosa dimensão à minha experiência cristã. Jorge regozijou-se comigo e continuamos em oração durante um bom tempo”.

Línguas - chuva do Espírito Santo

Gotas de Chuva
Por Morris Cerullo

 “A Igreja Assembléia de Deus de Betânia, em East Patterson, era uma construção imponente. Havia sido uma igreja presbiteriana, e naquela época um vitral mostrado Jesus Cristo como o “Bom Pastor” foi avaliado em mais de vinte mil dólares. A Srª. Kerr observou-me durante o culto, para acompanhar minhas reações. Ao contrário do que esperavam, eu me senti muito à vontade com as pessoas louvando a Deus, porque isso era uma parte vital da experiência religiosa dos judeus. Estava acostumado à participação da congregação, entoando os Salmos e pronunciando as diversas preces. No final do culto um convite geral para que as pessoas fossem à frente e orassem. A Srª. Kerr se inclinou para mim e perguntou se gostaria de faze-lo. Fomos até o altar e eu me ajoelhei, exatamente abaixo do grande púlpito daquela igreja histórica. Quando olhei para cima, o púlpito artisticamente entalhado avultou sobre mim como uma montanha. Curvei a cabeça e comecei a orar. Em poucos momentos, todos os sons ao redor pararam de ser registrados por minha consciência. Logo em seguida me senti envolto numa presença maior do que jamais sentira em minha vida. Fiquei então impressionado, quando estendi o olhar para lá do grande púlpito, em direção à abóbada do teto do santuário. Não vi ninguém mais. Era como se estivesse ali sozinho. Minha impressão seguinte foi de que alguma coisa brilhante começava a cair do teto. Logo percebi que enormes gotas de chuva caíam vagarosamente em minha direção. Notei em seguida que cada gota tinha a forma de uma lágrima, e em cada lágrima havia uma palavra claramente escrita. Quando chegaram perto de mim procurei distinguir a língua em que estavam escritas, tendo observado não se tratar de inglês; tampouco era hebraico ou grego, visto que estudara essas línguas na escola e durante minha educação religiosa. As gotas foram caindo em todo o meu redor, e com os lábios fui repetindo as palavras que via escritas. Logo estava totalmente empenhado em pronunciar os vocábulos desconhecidos que a minha visão enxergava. Em poucos momentos a chuva passou e a visão terminou, mas as palavras desconhecidas que me fluíam dos lábios não cessaram. Como a Srª. Kerr acompanhava o que acontecera, uma tremenda confirmação se deu no seu coração batista: tudo aquilo era real. Ela sabia que eu não tinha conhecimento prévio dessa experiência, e que o que ali sucedera não fora resultado de poder de sugestão. Numa reflexão sobre os eventos do passado podemos ver perfeitamente a mão de Deus nos guiando um passo de cada vez – sempre provendo todas as nossas necessidades. Quando naquela noite chegamos à casa dos Maurer, a Srª. Kerr estava um tanto preocupada, pois eu ainda não falara muito em inglês, persistindo em falar a língua desconhecida. Acharam que seria bom telefonar ao pastor, o Rev. David Leigh, e descobrir o que estava acontecendo. Ele lhes garantiu que tudo estava bem, e que eu estava sendo batizado no Espírito Santo.”


Línguas - do jeito que está na Bíblia

Línguas Como no livro de Atos
 por Stanley Horton

 “Ouvi de um amigo inglês de meu pai, chamado Butler, um fato ocorrido quando Smith Wiggleswort, evangelista britânico, armou pela primeira vez sua grande tenda em Vancouver, Canadá. Butler procurou o irmão Wigglesworth e perguntou-lhe se seria possível receber o batismo no Espírito Santo com a evidência de um “vento impetuoso”. Wigglesworth poderia ter explicado que o aparecimento de línguas de fogo e o som de um vento, os quais precederam o derramamento do Espírito no dia de Pentecostes, não mais se repetiram; que repetiu-se todavia o falar em línguas; e que, em Ato 10, era a evidência clara e convincente do recebimento do batismo. Não o fez, entretanto. Em vez disso, respondeu: _ Por que você não entra na tenda para orar, e pergunta ao Senhor? E, enquanto orava, o irmão Butler foi realmente envolvido por um vento sobrenatural, que o deixou prostrado até o final da reunião. Então ele ponderou: _ Devo levantar-me e contar ao povo que recebi o batismo no Espírito Santo com a evidência de um vento veemente e impetuoso. Mas não pôde levantar-se. Sentia-se como se estivesse preso ao chão. E começou a falar em línguas. Ele jamais teve dúvidas de que as línguas são a evidência externa inicial do batismo com o Espírito Santo.”


Batistas também falam em línguas

Batistas que falam em línguas
Também já experimentei isso Por Stanley Horton


 “Quando criança, vezes sem conta ouvi os testemunhos de como Deus guiou meus pais e avós à Experiência pentecosta. Minha avó Clara, filha do professor Sanford, que ensinava grego e latim na Universidade de Siracusa e foi ordenado ministro batista, recebeu influência de várias direções. Suas primeiras experiências espirituais aconteceram em Chautauqua, Nova York, durante as férias de verão, quando pregadores de Keswick e professores da Inglaterra despertaram no seu coração o desejo de uma vida vitoriosa pelo poder do Espírito Santo. Pelo fato de seu pai ser professor, permitiram-lhe assistir todas as aulas do curso de bacharel, mas ela não recebeu diploma porque a universidade, na época, não diplomava mulheres. Por toda a sua juventude ela foi ativa nas associações de obreiras cristãs, chegando a presidir o capítulo de Nova York, que reunia jovens de várias denominações. Numa convenção na cidade de Nova York, ela conheceu A.B. Simpson e visitou sua igreja. Também foi uma das pregadoras do chamado Circuito de Chautauqua. Por volta de 1880, recebeu convite pra falar a um grupo de mulheres de uma igreja batista situada à margem do rio Erie, na Pensilvânia. Ela havia orado com determinação por aquele culto, e, quando levantou-se para pregar, começou a falar numa língua que desconhecia totalmente. Então o Espírito Santo deu-lhe a interpretação, que eram todas citações bíblicas agrupadas de modo a formar uma mensagem. As mulheres queriam saber que língua era aquela, mas ela não sabia. Nem mesmo entendera completamnte o que havia acontecido, a não ser que fora abençoada. Minha avó não contou a ninguém o que acontecera, embora numa oração solitária e fervorosa voltasse a falar a mesma língua. Desejando conhecer melhor a Bíblia, ingressou no Instituto Bíblico Moody, em Chicago. Certa ocasião, Dwight L. Moody e Reuben A. Torrey colocaram os alunos em fila e, caminhando por trás deles, diziam: _ Recebam o Espírito Santo. Torrey já havia ensinado que a experiência do batismo no Espírito Santo estava disponível a todos. (...) No domingo de Páscoa de 1906, a Srta. Seymour e alguns outros membros oriundos da Missão da Rua Azusa contaram como o Espírito Santo estava sendo derramado conforme Atos 2.4. Meu avô confessou haver algo que ele ainda não sabia sobre o derramamento do Espírito Santo, mas não conseguia descobrir o que era. À menção de Atos 2.4, ele convenceu-se de que o falar em outras línguas era a evidência que lhe faltava. Naquele culto, ele e muitos outros foram batizados no Espírito Santo. Mais adiante, ele levou minha avó à Missão da Rua Azusa, onde ela viu, ouviu e sentiu o que estava acontecendo. Então declarou: _ Eu já experimentei isso! Os irmãos retrucaram: _ Não pode ser. Você é batista! Eles estavam ensinando que o batismo no Espírito Santo era a terceira experiência depois da salvação e da santificação. Ela não argumentou, simplesmente dobrou os joelhos em oração e em poucos minutos estava falando em línguas. Um dinamarquês aproximou-se dela mais tarde e disse-lhe que ela havia falado no seu idioma. Minha mãe, na época com 11 anos de idade, ajoelhou-se pedindo pela santificação e em dez minutos estava falando em línguas sem ter consciência de qualquer experiência intermediária. Uma mulher negra, proveniente de uma ilha de fala francesa, procurou-a logo depois, dizendo que ela falara francês. Quando minha mãe era mais velha tornou a encontrar a mulher, que relembrou o fato e confirmou-o.

Línguas estranhas - um refrigério para a alma

Falando em mistérios –línguas como uma fonte jorrante!
Por Stanley Horton



“Quando eu tinha 14 anos, meu irmão mais novo e eu passamos o verão com minha tia Ruth, irmã de minha mãe, e seu marido, Wesley R. Steelberg, pastor da Assembléia de Deus em Sacramento. Certa vez, na convenção dos Embaixadores Pentecostais para Cristo, fui à frente orar com os outros jovens. A presença do Senhor tornou-se tão real que desliguei-me de tudo, perdendo a noção do tempo. Finalmente, um homem bateu no meu ombro e perguntou; _ Você está bem? As luzes estavam quase todas apagadas, e as pessoas já tinham ido embora. Mas não recebi o batismo no Espírito Santo. Talvez eu estivesse um pouco hesitante, devido a um fato ocorrido quando eu tinha oito anos de idade. Alguns de nossos amigos haviam se associado a Frank Ewart, e fomos pressionados a participar de uma reunião especial. Depois do culto, alguém me levou até o altar e começou a forçar a minha mandíbula para tentar fazer-me falar em línguas. Quando meu pai percebeu o que estava fazendo, tomou-me pelo braço e levou-me embora. Nunca mais voltamos. Depois de terminar o curso secundário, ingressei na Faculdade de Los Angeles e dois anos após entrei para a Universidade da Califórnia, em Berkeley. Fiz algumas amizades na Primeira Igreja Pentecostal em Oakland, pastoreada por J. Narver Gortner. Seus sermões expositivos aumentaram meu amor ao batismo no Espírito Santo. Na universidade, onde me formei em ciências, deparei-me com certa confusão causada por alguns de meus professores, cujas idéias vieram a lançar dúvidas sobre a Bíblia. Eu não então da existência de bons livros, que poderiam ter-me ajudado. Certa noite, ajoelhei-me à beira da cama e clamei: _ Senhor, eu sou um salvo, mas não sei o que fazer quanto a essas dúvidas. Em resposta, o Senhor fez-me lembrar de quando meu avô, Samuel Horton, fez uma delicada operação da próstata. Ele tinha 75 anos, e eu cinco. Por alguma razão, os rins começaram a vazar, e os médicos o mandaram morrer em casa. Ainda posso lembrar a ambulância negra, meu avô sendo carregado numa padiola escada acima e a chegada de parentes e amigos para vê-lo morrer. Porém Joseph Clark, esposo de Rachel, irmã de meu pai, e pastor da Assembléia de Deus em Hollywood, Califórnia, conclamou-nos todos à oração. Não lembro as palavras de sua oração, mas tenho lembrança da maneira poderosa como o Espírito Santo o usou. Na manhã seguinte, minha ti Birdie, irmã mais jovem de meu pai, subiu para trocar as bandagens. O ferimento estava curado, exceto uma área de meia polegada que em cinco dias também estava completamente limpa e cicatrizada. Meu avô retornou ao trabalho e viveu até os 87 anos (...) Em seguida, o Senhor fez-me lembrar de meu primo, Charles Fisher, que aos 14 anos contraiu pólio. Os médicos não identificaram a doença, e lhe receitaram algumas pílulas para o estômago. Quando a paralisia o atacou, os médicos disseram: _ Desculpe, não podemos ajuda-lo. Seus pais o levaram ao Ângelus, onde oraram por ele. E ele começou a andar, a jogar futebol, alistou-se para a Segunda Guerra Mundial na marinha e nunca mais apresentou qualquer sintoma de pólio. Depois disso, o Senhor chamou-me a atenção para o que havia acontecido ao meu irmão Donald, uma não e meio mais jovem do que eu. Ele foi curado do que poderia ter sido pólio, aos quatro anos de idade. Todavia, na época em que ele fazia o curso secundário, tornou-se amargurado contra meu pai e contra Deus. Ele ainda freqüentava a igreja e a escola dominical apenas para acompanhar a família. Na classe de escola dominical, exigiam que respondêssemos à chamada com uma citação bíblica. Era seu costume extrair dos Salmos palavras de julgamento divino sobre os inimigos, tais como: “Sejam órfãos os seus filhos” (Sl 109.9). Não estava querendo ser engraçado, era um reflexo de sua amargura. Ao passar em casa para as comemorações de Natal, constatei uma mudança radical. Acontecera um avivamento na igreja local, e ele foi convertido e cheio do Espírito Santo. A amargura desapareceu, e a alegria do Senhor encheu-lhe o coração. Um milagre tão grande quanto o das curas. Essas lembranças animaram o meu coração, e logo depois, cerca de uma hora da manhã do Ano Novo de 1936, recebi o batismo no Espírito Santo. O mesmo Espírito tornou Jesus bem real para mim. Pude sentir o seu toque e a sua presença com nunca antes em minha vida. Porém, com havia falado apenas algumas palavras em línguas e ainda não totalmente restabelecido da experiência anterior, comecei a perguntar-me se o que eu havia recebido era realmente o que buscava. Na noite seguinte, prostrei-me diante do altar em oração. ninguém acercou-se de mim para orar em meu favor, porque eu já era batizado. Aquilo poderia ter sido um equívoco. As pessoas batizadas precisavam ser encorajadas a prosseguir. Não obstante, eu disse ao Senhor; _ Se há libertação nisso, então eu o desejo. Imediatamente, abriu-se uma torneira. E as línguas jorraram. Por duas semanas, quase não me foi possível falar em inglês

Línguas Desconhecidas - muito mais do que um fenômeno meramente línguístico

Falar em Línguas - Uma tolice?
Por Merlin Carothers

O culto era bem diferente do que estava acostumado. Os crentes cantavam com uma alegria descontraída, batiam palmas e até mesmo levantavam os braços quando cantavam. Tanto Dick quanto eu sentíamo-nos desajustados, mas concordei que havia ali um certo gozo que nunca experimentáramos e o qual bem precisávamos conhecer. Uma senhora de aparência fina dirigiu-se a nós varias vezes e perguntou: “Já aconteceu alguma coisa?” “Não, senhora. O que quer dizer com isso?” Respondíamos. “Vocês verão; vocês verão”, dizia. Ruth e as outras pessoas que nos haviam convidado a ir ali sugeriram que fossemos falar com uma certa senhora que diziam possuir um poder incomum. Apresentaram-nos a ela e de imediato não gostei. Ela mencionava as Escrituras de uma maneira que parecia querer converter-me. Não gostava quando pessoas citavam a Bíblia daquele modo para mim e principalmente não gostava que uma mulher o fizesse. Nossos amigos, porém, insistiam que tivéssemos uma conversa com ela, e como eles tinha pago tudo para nós, sentir que devia dar-lhe esta satisfação. Sentamo-nos a ouvir pacientemente, e ela nos contou o que Deus havia feito em sua vida e na vida de outros. Mencionou várias vezes o “batismo no Espírito Santo” e nos mostrou na Bíblia que essa experiência tinha sido comum entre os crentes do primeiro século. “O Espírito Sant ainda realiza a mesma obra hoje”, disse. “Jesus Crista ainda batiza com o Espírito Santo aqueles que crêem nele, exatamente como o fez no dia de Pentecostes.” Senti uma ponta de vibração. Será que eu poderia experimentar o meu próprio pentecostes? Será que poderia ver as línguas de fogo, ouvir o vento impetuoso, e falar em outras línguas? Ela terminou de falar e ficou olhando para nós. “Eu gostaria de orar pelos senhores”, disse suavemente, “para que recebam o batismo com o Espírito Santo.” Sem hesitação eu disse sim. Ela colocou as mãos sobre a minha cabeça e começou a orar. Eu esperava que algo me atingisse. Nada aconteceu. Não senti nada. Ela colocou as mãos na cabeça de Dick. Quando acabou de orar olhei para ele e ele olhou para mim. Percebi também que ele não tinha sentido nada. O negócio era falso. A senhora olhou para nós com um leve sorriso. “Ainda não sentiram nada, já?” Balançamos a cabeça em negativa. “Não, senhora.” “Vou orar pelos senhores numa língua estranha também.” Novamente ela impôs as mãos sobre a minha cabeça. Não senti, não vi e nem ouvi nada. Quando acabou de orar, ela me perguntou se eu não ouvia ou sentia dentro de mim umas palavras que não compreendia. Pensei um pouco, e percebi que realmente havia em minha mente umas palavras que não significavam nada. Estava certo de eram apenas produto de minha imaginação e disse-o a ela. “Se o senhor as dissesse em voz alta, sentir-se-ia ridículo?” “Certamente que sim.” “Estaria disposto a ser ridículo por amor a Cristo?” Esta pergunta colocava a questão sob um prisma inteiramente diferente. Naturalmente eu faria qualquer coisa por Cristo, mas falar em voz alta uma tolice tal poderia ser a destruição do meu futuro. Eu imaginava aquelas pessoas saindo dali e contando a todo mundo que o capelão metodista tinha recebido o dom de línguas. Podia até ser que eu tivesse que deixar o exército! Mas, e se isto fosse exatamente o que Deus queria que eu fizesse? De repente, até minha carreira pareceu de pouca importância. Ainda hesitante, comecei a falar as palavras que estavam na minha mente mesmo assim não senti nada de diferente. Eu cria que Jesus Cristo havia me dado uma nova língua como sinal de que havia me batizado com o Espírito Santo; entretanto, os discípulos, no dia de pentecostes, haviam agido como bêbados. Certamente eles estavam tomados por um certo sentimento. Olhei para Dick. Ele fazia o mesmo que eu. Falava palavras numa língua estranha e parecia crer na validade da experiência e, no entanto, não mostrava nenhuma reação emocional. “A experiência baseia-se na fé em um fato, não em sentimento”, disse aquela senhora, aparentemente lendo a nossa mente. Fiquei pensativo – não me sentia diferente; mas estava diferente? Levantei os olhos; subitamente compreendi uma coisa: “Eu sei que Jesus Cristo está vivo!” disse. “Eu não apenas creio; eu SEI!” Mas, naturalmente! O Espírito Santo dá testemunho de Jesus Cristo, diz a Bíblia. Agora eu sabia que aquilo era verdade. Aqui estava a fonte da grande autoridade dos discípulos após o pentecostes. Eles não apenas se lembravam de um homem que tinha vivido, morrido e ressuscitado. Eles o conheciam no presente porque ele os tinha enchido com o seu Espírito Santo, cujo propósito essencial é testemunhar de Jesus Cristo. Como um raio, compreendi o horror de que eu havia sido culpado durante os últimos anos. Não somente eu, mas milhares de crentes, nos púlpitos e nos bancos, cometem o erro de diluir a mensagem da cruz, e tirar Cristo da posição central que deve ocupar. Ao mesmo tempo que via a enormidade de meu pecado, vi também a Jesus Cristo em todo o seu esplendor, como meu redentor. Vi-o como bem no fundo do meu coração eu sabia que ele era. Todas as dúvidas inquietantes que tivera recentemente foram varridas por uma onda de alegre certeza. Aquilo era glorioso demais! Nunca mais duvidaria que Jesus Cristo era quem afirmara ser. Nunca mais iria cometer a insensatez de pensar que ele era apenas um homem, um homem bom e um exemplo para nós seguirmos. Que verdade maravilhosa! Jesus Cristo vivendo em nós, seu poder operando através de nós. Ele é a videira; sua vida é a nossa própria vida. Sem ele nada somos; em nosso próprio poder não conseguiríamos realizar nada. “Obrigado, Senhor Jesus.” Levantei-me, e quando estava de pé, algo veio a mim. Fui subitamente cheio, até transbordar, de um sentimento de calo humano e amor para com todos aqueles que estavam naquele aposento. Dick também deve tê-lo recebido no mesmo momento. Vi lágrimas se formando em seus olhos e sem dizer palavra, adiantamo-nos e abraçamo-nos fortemente, chorando e rindo ao mesmo tempo. Olhei para a querida irmã com quem momentos antes tinha antipatizado e compreendi que a amava. Ela era minha irmã em Cristo. Descemos para almoçar e senti um amor transbordante por todos aquele que eu via. Nunca sentira aquilo antes. Naquela mesma noite, eu e Dick entramos numa das salas para orar. Algumas pessoas se uniram a nós e, em pouco, a sala estava cheia. Enquanto orávamos outros foram cheios do Espírito Santo. Por todo o hotel ressoaram gritos de alegria à medida que uns e outros experimentavam a plenitude da presença de Cristo. Às duas da madrugada eu e Dick tentamos ir dormir. Não adiantava tentar, estávamos por demais alegres. Eu disse: “Vamos levantar e orar mais.” Oramos mais duas horas, suplicando a Deus por todos os nossos conhecidos e depois louvamo-lo por sua bondade para conosco.”